fbpx

O ato da vaci­na­ção é uma prá­ti­ca sim­ples, mas que requer alguns cui­da­dos espe­ci­ais e conhe­ci­men­tos para imu­ni­zar bem os ani­mais e evi­tar pre­juí­zos aos pro­du­to­res

Vacinas recomendadas para o período de cria de bovinos e protocolos de sanidade reprodutiva

*Por Reu­el Luiz Gon­cal­ves — Médi­co-vete­ri­ná­rio e Geren­te Ser­vi­ços Téc­ni­cos da Bio­gé­ne­sis Bagó

 

Utili­zar vaci­nas na pecuá­ria se tor­nou roti­na, por ser uma medi­da pre­ven­ti­va con­tra doen­ças infec­ci­o­sas, por redu­zir per­das e a neces­si­da­de do uso de anti­bió­ti­cos para os tra­ta­men­tos nos ani­mais de pro­du­ção, o que dimi­nui os cus­tos e tam­bém os resí­du­os de fár­ma­cos em pro­du­tos de ori­gem ani­mal. A vaci­na­ção visa pre­ven­ção, con­tro­le e até mes­mo a erra­di­ca­ção de doen­ças, melho­ria da saú­de públi­ca e aumen­to dos índi­ces pro­du­ti­vos e repro­du­ti­vos dos reba­nhos.

Depois do mane­jo nutri­ci­o­nal o mane­jo sani­tá­rio de um reba­nho é de extre­ma impor­tân­cia e, a vaci­na­ção é a pri­mei­ra fer­ra­men­ta a ser lem­bra­da.

Vaci­nar é o mes­mo que imu­ni­zar?

Não! O ato da vaci­na­ção é uma prá­ti­ca sim­ples, mas que requer alguns cui­da­dos espe­ci­ais e conhe­ci­men­tos para imu­ni­zar bem os ani­mais e evi­tar pre­juí­zos aos pro­du­to­res, danos ao reba­nho e para que o pro­ces­so de imu­ni­za­ção tenha mai­or chan­ce de ser bem suce­di­do.

Deve­mos sem­pre obser­var vári­os fato­res para que a efi­ci­ên­cia da imu­ni­za­ção desen­ca­de­a­da pela apli­ca­ção da vaci­na não seja pre­ju­di­ca­da. Esses fato­res podem estar rela­ci­o­na­dos ao trans­por­te, con­ser­va­ção (cadeia de frio), manu­seio das vaci­nas e exe­cu­ção da vaci­na­ção pro­pri­a­men­te dita.

Os prin­ci­pais obje­ti­vos da vaci­na­ção são:

  • Pro­te­ger o reba­nho e evi­tar sur­tos de doen­ças infec­ci­o­sas;
  • Pro­te­ger o indi­ví­duo (ani­mal) de doen­ças infec­ci­o­sas asso­ci­a­das à mor­ta­li­da­de e evi­tar seque­las de lon­go pra­zo que pos­sam inter­fe­rir no desem­pe­nho ou, até mes­mo, inter­rom­per o perío­do de vida produtiva/reprodutiva de um ani­mal ou de todo um reba­nho;
  • Con­tro­lar e, até mes­mo, erra­di­car doen­ças infec­ci­o­sas como Afto­sa, Bru­ce­lo­se, Rai­va, etc.

Pla­ne­ja­men­to
Uma anam­ne­se deta­lha­da da fazen­da deve ser fei­ta antes de se mon­tar um Calen­dá­rio Sani­tá­rio Vaci­nal.

Indu­zir pro­te­ção de reba­nho pelo uso da vaci­na­ção deve levar em con­ta o tipo de sis­te­ma da pro­pri­e­da­de, se é cria, recria, engor­da, ou ciclo com­ple­to, a mani­fes­ta­ção ou não de doen­ças, rela­tos de casos de doen­ças endê­mi­cas na região e rela­tó­ri­os infor­ma­ti­vos sobre o diag­nós­ti­co e a pre­va­lên­cia de doen­ças con­ta­gi­o­sas publi­ca­dos por órgãos ofi­ci­ais de vigi­lân­cia sani­tá­ria regi­o­nais. Em segui­da, deve ser mon­ta­do um calen­dá­rio de vaci­na­ção, onde esta­rão defi­ni­das as vaci­nas a serem uti­li­za­das, cate­go­ri­as que rece­be­ram e a melhor épo­ca para a apli­ca­ção de cada uma delas. Este calen­dá­rio deve­rá ser defi­ni­do em con­jun­to com o médi­co-vete­ri­ná­rio res­pon­sá­vel pelo reba­nho, o geren­te da pro­pri­e­da­de e o pro­pri­e­tá­rio, para que todos este­jam cien­tes das neces­si­da­des vaci­nais do reba­nho.

