OS PONTOS CHAVES PARA A PRODUÇÃO DE UMA BOA SILAGEM

Silagem: é preciso critério em todo o processo de produção para obter alta qualidade 

A  sila­gem de milho é um dos prin­ci­pais volu­mo­sos uti­li­za­dos na ali­men­ta­ção de vacas lei­tei­ras em todo o país. Nes­se sen­ti­do, ter conhe­ci­men­to de como ser efi­ci­en­te para pro­du­zi-la é cru­ci­al para alcan­çar bons núme­ros de pro­du­ti­vi­da­de e bai­xos cus­tos ali­men­ta­res den­tro das pro­pri­e­da­des lei­tei­ras, sila­gens com alto teor de ami­do redu­zem o cus­to com con­cen­tra­do. Nes­se arti­go, vamos abor­dar quais os pon­tos cha­ves no pro­ces­so da ensi­la­gem para se obter uma sila­gem com alta qua­li­da­de.

Pri­mei­ra­men­te, é pre­ci­so saber onde se quer che­gar, ou seja, quais são as carac­te­rís­ti­cas de uma boa sila­gem?

A pro­du­ção de uma sila­gem com boa qua­li­da­de deve ter alta pro­du­ção de tone­la­das por hec­ta­re, alta pro­por­ção de grãos e FDN (Fibra em Deter­gen­te Neu­tro) de óti­ma qua­li­da­de. Assim, deve­mos bus­car alta diges­ti­bi­li­da­de das fibras e do ami­do dos grãos, atu­an­do em quan­ti­da­de, tex­tu­ra de grãos e qua­li­da­de da for­ra­gem.

  • Parâ­me­tros impor­tan­tes: Teor de ami­do: aci­ma de 32%
  • FDN: menor que 40%
  • Diges­ti­bi­li­da­de do ami­do: mai­or que 80%
  • Diges­ti­bi­li­da­de do FDN: mai­or que 40%

Após saber quais as prin­ci­pais carac­te­rís­ti­cas de uma boa sila­gem é pre­ci­so ter conhe­ci­men­to do que rea­li­zar para alcan­çar esses parâ­me­tros. O pas­so ini­ci­al, é o melhor momen­to para ini­ci­ar a colhei­ta.

O pon­to ide­al é quan­do a plan­ta pos­sui 32–38% de maté­ria seca (MS). Abai­xo des­se valor pode resul­tar em menor menos ami­do , exces­so de com­pac­ta­ção e per­da de nutri­en­tes por lixi­vi­a­ção. Em con­tra­par­ti­da, valo­res aci­ma des­se parâ­me­tro podem a difi­cul­tar  a com­pac­ta­ção, ter menor diges­ti­bi­li­da­de da plan­ta e do ami­do.

Uma fer­ra­men­ta inte­res­san­te para esti­mar o pon­to de colhei­ta ide­al, é obser­var no grão  o que cha­ma­mos de “Linha do lei­te” uma divi­são no grão com dife­ren­ça de colo­ra­ção que fica entre a par­te de ami­do do grão e a solu­ção de gli­co­se que se tor­na­rá ami­do, quan­do essa linha do lei­te está entre ½ a 2/3, obe­de­cen­do o sen­ti­do do topo para a base, a plan­ta apre­sen­ta em tor­no de 32 a 38% da MS. Entre­tan­to, sem dúvi­da a  manei­ra mais pre­ci­sa de se deter­mi­nar o pon­to ade­qua­do de colhei­ta do milho é atra­vés da ava­li­a­ção da maté­ria seca, uti­li­zan­do-se, por exem­plo, o apa­re­lho de micro­on­das ou apa­re­lhos de medi­ção de umi­da­de, como o Kos­ter.

Após ter toma­do a deci­são do melhor momen­to de ini­ci­ar a colhei­ta, há mais um outro pas­so cru­ci­al para alcan­çar o obje­ti­vo final, garan­tir o cor­te com tama­nho de par­tí­cu­la ide­al e uma boa que­bra do grão.

Quan­do o cor­te da plan­ta é ina­de­qua­do, como dito ante­ri­or­men­te, as par­tí­cu­las gran­des difi­cul­tam a com­pac­ta­ção e a que­bra ine­fi­ci­en­te dos grãos leva­rá a um menor apro­vei­ta­men­to dos mes­mos fazen­do com que apa­re­çam intei­ros nas fezes dos ani­mais. Ao mes­mo tem­po par­tí­cu­las mui­to peque­nas tem efei­to nega­ti­vo na saú­de rumi­nal, pois são inca­pa­zes de esti­mu­la­rem a rumi­na­ção, o que é fun­da­men­tal para man­ter um pH ade­qua­do no rúmen. Redu­zin­do assim o poten­ci­al de resul­ta­do da sila­gem, prin­ci­pal­men­te, em rela­ção a pro­du­ti­vi­da­de dos ani­mais. Evi­den­te­men­te, esse pro­ces­so vai depen­der mui­to de qual maqui­ná­rio será uti­li­za­do. Tama­nho de par­tí­cu­las médio pró­xi­mo a 8 mm tem tido bons resul­ta­dos.

A uti­li­za­ção de penei­ras do sepa­ra­dor de Penn Sta­te pode auxi­li­ar mui­to no moni­to­ra­men­to des­se pro­ces­so. Essas penei­ras pos­su­em dife­ren­tes tama­nhos de furos com 19mm, 8mm e o fun­do sem furos que for­mam 3 com­par­ti­men­tos. A fibra reti­da na penei­ra de 8 mm é uma men­su­ra­ção da FDN efe­ti­va, o qual não dever ser menor que 18,5% da MS, parâ­me­tro fun­da­men­tal para a saú­de rumi­nal, a refe­rên­cia é que a sila­gem tenha menos de 20% da MN abai­xo de 8 mm quan­do tra­ci­o­na­da por tra­tor e ao uti­li­zar auto­mo­triz com crac­ker deve se bus­car menos de 30% da MN abai­xo de 8mm.

