Seguro pecuário avança no Brasil, mas ainda há muito o que crescer - Balde Branco
O segu­ro tem como obje­ti­vo garan­tir inde­ni­za­ção ao segu­ra­do em caso de mor­te do ani­mal decor­ren­te de aci­den­tes, doen­ças (sal­vo pré-exis­ten­tes e epi­dê­mi­cas), asfi­xia por sufo­ca­men­to ou sub­mer­são, ele­tro­cus­são, incên­dio, inso­la­ção e raio, enve­ne­na­men­to, into­xi­ca­ção e inges­tão de cor­po estra­nho aci­den­tal­men­te, luta, ata­que, pica­da ou mor­de­du­ra de ani­mais, par­to ou abor­to. Cober­tu­ras como per­da de fun­ção repro­du­ti­va, fer­ti­li­da­de, pre­nhes, pro­du­tos ao pé tam­bém podem ser con­sul­ta­das de acor­do com as seguradoras
 

Seguro pecuário avança no Brasil, mas ainda há muito o que crescer 

Até pou­co tem­po des­co­nhe­ci­do da mai­o­ria dos pecu­a­ris­tas bra­si­lei­ros, o segu­ro pecuá­rio teve for­te avan­ço nos últi­mos anos. Segun­do dados do Atlas do Segu­ro Rural, do Mapa, em 2020 foi regis­tra­do um cres­ci­men­to de 385% de apó­li­ces de pecuá­ria sub­ven­ci­o­na­das, em com­pa­ra­ção a 2019. Em 2020 foram emi­ti­das 1.722 apó­li­ces com valor total segu­ra­do de R$ 976,19 milhões.

Este avan­ço no ano pas­sa­do se atri­bui prin­ci­pal­men­te ao tra­ba­lho rea­li­za­do pelo Gover­no que teve e terá um papel impor­tan­te no incen­ti­vo à pro­te­ção da ati­vi­da­de pecuá­ria, des­ti­nan­do mai­or volu­me de recur­sos no Pro­gra­ma de Sub­ven­ção. “O segu­ro rural tem sido uma das pri­o­ri­da­des do Mapa des­de que che­ga­mos aqui”, afir­mou a minis­tra da Agri­cul­tu­ra, Tere­za Cris­ti­na, recen­te­men­te em entrevista.

Por outro lado, pro­fis­si­o­nais como os da Den­ner Agro têm fei­to a dife­ren­ça. A cor­re­to­ra que é a pri­mei­ra do Bra­sil espe­ci­a­li­za­da em segu­ro pecuá­rio, este ano com­ple­ta 15 anos de atu­a­ção pro­te­gen­do reba­nhos bovi­nos de eli­te, cor­te, lei­te e equi­nos de todo o Bra­sil.  Em 2021 a empre­sa foi res­pon­sá­vel pela con­tra­ta­ção de mais de 1.000 apó­li­ces de bovi­nos espa­lha­dos em todas os esta­dos, dis­se­mi­nan­do a cul­tu­ra do segu­ro entre peque­nos, médi­os e gran­des pecu­a­ris­tas de todo Brasil.

No total, foram mais de 45 mil ani­mais asse­gu­ra­dos pela Den­ner Agro. “São anos de tra­ba­lho dedi­ca­dos à pro­te­ção da pecuá­ria, nos­sa mis­são é enten­der a neces­si­da­de dos nos­sos cli­en­tes e bus­car solu­ções para gerir os ris­cos ine­ren­tes de sua ati­vi­da­de”, diz Karen Mati­e­li (foto), sócia pro­pri­e­tá­ria da empre­sa, coor­de­na­do­ra da Comis­são de Ris­cos Rurais (Sin­cor-SP) e coor­de­na­do­ra de Segu­ros Rurais da Abra­lei­te.

Ain­da segun­do a espe­ci­a­lis­ta, o segu­ro pecuá­rio vem cres­cen­do a cada ano, mas ain­da há mui­to o que avan­çar dian­te do tama­nho total do reba­nho brasileiro.

Con­tu­do, vale des­ta­car que mes­mo sen­do inci­pi­en­te se com­pa­ra­do ao volu­me de ani­mais no país, a moda­li­da­de con­quis­tou mai­or volu­me de recur­sos no Pro­gra­ma de Sub­ven­ção ao Prê­mio do Segu­ro Rural (PSR).  Pas­sou de R$ 971,9 mil em 2019 para R$ 6,7 milhões em 2020, um sal­to supe­ri­or à 700%. “Levar a infor­ma­ção ao pecu­a­ris­ta, faci­li­tar o pro­ces­so de con­tra­ta­ção das apó­li­ces e aumen­to de recur­so no PSR do MAPA podem con­tri­buir com rele­vân­cia ao aumen­to des­ta moda­li­da­de em todo Bra­sil”, diz a corretora.

Este cres­ci­men­to ocor­reu em 2018 após a cor­re­to­ra ter mobi­li­za­do enti­da­des impor­tan­tes do setor como Abra­lei­te e ABCZ para plei­te­ar um carim­bo des­ti­na­do à moda­li­da­de pecuá­ria no Pro­gra­ma de Sub­ven­ção ao Prê­mio de Segu­ro Rural do Mapa. “A nos­sa deman­da foi ouvi­da e des­de então a pecuá­ria pas­sou a ter seu espa­ço den­tro do PSR. Era sabi­do que nos­so setor não tinha o conhe­ci­men­to do segu­ro e do pro­gra­ma que sub­ven­ci­o­na as apó­li­ces, mas ter seu espa­ço era um pon­to de par­ti­da. Ago­ra nos­sa luta é pela bus­ca de recur­sos”, acres­cen­ta Karen.

