Troféu Agroleite abre votação para escolha dos melhores da cadeia leiteira - Balde Branco

 O dado reve­la a capi­la­ri­da­de do pro­gra­ma de estí­mu­lo à pro­du­ção de lei­te de qua­li­da­de e da sus­ten­ta­bi­li­da­de da cadeia, já que lati­cí­ni­os, agroin­dús­tri­as ou coo­pe­ra­ti­vas de lei­te par­ti­ci­pan­tes são incen­ti­va­dos a ofe­re­cer assis­tên­cia téc­ni­ca, melho­ra­men­to gené­ti­co ou edu­ca­ção sani­tá­ria aos produtores

São Paulo chega a 400 municípios atendidos pelo programa +Leite Saudável 

*Ana Maio — Jor­na­lis­ta da Supe­rin­ten­dên­cia Fede­ral de Agri­cul­tu­ra de São Pau­lo – SFA-SP

Desde que foi ins­ti­tuí­do, em 2015, o Esta­do de São Pau­lo já soma 400 muni­cí­pi­os envol­vi­dos com ações do pro­gra­ma +Lei­te Sau­dá­vel, do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Mapa). O dado reve­la a capi­la­ri­da­de do pro­gra­ma de estí­mu­lo à pro­du­ção de lei­te de qua­li­da­de e da sus­ten­ta­bi­li­da­de da cadeia, já que lati­cí­ni­os, agroin­dús­tri­as ou coo­pe­ra­ti­vas de lei­te par­ti­ci­pan­tes são incen­ti­va­dos a ofe­re­cer assis­tên­cia téc­ni­ca, melho­ra­men­to gené­ti­co ou edu­ca­ção sani­tá­ria aos produtores.

O +Lei­te Sau­dá­vel per­mi­te que essas orga­ni­za­ções uti­li­zem cré­di­tos pre­su­mi­dos do PIS/Pasep e da Cofins, rela­ti­vos à com­pra do lei­te in natu­ra uti­li­za­do como insu­mo de seus pro­du­tos lác­te­os, em até 50% do valor a que tem direi­to. Em con­tra­par­ti­da, elas devem apli­car 5% des­se cré­di­to pre­su­mi­do em ações que bene­fi­ci­em os pro­du­to­res de leite.

Em núme­ro de muni­cí­pi­os abran­gi­dos pelo pro­gra­ma, ape­nas Minas Gerais supe­ra São Pau­lo. O Esta­do vizi­nho tem 680 cida­des envol­vi­das com o +Lei­te Sau­dá­vel, ou seja, qua­se 80% do total de muni­cí­pi­os. Em São Pau­lo, essa pro­por­ci­o­na­li­da­de che­ga a 62%.

Até o momen­to, já foram usu­fruí­dos cré­di­tos da ordem de R$ 2,42 bilhões em São Pau­lo. O inves­ti­men­to em pro­je­tos che­gou a R$ 127,4 milhões, favo­re­cen­do qua­se 15 mil pro­du­to­res de leite.

Para obter a habi­li­ta­ção ao pro­gra­ma, os lati­cí­ni­os inte­res­sa­dos apre­sen­tam os pro­je­tos às Supe­rin­ten­dên­ci­as Fede­rais da Agri­cul­tu­ra nos Esta­dos, por meio de pla­ta­for­ma digi­tal. De acor­do com o che­fe da Divi­são de Desen­vol­vi­men­to Rural (DDR) da Supe­rin­ten­dên­cia de São Pau­lo, Rodri­go Cor­tez, após apro­va­do, o pro­je­to deve ter sua habi­li­ta­ção defi­ni­ti­va homo­lo­ga­da jun­to à Recei­ta Fede­ral do Bra­sil. “Duran­te sua exe­cu­ção, por até 36 meses, é fei­to o acom­pa­nha­men­to de todos os rela­tó­ri­os de exe­cu­ção do pro­je­to”, explicou.

ORI­GEM

O audi­tor fis­cal fede­ral agro­pe­cuá­rio Mar­co Auré­lio Pupo Cec­con, que ana­li­sa pro­je­tos do +Lei­te Sau­dá­vel em São Pau­lo, expli­ca que o pro­gra­ma não ofe­re­ce um bene­fí­cio fis­cal aos lati­cí­ni­os, mas cor­ri­ge uma incon­sis­tên­cia tri­bu­tá­ria da cadeia pro­du­ti­va. “O pro­gra­ma res­ga­ta um direi­to des­sas empre­sas”, disse.

Segun­do ele, há dois regi­mes tri­bu­tá­ri­os na cadeia do lei­te: as peque­nas empre­sas ade­rem ao Sim­ples e reco­lhem o PIS/Pasep e a Cofins de 3,5% sobre o valor da nota fis­cal emi­ti­da. Nes­te caso, cada elo da cadeia que opte pelo Sim­ples tam­bém é taxa­do nes­se per­cen­tu­al. Já os gran­des lati­cí­ni­os que abas­te­cem ata­ca­dis­tas e super­mer­ca­dos reco­lhem o impos­to de 9,5% do valor da nota fis­cal emitida.

A meto­do­lo­gia de arre­ca­da­ção pre­vê que os elos sub­se­quen­tes des­ta cadeia se apro­pri­em de des­con­tos dos ele­men­tos ante­ri­o­res. Como pro­du­to­res rurais não fazem escri­tu­ra­ção, os lati­cí­ni­os não podem se apro­pri­ar de impos­tos pagos pelos pecu­a­ris­tas de lei­te. A car­ga tri­bu­tá­ria pesa ain­da mais con­si­de­ran­do que o pro­du­tor reco­lhe o PIS/Pasep e a Cofins sobre tudo o que uti­li­za para o tra­ba­lho den­tro da por­tei­ra (cer­cas, equi­pa­men­tos de orde­nha, brin­cos, tra­to­res, cochos, veí­cu­los, etc).

Mar­co Auré­lio con­ta que a Recei­ta Fede­ral esti­pu­lou em 50% o cré­di­to que os pro­ces­sa­do­res do lei­te deve­ri­am se apro­pri­ar, com base em um cál­cu­lo ela­bo­ra­do pela Esco­la Supe­ri­or de Agri­cul­tu­ra Luiz de Quei­roz (Esalq). Para for­ta­le­cer a pro­du­ção, o decre­to e as ins­tru­ções nor­ma­ti­vas que regu­lam o pro­gra­ma esta­be­le­cem que 5% des­se cré­di­to seja apli­ca­do em dife­ren­tes projetos.

São três as linhas de pro­je­tos aten­di­das pelo +Lei­te Sau­dá­vel: for­ne­ci­men­to de assis­tên­cia téc­ni­ca vol­ta­da pri­o­ri­ta­ri­a­men­te para ges­tão da pro­pri­e­da­de, imple­men­ta­ção de boas prá­ti­cas agro­pe­cuá­ri­as e capa­ci­ta­ção de pro­du­to­res rurais; cri­a­ção ou desen­vol­vi­men­to de ati­vi­da­des que pro­mo­vam o melho­ra­men­to gené­ti­co dos reba­nhos lei­tei­ros; e desen­vol­vi­men­to de pro­gra­mas espe­cí­fi­cos para pro­mo­ção da edu­ca­ção sani­tá­ria na pecuá­ria. Em São Pau­lo, 157 esta­be­le­ci­men­tos já desen­vol­ve­ram pro­je­tos nes­sas áreas.