As vaci­nas obri­ga­tó­ri­as dos bovi­nos devem ser incluí­das ini­ci­al­men­te no calen­dá­rio anu­al de vaci­na­ção. O Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to (MAPA) defi­ne um calen­dá­rio ofi­ci­al para a vaci­na de febre afto­sa, em que os meses mais ade­qua­dos para vaci­na­ção são defi­ni­dos segun­do o Esta­do, geral­men­te nos meses de maio e em novem­bro. Em algu­mas regiões endê­mi­cas se faz tam­bém com a vaci­na­ção con­tra Febre Afto­sa a vaci­na de Rai­va, sen­do essa uma ori­en­ta­ção esta­du­al.

Outra vaci­na ofi­ci­al impor­tan­te é con­tra bru­ce­lo­se, não exis­te uma data defi­ni­da com calen­dá­rio ofi­ci­al de vaci­na­ção, entre­tan­to o que fica defi­ni­do são o sexo e a ida­de do ani­mal em que a vaci­na deve ser admi­nis­tra­da (vaci­nar ape­nas fême­as entre três e oito meses de ida­de).

Defi­ni­das as datas das vaci­nas obri­ga­tó­ri­as, o pro­du­tor em con­jun­to com o vete­ri­ná­rio e o geren­te da fazen­da deve incluir as vaci­nas pro­du­ti­vas para pro­te­ger os ani­mais con­tra deter­mi­na­das doen­ças, uti­li­zan­do uma ou mais das deze­nas de vaci­nas dis­po­ní­veis no mer­ca­do.

Para defi­nir o calen­dá­rio vaci­nal, pen­sa­do na repro­du­ção, deve­mos iden­ti­fi­car quan­do é a Esta­ção de Mon­ta (EM) da pro­pri­e­da­de, na mai­or par­te do país ini­cia-se no pri­mei­ro dia de novem­bro, ter­mi­nan­do ao final de janei­ro (90 dias) ou de feve­rei­ro (120 dias).

Esta­be­le­ci­do a EM, fica fácil de deter­mi­nar a Esta­ção de Nas­ci­men­to (EN), sen­do pos­sí­vel orga­ni­zar a vaci­na­ção das fême­as em ati­vi­da­de repro­du­ti­va nas mais diver­sas cate­go­ri­as da pro­pri­e­da­de (Nulí­pa­ras, Pri­mí­pa­ras, Secun­dí­pa­ras, Plu­rí­pa­ras e Vacas sol­tei­ras).

Umas das vaci­nas mais anti­gas uti­li­za­das em fême­as de cria é a con­tra o para­ti­fo (Sal­mo­ne­lo­se) e para coli­ba­ci­lo­se (E. coli), vaci­nas estas fei­tas no 8º mês de ges­ta­ção das mes­mas. Hoje, estas vaci­nas foram subs­ti­tuí­das pelas con­tra Diar­rei­as Neo­na­tais, onde além da pro­te­ção con­tra E. coli e Samo­nel­la spp pela cepa J5, elas pos­su­em em sua com­po­si­ção além da cepa J5 os Vírus G6 e G10 de Rota­ví­rus, sen­do uma das vaci­nas mais conhe­ci­das com essa for­mu­la­ção a Rota­tec J5.

Outra vaci­na mui­to impor­tan­te e que mui­tas vezes é negli­gen­ci­a­da nas matri­zes são as vaci­nas Clos­tri­di­ais (Poli­clos­tri­gen), con­tra car­bún­cu­lo sin­to­má­ti­co, gan­gre­na gaso­sa e ente­ro­to­xe­mi­as e tam­bém con­tra o botu­lis­mo. Por quê? Lem­bre­mos sem­pre que os ani­mais de cria estão sujei­tos a desa­fi­os dife­ren­tes que os de engor­da e tam­bém pre­ci­sam pro­du­zir um colos­tro de qua­li­da­de para seus pro­du­tos, prin­ci­pal­men­te para pro­te­gê-los nos pri­mei­ros 60 a 90 dias de vida.

