Causa irritação e prejuízo ao bem-estar nos animais acometidos, sendo que a lesão pode se infectar secundariamente por bactérias e se tornar foco para instalação de mastites e prejudicar a qualidade do leite

Mar­cos Malac­co

 

A este­fa­no­fi­la­ri­o­se é uma para­si­to­se que pode afe­tar diver­sas espé­ci­es ani­mais, inclu­si­ve tem cará­ter zoo­nó­ti­co, ou seja, pode tam­bém afe­tar o homem. É pro­vo­ca­da por espé­ci­es de Stepha­no­fi­la­ri­aspp, um ver­me redon­do, cujos veto­res são mos­cas, espe­ci­al­men­te mos­cas pica­do­ras, sen­do a mos­ca dos chi­fres (Hae­ma­to­bi­air­ri­tans) o vetor bio­ló­gi­co da este­fa­no­fi­la­ri­o­se.  Nos bovi­nos é mais fre­quen­te nas vacas lei­tei­ras, e um tra­ba­lho rea­li­za­do no Bra­sil demons­trou ser mais pre­va­len­te no reba­nho de vacas em lac­ta­ção (Miya­kawa et al., 2009 – figu­ra abai­xo). Por este moti­vo, no cam­po é cha­ma­da “úlce­ra da lac­ta­ção”. Tam­bém cos­tu­ma ser mais fre­quen­te nas épo­cas quen­tes e úmi­das, sen­do “úlce­ra de verão”, outra deno­mi­na­ção no cam­po.

Dis­tri­bui­ção dos casos de este­fa­no­fi­la­ri­o­se em reba­nhos lei­tei­ros nos esti­a­dos do Para­ná e São Pau­lo, de acor­do com a fase de pro­du­ção

A doen­ça é carac­te­ri­za­da pelo sur­gi­men­to de feri­men­tos na pele com mai­or frequên­cia na região abdo­mi­nal, par­ti­cu­lar­men­te pró­xi­mas ao úbe­re. As lesões ini­ci­am-se com o sur­gi­men­to de peque­nas pápu­las, nódu­los, per­da de pelos, exsu­da­ção, que evo­lu­em para for­ma­ção de úlce­ras com secre­ção e for­ma­ção de cros­tas. Geral­men­te têm aspec­to cir­cu­lar ou elíp­ti­co, que no iní­cio podem apre­sen­tar 1 cm de diâ­me­tro, poden­do alcan­çar 25 cm com a evo­lu­ção do qua­dro.

Essas lesões são bas­tan­te atra­ti­vas às mos­cas, incluin­do a Coch­li­omyi­aho­mi­ni­vo­rax (mos­ca vare­jei­ra), o que cau­sa irri­ta­ção e pre­juí­zo ao bem-estar nos ani­mais aco­me­ti­dos. Além dis­so, os feri­men­tos podem se infec­tar secun­da­ri­a­men­te por bac­té­ri­as que podem ser foco para ins­ta­la­ção de mas­ti­tes e pre­ju­di­car a qua­li­da­de do lei­te. Há cita­ções de per­ma­nên­cia das lesões por perío­dos tão lon­gos quan­to 2 a 3 anos, caso não sejam con­ve­ni­en­te­men­te tra­ta­das.


Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 656 (agosto/2019)

Rolar para cima