Para se obter uma sila­gem de alto valor pro­tei­co, é neces­sá­rio estar aten­to a alguns pon­tos bási­cos que se rela­ci­o­nam com a atividade

Silagem: sinônimo de nutrição de qualidade na época da seca 

Esta­mos num perío­do em que não fal­ta ali­men­to para o gado no pas­to, mas, é nes­se momen­to de far­tu­ra que se deve pen­sar na esta­ção seca, quan­do não have­rá comi­da em abun­dân­cia e a ali­men­ta­ção do ani­mal se tor­na mais cara. Um dos mode­los mais tra­di­ci­o­nais de arma­ze­nar ali­men­ta­ção para gado é a con­fec­ção de sila­gem, que con­sis­te numa for­ra­gem que é cor­ta­da, com­pac­ta­da, veda­da e arma­ze­na­da em silos para fermentação.Conhecida como suple­men­ta­ção volu­mo­sa a sila­gem, quan­do bem fei­ta, tem o valor nutri­ci­o­nal seme­lhan­te ao mate­ri­al ori­gi­nal, por isso a impor­tân­cia na hora da colhei­ta e processamento.

Segun­do o enge­nhei­ro agrô­no­mo da Uni­da­de de São Sebas­tião do Paraí­so, Divi­são Minas Gerais do Gru­po Mat­su­da, Mar­co Auré­lio de Oli­vei­ra Pádua, o perío­do cor­re­to para a colhei­ta vai vari­ar con­for­me a plan­ta que está sen­do ensi­la­da. “Para milho, por exem­plo, esse perío­do pode ser de Janei­ro a Abril, depen­den­do da épo­ca em que foi rea­li­za­do o plan­tio”, expli­ca. “A colhei­ta no momen­to ide­al é mui­to impor­tan­te, pois é quan­do a plan­ta acu­mu­la a mai­or quan­ti­da­de de maté­ria seca e de melhor qua­li­da­de nutricional.Caso o cor­te não seja rea­li­za­do nes­se momen­to, a plan­ta come­ça a per­der qua­li­da­de e, con­se­quen­te­men­te, se for ensi­la­da irá pro­por­ci­o­nar uma sila­gem de bai­xa qua­li­da­de”, des­ta­ca Pádua.

Para se obter uma sila­gem de alto valor pro­tei­co, é neces­sá­rio estar aten­to a alguns pon­tos bási­cos que se rela­ci­o­nam com a ati­vi­da­de, tan­to na fase de pro­du­ção, que vai da aná­li­se de solo até o pon­to de cor­te, quan­to na fase de ensi­la­gem que vai do cor­te até a veda­ção do silo. Pádua expli­ca que o pon­to de cor­te das plan­tas é fun­da­men­tal para se obter uma sila­gem de qua­li­da­de, pois indi­ca o momen­to em que a plan­ta deve ser colhi­da no cam­po. O pon­to de cor­te varia con­for­me a plan­ta que está sen­do uti­li­za­da e para as prin­ci­pais for­ra­gens uti­li­za­das, exis­te uma reco­men­da­ção especial:

Cul­tu­ra

Pon­to de cor­te ideal

Obser­va­ção a campo

Milho

30 a 35% de MS

Grãos pas­to­sos – fari­ná­ceo duro

Quan­do a linha do lei­te esti­ver com ½ do grão até 2/3

Sor­go

 

30 a 33% de MS

Grãos pas­to­sos a farináceos

Quan­do os grãos são facil­men­te per­fu­ra­dos com os dedos com escor­ri­men­to bran­co e vis­co­so até a mes­ma ação sem escor­ri­men­to ou, ain­da, quan­do os grãos da paní­cu­la da par­te infe­ri­or apre­sen­ta­rem o está­gio de farináceo-duro

Cana de açúcar

Quan­do a cana esti­ver madu­ra (perío­do da seca)

Ocor­rem vari­a­ções entre os mate­ri­ais, mas na sua mai­o­ria são colhi­dos com teor de maté­ria seca aci­ma de 30%

Capins tro­pi­cais

22 a 25% de MS

Com 50 a 60 dias pós cor­te, ou ain­da pou­co antes do embor­ra­cha­men­to, vari­an­do con­for­me o capim

Outro pon­to-cha­ve que deve ser mui­to bem rea­li­za­do para se obter suces­so na sila­gem é a veda­ção. Segun­do Mar­co Auré­lio, a veda­ção rápi­da e com­ple­ta é um pon­to impor­tan­te para se ter sila­gem de boa qua­li­da­de e pro­ble­mas com a entra­da de ar e água são os prin­ci­pais res­pon­sá­veis pela per­da de qua­li­da­de duran­te esta etapa.

“A má veda­ção do silo geral­men­te pode pro­vo­car fis­su­ras na lona, resul­tan­do em dete­ri­o­ra­ção acen­tu­a­da da mas­sa super­fi­ci­al do silo, uma vez que a pre­sen­ça de ar, ali­a­da a entra­da de água, favo­re­ce o cres­ci­men­to de micror­ga­nis­mos envol­vi­dos com o pro­ces­so de dete­ri­o­ra­ção. Para o fecha­men­to do silo deve-se uti­li­zar, de pre­fe­rên­cia, lonas dupla face e com espes­su­ras de 200 a 400 micras e fazer a pro­te­ção das mes­mas com mate­ri­al que per­mi­ta ade­rên­cia à mas­sa ensi­la­da como sacos de areia, pneus ou ter­ra: téc­ni­cas neces­sá­ri­as para evi­tar os pro­ble­mas aci­ma cita­dos”, adverte.

O milho e o sor­go são as cul­tu­ras mais adap­ta­das ao pro­ces­so de ensi­la­gem resul­tan­do em sila­gens de boa qua­li­da­de, porém exis­tem outras opções de for­ra­gens para pro­du­ção de sila­gem como o capim ele­fan­te que é mui­to uti­li­za­do em regiões de pecuá­ria lei­tei­ra devi­do a sua pro­du­ti­vi­da­de e os capins tro­pi­cais que apre­sen­tam menor cus­to geral­men­te 50% do cus­to da sila­gem fres­ca de milho ou de sorgo.

Para Mar­co Auré­lio “o pro­du­tor deve fazer um bom pla­ne­ja­men­to de como fazer uma boa sila­gem defi­nin­do qual for­ra­gem uti­li­zar (milho, sor­go, cana de açú­car, capim ele­fan­te, for­ra­gei­ras tro­pi­cais), cal­cu­lar o quan­to de sila­gem ele pre­ci­sa pro­du­zir­com base no núme­ro de ani­mais, o perío­do de uti­li­za­ção da sila­gem e defi­nir o tama­nho da área de plan­tio. Orga­ni­zar ante­ci­pa­da­men­te equi­pa­men­tos e mate­ri­ais uti­li­za­dos na con­fec­ção do silo. (ensi­la­dei­ras, car­re­tas, lim­pe­za do silo etc) tudo isso fará com que o pro­du­tor não tenha pro­ble­mas no perío­do de ensi­la­gem e, com isso, con­si­ga pro­du­zir uma sila­gem de qua­li­da­de”, fina­li­za Pádua. 

 

Fon­tes: Enge­nhei­ro Agrô­no­mo da Mat­su­da Minas, Mar­co Auré­lio de Oli­vei­ra Pádua com infor­ma­ções da Embra­pa Capri­nos e Ovinos

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