O segu­ro pecuário

O segu­ro tem como obje­ti­vo garan­tir inde­ni­za­ção ao segu­ra­do em caso de mor­te do ani­mal decor­ren­te de aci­den­tes, doen­ças (sal­vo pré-exis­ten­tes e epi­dê­mi­cas), asfi­xia por sufo­ca­men­to ou sub­mer­são, ele­tro­cus­são, incên­dio, inso­la­ção e raio, enve­ne­na­men­to, into­xi­ca­ção e inges­tão de cor­po estra­nho aci­den­tal­men­te, luta, ata­que, pica­da ou mor­de­du­ra de ani­mais, par­to ou abor­to. Cober­tu­ras como per­da de fun­ção repro­du­ti­va, fer­ti­li­da­de, pre­nhes, pro­du­tos ao pé tam­bém podem ser con­sul­ta­das de acor­do com as seguradoras.

Uma das pro­pri­e­da­des a enten­der a impor­tân­cia do segu­ro pecuá­rio na miti­ga­ção de ris­cos foi a Agrin­dus — Fazen­da San­ta Rita, com sede no muni­cí­pio de Des­cal­va­do, no inte­ri­or de São Pau­lo. A fazen­da que é uma das três mai­o­res empre­sas pro­du­to­ras de lei­te do país com a média diá­ria de 50 mil litros, tem hoje 1.700 vacas em fase de lac­ta­ção. São dois mil hec­ta­res e cer­ca de 250 funcionários.

De acor­do com Rober­to Jank Jr. (foto), um dos pro­pri­e­tá­ri­os, o pri­mei­ro con­ta­to que tive­ram com o segu­ro pecuá­rio, foi em julho de 2015, quan­do a Karen Mati­e­li apre­sen­tou pro­pos­tas de segu­ro, entre elas o de reba­nho lei­tei­ro, um tipo de ope­ra­ção que bus­ca­vam há mui­tos anos para miti­gar par­te dos ris­cos da ati­vi­da­de. “Nes­se que­si­to, acha­mos que a Den­ner Agro, com todos os méri­tos e pio­nei­ris­mo na implan­ta­ção e desen­vol­vi­men­to do segu­ro em seu atu­al for­ma­to, seguiu à ris­ca a famo­sa fra­se de Hen­ri Ford, “o fra­cas­so é somen­te uma opor­tu­ni­da­de de come­çar de novo, de for­ma mais inte­li­gen­te”, a per­se­ve­ran­ça cer­ta­men­te foi um dos dife­ren­ci­ais para o suces­so”, destacou.

Jank que tam­bém é vice-pre­si­den­te da Abra­lei­te refor­ça a impor­tân­cia do segu­ro não só para o seu reba­nho, mas para todo o setor. “Essa é uma exce­len­te fer­ra­men­ta de ges­tão de ris­cos para os pro­du­to­res em geral, com um papel rele­van­te no cami­nho para a pro­fis­si­o­na­li­za­ção e desen­vol­vi­men­to da pecuá­ria lei­tei­ra naci­o­nal, mas intrin­se­ca­men­te depen­den­te de polí­ti­cas públi­cas para via­bi­li­zar sua con­tra­ta­ção”, reforça.

Para Geral­do Bor­ges, atu­al pre­si­den­te da Abra­lei­te, é impor­tan­tís­si­mo o cres­ci­men­to do segu­ro pecuá­rio na ati­vi­da­de lei­tei­ra. Segun­do ele, a ins­ti­tui­ção vem atu­an­do des­de 2018 jun­to ao Mapa e ao Gover­no Fede­ral para ampli­a­ção da dis­po­ni­bi­li­da­de de recur­sos que eram inex­pres­si­vos. “Temos con­se­gui­do o cres­ci­men­to gra­du­al­men­te do per­cen­tu­al des­ti­na­do à pecuá­ria lei­tei­ra. A Karen, como coor­de­na­do­ra da área de segu­ro da asso­ci­a­ção tem papel fun­da­men­tal nes­se nos­so tra­ba­lho, sen­do uma guer­rei­ra em defe­sa des­sa pau­ta”, reforçou.

Pró­xi­mos desafios

O segu­ro pecuá­rio tem um oce­a­no azul para cres­ci­men­to. Levan­do em con­ta que menos de 1% do reba­nho é asse­gu­ra­do, há 99% de opor­tu­ni­da­des de cres­ci­men­to. Mas, para isso de fato acon­te­cer é pre­ci­so supe­rar alguns gargalos.

De acor­do com Karen, entre as bar­rei­ras nes­se cres­ci­men­to está o pecu­a­ris­ta poder aces­sar o PSR duran­te todo o ano, já que a moda­li­da­de pode ser con­tra­ta­da a qual­quer perío­do.  “Toma­do a isso, pre­ci­sa­mos tra­zer solu­ções para faci­li­tar o pro­ces­so de con­tra­ta­ção para os pecu­a­ris­tas bem como a espe­ci­a­li­za­ção de cor­re­to­res”, destaca.

Ain­da segun­do a dire­to­ra da Den­ner Agro, a mai­or difi­cul­da­de de atu­ar em um ramo mui­to espe­cí­fi­co e em fase de matu­ra­ção, é a neces­si­da­de cons­tan­te de enten­di­men­to dos mode­los de pro­du­ção pecuá­ria para pro­por ao pecu­a­ris­ta con­tra­ta­ções com­pa­tí­veis à sua realidade.

Fon­te: Den­ner Agro