Regulamentação dos créditos de carbono - Balde Branco

A par­tir do momen­to em que a regu­la­men­ta­ção do car­bo­no e a pre­ser­va­ção das flo­res­tas forem opções para o gover­no, o Bra­sil terá a pos­si­bi­li­da­de de fazer acor­dos eco­no­mi­ca­men­te melho­res no mer­ca­do. O fomen­to ao comér­cio ofi­ci­al redu­zi­rá os polu­en­tes e tam­bém leva­rá chan­ce para os pro­du­to­res con­quis­ta­rem o con­su­mi­dor que, cada vez mais, com­pra pro­du­tos de for­ne­ce­do­res com cons­ci­ên­cia ambiental

 
 
 
 
 
 

Regulamentação dos créditos de carbono é uma solução viável para reduzir a emissão de gás metano e aquecer a economia 

*Por Rafa­el Gui­ma­rães — advo­ga­do do escri­tó­rio Medi­na Gui­ma­rães Advo­ga­dos, espe­ci­a­lis­ta em Direi­to Ambi­en­tal e Mudan­ças Cli­má­ti­cas pela PUC-SP. Cur­sou pós-dou­to­ra­do pelo Pro­gra­ma Naci­o­nal de Pós-dou­to­ra­do da Capes (PNPD). É Dou­tor em Direi­to pela PUC-SP e Pro­fes­sor na pós-gra­du­a­ção na PUC-PR e na Uni­ver­si­da­de Paranaense

O reco­nhe­ci­men­to do papel das flo­res­tas como solu­ção indis­pen­sá­vel para com­ba­ter a emer­gên­cia cli­má­ti­ca, foi um dos assun­tos dis­cu­ti­dos duran­te a Con­fe­rên­cia das Nações Uni­das sobre as Mudan­ças Cli­má­ti­cas (COP26), rea­li­za­da em Glas­gow, na Escó­cia. O des­ma­ta­men­to ile­gal e a emis­são de gás meta­no, pro­ve­ni­en­te prin­ci­pal­men­te da pecuá­ria, são uma pre­o­cu­pa­ção mun­di­al, mas é pre­ci­so pen­sar em solu­ções asser­ti­vas para que os acor­dos de zerar a deflo­res­ta­ção e o gás até 2030 não sejam ape­nas pre­vi­sões demagógicas.

Regu­la­men­tar a pre­ser­va­ção e expan­dir o mer­ca­do com solu­ções reno­vá­veis, são alter­na­ti­vas para a redu­ção de polu­en­tes, sobre­tu­do a de dió­xi­do de car­bo­no e do gás meta­no, extre­ma­men­te agres­si­vo ao meio ambi­en­te. O cul­ti­vo agro pas­to­ril e a obri­ga­ção de os gran­des pro­du­to­res terem flo­res­tas pró­pri­as, são solu­ções viá­veis ao que foi levan­ta­do na COP26 para que o com­pro­mis­so, fir­ma­do por mais de 100 paí­ses, real­men­te saia do papel.

O Bra­sil tem poten­ci­al para entrar com for­ça nes­se mer­ca­do glo­bal, vis­to que aca­bar com o des­ma­ta­men­to e pro­mo­ver a res­tau­ra­ção de flo­res­tas e pai­sa­gens, são con­tri­bui­ções efi­ca­zes que o país pode ofe­re­cer no com­ba­te à emer­gên­cia cli­má­ti­ca, mas isso só será pos­sí­vel se os gover­nan­tes encon­tra­rem mei­os de unir pre­ser­va­ção e cres­ci­men­to da eco­no­mia. O pro­ble­ma é que não há uma regu­la­men­ta­ção bem con­so­li­da­da que incen­ti­ve os empre­sá­ri­os a ade­ri­rem às mudan­ças, como adap­ta­rem seus negó­ci­os pra­ra comer­ci­a­li­zar cré­di­tos de carbono. 