Tão impor­tan­te quan­to estar aten­to a esse pla­ne­ja­men­to é ava­li­ar a exe­cu­ção des­se pro­ces­so. É impor­tan­te afi­ar as facas de cor­te da ensi­la­dou­ra duas vezes ao dia e apro­xi­má-las das con­tra-facas. Quan­do uti­li­zar máqui­nas auto pro­pe­li­das ficar aten­to e moni­to­rar a regu­la­gem dos crac­kers (usa­dos para uma mai­or efe­ti­vi­da­de na que­bra de grãos). Estas medi­das, que não têm cus­to algum, resol­vem facil­men­te esses pro­ble­mas.

Após garan­tir que o mate­ri­al a ser ensi­la­do está com tama­nho de par­tí­cu­la e tam­bém alto per­cen­tu­al de grãos que­bra­dos, é pre­ci­so garan­tir uma boa com­pac­ta­ção. Com o foco de reti­rar o máxi­mo de oxi­gê­nio pos­sí­vel da mas­sa que será ensi­la­da. Além de con­tro­lar os micror­ga­nis­mos inde­se­já­veis, favo­re­ce a ação das bac­té­ri­as fer­men­ta­ti­vas pro­du­to­ras de áci­do lác­ti­co, extre­ma­men­te impor­tan­tes para a con­ser­va­ção.

O pro­ces­so de enchi­men­to e com­pac­ta­ção deve ser fei­to de for­ma a dis­tri­buir por todo silo cama­das uni­for­mes de espes­su­ra média ao redor de 20 a 30 cm. Essas cama­das devem ser espa­lha­das de for­ma a fica­rem incli­na­das em dire­ção à entra­da do silo ou por­ta. A com­pac­ta­ção deve­rá ser fei­ta com pas­sa­gens con­se­cu­ti­vas do tra­tor ou pá car­re­ga­dei­ra sobre a mas­sa já dis­tri­buí­da.

Sila­gem colhi­da no momen­to cer­to, pica­da no tama­nho cor­re­to, pou­co grão intei­ro e com uma exce­len­te com­pac­ta­ção.

Qual o pró­xi­mo pas­so? Garan­tir uma cor­re­ta veda­ção de todo o silo.

A con­tri­bui­ção mais expres­si­va da eta­pa de veda­ção do silo está em evi­tar a pene­tra­ção de ar do ambi­en­te exter­no para o inte­ri­or. É fei­ta atra­vés da cober­tu­ra do silo por uma lona. As lonas pre­tas comu­men­te usa­das nas fazen­das têm tra­zi­do pro­ble­mas como ras­gos, furos, entre outros. Por isso, lonas de dupla face têm dado um melhor resul­ta­do. Além dis­so, tem a van­ta­gem de refle­tir o calor, o que aju­da a não esquen­tar o mate­ri­al ensi­la­do. As lonas a serem uti­li­za­das devem ter 150 micras ou mais, para que pos­sam durar mais tem­po.

Pron­to, silo fecha­do e com uma sila­gem de alta qua­li­da­de. Fim do pro­ces­so? Ain­da não, a reti­ra­da do silo pode levar a per­da de toda a efi­ci­ên­cia alcan­ça­da até o momen­to, caso não seja rea­li­za­da de for­ma cor­re­ta.

Sen­do assim, é fun­da­men­tal focar em man­ter o pai­nel do silo o mais pla­no pos­sí­vel e per­pen­di­cu­lar ao solo e late­rais. Isso mini­mi­za a área de super­fí­cie expos­ta ao ar. A taxa de reti­ra­da deve ser sufi­ci­en­te para pre­ve­nir que a sila­gem seja expos­ta ao aque­ci­men­to e per­das asso­ci­a­das. Reco­men­da-se a reti­ra­da de fati­as de silo de pelo 30 cm por dia. Os silos devem ser dimen­si­o­na­dos para essa reti­ra­da míni­ma, dimi­nuin­do per­das quan­do o silo é aber­to, pois o ar é capaz de pene­trar favo­re­cen­do o desen­vol­vi­men­to de micror­ga­nis­mos inde­se­já­veis. A aber­tu­ra do silo deve ocor­rer por vol­ta de 21 a 30 dias após o seu fecha­men­to. Nes­te perío­do a sila­gem já deve estar esta­bi­li­za­da. Se pos­sí­vel che­que a tem­pe­ra­tu­ra e o pH da sila­gem antes de come­çar a usa-la, são parâ­me­tros indi­ca­ti­vos de falhas. A tem­pe­ra­tu­ra não pode estar aci­ma da tem­pe­ra­tu­ra ambi­en­te o pH na fai­xa de 4.2, valo­res aci­ma des­tes podem indi­car a pre­sen­ça de bac­té­ri­as aeró­bi­as.

Em suma, o pro­ces­so é rela­ti­va­men­te sim­ples, mas com mui­tos pon­tos de gar­ga­los duran­te todo o pro­ces­sa­men­to, por esse moti­vo o moni­to­ra­men­to de todas as eta­pas é essen­ci­al para alcan­çar a tão dese­ja­da sila­gem de qua­li­da­de. Negli­gen­ci­ar qual­quer um des­ses pro­ces­sos pode cus­tar caro para qual­quer pro­pri­e­da­de lei­tei­ra. Faça o sim­ples, mas faça bem fei­to e cer­ta­men­te colhe­rá bons fru­tos. (Equi­pe da Reha­gro)

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