Queijo do Marajó recebe registro de identificação geográfica - Balde Branco

Com o regis­tro obti­do com apoio do Sebrae, pro­du­to pro­du­zi­do em sete muni­cí­pi­os da Ilha do Mara­jó, no Pará, ganha reco­nhe­ci­men­to do INPI 

Queijo do Marajó sai da marginalidade para se tornar reconhecido como Indicação Geográfica 

Com uma tra­di­ção de mais de 200 anos de his­tó­ria, o quei­jo do Mara­jó, pro­du­zi­do no esta­do do Pará, con­quis­tou na últi­ma ter­ça-fei­ra (23), o regis­tro de Indi­ca­ção de Pro­ce­dên­cia, con­ce­di­do pelo Ins­ti­tu­to Naci­o­nal da Pro­pri­e­da­de Indus­tri­al (INPI). Com o títu­lo, o quei­jo pre­pa­ra­do de for­ma arte­sa­nal, a par­tir do lei­te cru da búfa­las cri­a­das na região, con­quis­ta um reco­nhe­ci­men­to impor­tan­te para pro­te­ção do seu valor como patrimô­nio da tra­di­ção pro­du­ti­va da cul­tu­ra local dos muni­cí­pi­os de Cacho­ei­ra do Ara­ri, Cha­ves, Mua­ná, Pon­ta de Pedras, Sal­va­ter­ra, San­ta Cruz do Ara­ri e Sou­re. Essas loca­li­da­des fazem par­te do ter­ri­tó­rio da Ilha do Mara­jó.  Além dis­so, com a IG o pro­du­to ganha mai­or chan­ces de con­quis­tar novos mer­ca­dos, pro­mo­ven­do o desen­vol­vi­men­to econô­mi­co local. 

De acor­do com o ana­lis­ta téc­ni­co do Sebrae Pará, Péri­cles Car­va­lho, que acom­pa­nhou a tra­je­tó­ria dos pro­du­to­res para a con­quis­ta da IG, por mui­to tem­po o quei­jo do Mara­jó foi mar­gi­na­li­za­do e hoje é con­si­de­ra­do uma igua­ria por gran­des chefs da gas­tro­no­mia. “Nos­so pri­mei­ro con­ta­to com os pro­du­to­res foi em 2012 quan­do fize­mos o diag­nós­ti­co do poten­ci­al do pro­du­to como IG. Com o resul­ta­do posi­ti­vo, come­ça­mos a tra­ba­lhar em vári­as fren­tes com o apoio de uma rede de par­cei­ros. Foi pre­ci­so come­çar da base, com ori­en­ta­ções des­de boas prá­ti­cas e ações para que o pro­du­to pudes­se ser comer­ci­a­li­za­do den­tro da lei para outras loca­li­da­des den­tro do esta­do”, contou. 

Segun­do ele, os ganhos de todo o pro­ces­so foram mui­to sig­ni­fi­ca­ti­vos tam­bém pes­so­al­men­te, para os pro­du­to­res. “Aos pou­cos hou­ve uma mudan­ça de men­ta­li­da­de de um sen­so indi­vi­du­al para um sen­so cole­ti­vo que fez toda a dife­ren­ça. Eles tam­bém acre­di­ta­ram no Sebrae e na con­du­ção do pro­ces­so. Acom­pa­nha­mos a cri­a­ção da asso­ci­a­ção que foi res­pon­sá­vel pelo depó­si­to da IG e tam­bém hou­ve um tra­ba­lho para esti­mu­lar os jovens a se inte­res­sa­rem pelo ofí­cio de quei­jei­ro, como opor­tu­ni­da­de de negó­cio”, explicou. 

A pro­du­to­ra que faz par­te da Asso­ci­a­ção de Pro­du­to­res de Lei­te e Quei­jo do Mara­jó, Gabri­e­la Gou­veia, relem­bra os gran­des mar­cos na tra­je­tó­ria até a con­quis­ta do regis­tro. “É um sonho se mate­ri­a­li­zan­do. Pri­mei­ro com a intro­du­ção do búfa­lo na pro­du­ção, o uso da des­na­ta­dei­ra até reco­nhe­ci­men­to como pri­mei­ro pro­du­to com ser­vi­ço de ins­pe­ção sani­tá­ria em 2013 e a con­quis­ta do Selo Arte em 2020 para ven­da em todo país e ago­ra, final­men­te a IG”, comemorou. 

Ela afir­ma que os pro­du­to­res sem­pre acre­di­ta­ram no poten­ci­al da IG como ins­tru­men­to de desen­vol­vi­men­to local. “Com a segu­ran­ça jurí­di­ca do saber, a valo­ri­za­ção do mes­tre quei­jei­ro e prin­ci­pi­an­te a pre­ser­va­ção da arte, temos mui­to tra­ba­lho pela fren­te. Vamos bus­car o for­ta­le­ci­men­to dos pro­du­to­res e cada vez mais estru­tu­ra­ção do tra­ba­lho cole­ti­vo”, destacou. 

Indi­ca­ção Geográfica 

O regis­tro de IG per­mi­te deli­mi­tar uma área geo­grá­fi­ca, res­trin­gin­do o uso de seu nome aos pro­du­to­res e pres­ta­do­res de ser­vi­ços da região — em geral, orga­ni­za­dos em enti­da­des repre­sen­ta­ti­vas -, nes­te caso é a Asso­ci­a­ção dos Pro­du­to­res de Lei­te e Quei­jo do Mara­jó. A espé­cie “Indi­ca­ção de Pro­ce­dên­cia” se refe­re ao nome de um país, cida­de ou região conhe­ci­do como cen­tro de extra­ção, pro­du­ção ou fabri­ca­ção de deter­mi­na­do pro­du­to ou de pres­ta­ção de deter­mi­na­do ser­vi­ço. A IG do quei­jo do Mara­jó é a segun­da a ser con­ce­di­da a um pro­du­to uni­ca­men­te para­en­se. A pri­mei­ra foi o Cacau de Tomé-Açu, no ano passado.

O diag­nós­ti­co apli­ca­do na região em 2012, para iden­ti­fi­car o seu poten­ci­al de ser reco­nhe­ci­da como uma Indi­ca­ção Geo­grá­fi­ca para o quei­jo, foi desen­vol­vi­do pelo Sebrae. Esse diag­nós­ti­co está à dis­po­si­ção das regiões poten­ci­ais para aplicação.

Fon­te: Asses­so­ria de Comu­ni­ca­ção do Sebrae

 
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