A COP26 sina­li­za a pos­si­bi­li­da­de de regu­la­ri­zar as flo­res­tas já plan­ta­das como uma boa for­ma do país explo­rar eco­no­mi­ca­men­te o mercado,o que traz o Bra­sil como um dos prin­ci­pais agentes.

Uma outra situ­a­ção ocor­re na ati­vi­da­de de pecuá­ria,  que terá refle­xos, pois os paí­ses fir­ma­ram uma obri­ga­ção de redu­zir a emis­são de gás meta­no. Os pro­du­to­res podem uti­li­zar alter­na­ti­vas como a do cul­ti­vo agro pas­to­ril ou de algum outro meca­nis­mo que redu­za a emis­são de polu­en­tes, para cata­bo­li­zar e fil­trar a emis­são de gases. Ain­da, esses pro­du­to­res pode­rão tam­bém cul­ti­var flo­res­tas ou con­tri­buir com pro­je­tos de redu­ção de con­ta­mi­na­do­res, o que impli­ca na com­pen­sa­ção entre preservação/emissão de gases. Isso sig­ni­fi­ca que os pro­du­to­res pode­rão cum­prir a meta de dimi­nuir o meta­no e pode­rão estu­dar ain­da a comer­ci­a­li­za­ção de cré­di­tos de carbono.

Se vol­tar­mos no tem­po, quan­do hou­ve a Eco-92 e o Pro­to­co­lo de Qui­o­to, em 97, já havia a pre­o­cu­pa­ção em redu­zir polu­en­tes res­pon­sá­veis pelo efei­to estu­fa. Foi a par­tir do pro­to­co­lo for­ma­do no Japão, inclu­si­ve, que os paí­ses pas­sa­ram a ter alter­na­ti­vas para atin­gir as metas de redu­ção de gases, por meio de nego­ci­a­ções. O cré­di­to de car­bo­no, adqui­ri­do pelos pro­je­tos que redu­zem a a polui­ção ou cata­bo­li­zam o car­bo­no da atmos­fe­ra, pode ser comer­ci­a­li­za­do com os paí­ses que têm a obri­ga­ção de redu­zir os gases, mas não con­se­guem pelos mei­os ordi­ná­ri­os, resul­tan­do no equa­ci­o­na­men­to da obri­ga­ção de redu­ção de for­ma global. 

A par­tir do momen­to em que a regu­la­men­ta­ção do car­bo­no e a pre­ser­va­ção das flo­res­tas forem opções para o gover­no, o Bra­sil terá a pos­si­bi­li­da­de de fazer acor­dos eco­no­mi­ca­men­te melho­res no mer­ca­do. O fomen­to ao comér­cio ofi­ci­al redu­zi­rá os polu­en­tes e tam­bém leva­rá chan­ce para os pro­du­to­res con­quis­ta­rem o con­su­mi­dor que, cada vez mais, com­pra pro­du­tos de for­ne­ce­do­res com cons­ci­ên­cia ambiental.

O mes­mo prin­cí­pio da Eco-92 e do pro­to­co­lo de Qui­o­to, em rela­ção ao meio ambi­en­te, está sen­do lapi­da­do des­de então, mas ain­da não há estra­té­gi­as efi­ci­en­tes para con­quis­tá-lo. O Bra­sil é o prin­ci­pal país na pro­du­ção de cré­di­to de car­bo­no no mun­do e poder comer­ci­a­li­zá-lo, prin­ci­pal­men­te aos euro­peus, é uma for­ma pre­ci­sa de movi­men­tar a eco­no­mia. Para isso, seri­am neces­sá­ri­as mais ações dos gover­nos e menos encar­gos e impos­tos aos pro­du­to­res que dese­jam melho­rar as suas pro­pri­e­da­des. É pre­ci­so a união con­ci­sa entre cons­ci­ên­cia ambi­en­tal e aque­ci­men­to do comér­cio, caso con­trá­rio, as idei­as fica­rão ape­nas no papel.