Santa Catarina quer produzir leite tipo exportação - Balde Branco

San­ta Cata­ri­na se pre­pa­ra para expor­tar lei­te. Com uma pro­du­ção que aumen­ta num rit­mo de 6% ao ano, o esta­do quer ago­ra con­quis­tar o mer­ca­do exter­no. Para que o lei­te cata­ri­nen­se seja capaz de suprir o mer­ca­do inter­na­ci­o­nal, o setor tem gran­des desa­fi­os, pas­san­do pela redu­ção de cus­tos e orga­ni­za­ção logís­ti­ca da cadeia produtiva.

O lei­te é a ati­vi­da­de agro­pe­cuá­ria que mais cres­ce em San­ta Cata­ri­na. Envol­ven­do 45 mil pro­du­to­res em todo o esta­do, a pro­du­ção girou em tor­no de 3,4 bilhões de litros em 2017 – um incre­men­to de 8% em rela­ção a ano ante­ri­or. O secre­tá­rio da Agri­cul­tu­ra e da Pes­ca, Moa­cir Sopel­sa, res­sal­ta que em San­ta Cata­ri­na a pro­du­ção de lei­te está con­cen­tra­da, prin­ci­pal­men­te, nas peque­nas pro­pri­e­da­des de agri­cul­to­res fami­li­a­res e repre­sen­ta uma impor­tan­te fon­te de ren­da no meio rural.  “O setor lei­tei­ro é um gran­de des­ta­que de San­ta Cata­ri­na e vem pas­san­do por gran­des trans­for­ma­ções, com o inves­ti­men­to em pas­ta­gens, tec­no­lo­gi­as e gené­ti­ca. Ain­da temos mui­tos desa­fi­os pela fren­te e um deles é tor­nar nos­so lei­te com­pe­ti­ti­vo para exportação”.

Para que o lei­te pro­du­zi­do no esta­do che­gue ao mer­ca­do inter­na­ci­o­nal há uma série de obs­tá­cu­los a serem ven­ci­dos. Entre eles melho­rar a qua­li­da­de do lei­te, prin­ci­pal­men­te, o teor de sóli­dos; eli­mi­nar doen­ças do reba­nho como a bru­ce­lo­se e tuber­cu­lo­se; aumen­tar a efi­ci­ên­cia da pro­du­ção e redu­zir os cus­tos.  Segun­do o secre­tá­rio adjun­to da Agri­cul­tu­ra e da Pes­ca, Air­ton Spi­es, o lei­te repre­sen­ta uma gran­de opor­tu­ni­da­de para a agri­cul­tu­ra fami­li­ar do sul do Bra­sil e o setor deve se equi­pa­rar com os líde­res mun­di­ais de pro­du­ção. “Aqui temos mui­tas van­ta­gens com­pa­ra­ti­vas que podem ser trans­for­ma­das em van­ta­gens com­pe­ti­ti­vas. Temos mais sol, mais chu­va, solos fér­teis e um cli­ma favo­rá­vel para ocor­rer fotos­sín­te­se e pro­du­zir bio­mas­sa, que é o ali­men­to bási­co das vacas duran­te os doze meses do ano. Além dis­so, temos ain­da a valo­ro­sa capa­ci­da­de de tra­ba­lho dos agri­cul­to­res fami­li­a­res, que já têm mui­ta tra­di­ção e habi­li­da­des na lida com os animais”.

Apoio do Gover­no do Estado

O Gover­no do Esta­do, atra­vés da Secre­ta­ria da Agri­cul­tu­ra e da Pes­ca, é um gran­de par­cei­ro dos pro­du­to­res rurais cata­ri­nen­ses, desen­vol­ven­do pro­gra­mas que incen­ti­vam os inves­ti­men­tos e melho­ri­as na produção.

Com o pro­gra­ma Ter­ra-Boa, os agri­cul­to­res fami­li­a­res podem adqui­rir cal­cá­rio e semen­tes de milho de alto poten­ci­al pro­du­ti­vo para pro­du­zir sila­gem e ali­men­ta­ção para o gado lei­tei­ro. E ain­da têm aces­so ao Kit For­ra­gei­ra, que per­mi­te imple­men­tar um hec­ta­re de pas­ta­gem com a ori­en­ta­ção téc­ni­ca e o mane­jo cor­re­to. Tudo isso com o apoio finan­cei­ro do Gover­no do Estado.

Há ain­da linhas de finan­ci­a­men­to para aqui­si­ção de novi­lhas em fei­ras agro­pe­cuá­ri­as e inves­ti­men­tos em infra­es­tru­tu­ra nas pro­pri­e­da­des rurais.

A sani­da­de agro­pe­cuá­ria é outra pre­o­cu­pa­ção cons­tan­te. No esta­do, as fron­tei­ra são pro­te­gi­das para man­ter o reba­nho livre de doen­ças. Os pro­pri­e­tá­ri­os que pos­su­em ani­mais aco­me­ti­dos de bru­ce­lo­se ou tuber­cu­lo­se, e que pre­ci­sam ser aba­ti­dos sani­ta­ri­a­men­te, são inde­ni­za­dos pelo Fun­do Esta­du­al de Sani­da­de Ani­mal. 

Lei­te no Sul do Brasil 

Os três esta­dos do Sul – Para­ná, San­ta Cata­ri­na e Rio Gran­de do Sul – devem se tor­nar um gran­de pólo pro­du­tor de lei­te. As esti­ma­ti­vas são de que até 2025 a região pro­du­za mais da meta­de de todo lei­te brasileiro.

É tam­bém no Sul onde as indús­tri­as estão fazen­do os mai­o­res inves­ti­men­tos, ampli­an­do a capa­ci­da­de e esti­mu­lan­do ain­da mais o aumen­to na pro­du­ção. Air­ton Spi­es expli­ca que o cli­ma favo­rá­vel e a capa­ci­da­de dos agri­cul­to­res fami­li­a­res em se adap­tar ao sis­te­ma agroin­dus­tri­al inte­gra­do são deci­si­vos para esse movi­men­to. “Na sui­no­cul­tu­ra e na avi­cul­tu­ra, esse mes­mo pro­ces­so já acon­te­ceu e o lei­te na região, com as devi­das dife­ren­ças que carac­te­ri­zam a pro­du­ção, tam­bém vai se moder­ni­zar. As indús­tri­as têm fei­to um gran­de esfor­ço para melho­rar a qua­li­da­de do lei­te, inves­tin­do em paga­men­to por qua­li­da­de, ras­tre­a­bi­li­da­de e pre­mi­an­do o pro­du­to melhor”.

Ali­an­ça Lác­tea Sul Brasileira 

A Ali­an­ça Lác­tea é uma ini­ci­a­ti­va dos três esta­dos do sul para desen­vol­ver a cadeia pro­du­ti­va do lei­te na região e pre­pa­rar o setor para expor­ta­ção. Com pro­ble­mas e opor­tu­ni­da­des comuns, San­ta Cata­ri­na, Para­ná e Rio Gran­de do Sul se unem em um fórum per­ma­nen­te que con­gre­ga pro­du­to­res, gover­no e indús­tri­as em bus­ca de um desen­vol­vi­men­to harmônico.

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