Depois das vaci­nas mas­sais (Clos­tri­di­o­se, Botu­lis­mo e Rai­va), deve­mos dar aten­ção às vaci­nas espe­ci­ais repro­du­ti­vas, que são con­tra Rino­tra­quei­te Infec­ci­o­sa Bovi­na (IBR 1 e 5), Diar­reia Viral Bovi­na (BVD 1 e 2), Campy­lo­bac­tei­ro­se (C. fetus subsp. vene­re­a­lis e C. fetus subsp fetus) e Lep­tos­pi­ro­se.

As vaci­nas Repro­du­ti­vas (IBR, BVD, Campy­lo e Lep­to) devem ser fei­tas pre­fe­ren­ci­al­men­te antes da EM, no mês de setem­bro ou outu­bro anu­al­men­te e, refor­ço semes­tral para vaci­na de Lep­tos­pi­ro­se.

Em pro­pri­e­da­des com alto desa­fio para qua­dros res­pi­ra­tó­ri­os o uso de vaci­na res­pi­ra­tó­ria con­ju­ga­da (Vírus e Bac­té­ri­as) deve ser imple­men­ta­do de pre­fe­rên­cia antes dos meses mais fri­os do ano (sen­do maio uma boa data).

Aten­ção!
Vaci­nas pro­du­zi­das com orga­nis­mos vivos (vaci­nas vivas ate­nu­a­da) mere­cem aten­ção espe­ci­al, prin­ci­pal­men­te a con­tra bru­ce­lo­se, que pode cau­sar doen­ça em huma­nos (zoo­no­se) ou apre­sen­tar rea­ções não con­for­mes. Por­tan­to, o manu­seio des­ses pro­du­tos deve ser cri­te­ri­o­so e rea­li­za­do com cau­te­la por um pro­fis­si­o­nal qua­li­fi­ca­do (médi­co-vete­ri­ná­rio ou vaci­na­dor trei­na­do, atu­an­do sob res­pon­sa­bi­li­da­de do pro­fis­si­o­nal de vete­ri­ná­ria).

Todos devem saber que a res­pos­ta imu­no­ló­gi­ca dos ani­mais (pro­te­ção) após a apli­ca­ção de uma vaci­na não é ime­di­a­ta e seus efei­tos podem apa­re­cer somen­te após, pelo menos, 15 dias. Sen­do assim, ani­mais vaci­na­dos recen­te­men­te ain­da podem apre­sen­tar a doen­ça, pois já pode­ri­am estar infec­ta­dos antes de serem vaci­na­dos ou terem entra­do em con­ta­to com o pató­ge­no (micror­ga­nis­mo que cau­sa a doen­ça) nes­ta fase entre a vaci­na­ção e a imu­ni­za­ção do ani­mal. Os ani­mais sadi­os e bem nutri­dos têm melhor res­pos­ta imu­no­ló­gi­ca às vaci­nas do que os doen­tes ou mal ali­men­ta­dos.

Mui­tas das doen­ças que aco­me­tem reba­nhos de cria já estão na pro­pri­e­da­des e por­tan­to a uti­li­za­ção des­sas vaci­nas em ani­mais aco­me­ti­dos bus­cam dimi­nuir os sin­to­mas das doen­ças como mor­te embri­o­ná­ria pre­co­ce, repe­ti­ção de cio e abor­tos, por­tan­to a ado­ção das vaci­nas repro­du­ti­vas bus­ca mini­mi­zar os pro­ble­mas advin­dos des­tes pató­ge­nos ate que o sta­tus imu­no­ló­gi­co este­ja con­so­li­da­do após 2 a 3 vaci­na­ções.

Pra­ti­ca­men­te todas as vaci­nas (ina­ti­va­das ou vivas ate­nu­a­das), já que nem todas são total­men­te vivas ate­nu­a­das, na pri­mo-vaci­na­ção (pri­mei­ra vaci­na­ção) exi­gem a apli­ca­ção de uma dose de refor­ço, nor­mal­men­te três a qua­tro sema­nas após a pri­mei­ra dose. Os refor­ços de vaci­na­ção são para garan­tir que hou­ve esti­mu­la­ção ade­qua­da do sis­te­ma imu­no­ló­gi­co e for­ma­ção de célu­las de memó­ria. Lem­bran­do que inter­rom­pen­do-se a vaci­na­ção por mais de um ano, deve­mos reco­me­çar a vaci­na­ção com dose e refor­ço.

Rolar para cima