Quebrando os sete mitos comuns sobre o colostro

Quebrando os 7 mitos comuns sobre o Colostro

Por Chel­sea Schos­sow, Espe­ci­a­lis­ta em Nutri­ção Animal

Não con­se­gui­mos men­su­rar o núme­ro de arti­gos que exis­tem sobre a impor­tân­cia do colos­tro para uma bezer­ra recém-nas­ci­da. Fre­quen­te­men­te ouvi­mos falar em qua­li­da­de, quan­ti­da­de, tem­po e sani­da­de do colos­tro. No entan­to, o que às vezes é esque­ci­do são os mitos comuns asso­ci­a­dos ao colostro.

Vamos escla­re­cer  algu­mas dúvi­das que ain­da con­fun­dem os cri­a­do­res, com base nos  7 mai­o­res mitos sobre o tema:

Mito 1: IgG é o úni­co ingre­di­en­te bené­fi­co no colostro. 

Sim, as IgGs pro­te­gem os bezer­ros até desen­vol­ve­rem sua pró­pria imu­ni­da­de. No entan­to, o colos­tro con­tém vári­os com­pos­tos imu­nes e de cres­ci­men­to, além de pro­teí­nas, gor­du­ra, vita­mi­nas, mine­rais e ami­noá­ci­dos que são vitais para o desen­vol­vi­men­to diges­ti­vo ini­ci­al do bezerro.

Mito 2: A mis­tu­ra do colos­tro de todas as vacas fres­cas melho­ra a qua­li­da­de geral. 

A rea­li­da­de é que, ao mis­tu­rar o colos­tro, é mui­to fácil trans­mi­tir doen­ças, incluin­do o vírus da leu­ce­mia bovi­na, para vári­os ani­mais em vez de um ou dois. Além dis­so, o “pool” geral­men­te enfa­ti­za demais o colos­tro de bai­xa qua­li­da­de com seu alto volu­me e bai­xa con­cen­tra­ção de anticorpos.

Mito 3: Quan­to mais gros­so o colos­tro, melhor.

A con­cen­tra­ção de IgG não pode ser deter­mi­na­da visu­al­men­te, e mes­mo que duas amos­tras de colos­tro de vacas dife­ren­tes na mes­ma fazen­da pare­çam idên­ti­cas, sua con­cen­tra­ção de IgG pode vari­ar sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te. Para real­men­te saber se o colos­tro é de boa qua­li­da­de, ele deve ser ava­li­a­do. Lei­tu­ras no refratô­me­tro de Brix aci­ma de 22% são con­si­de­ra­das de boa qua­li­da­de para ali­men­tar recém-nas­ci­dos para trans­fe­rên­cia pas­si­va bem-suce­di­da quan­do ali­men­ta­dos com a quan­ti­da­de correta.

Mito 4: Todos os subs­ti­tu­tos de colos­tro são iguais.

Quan­do uma vaca não pro­duz colos­tro sufi­ci­en­te e não há nenhum arma­ze­na­do, ir à casa agro­pe­cuá­ria local geral­men­te é a solu­ção. No entan­to, é impor­tan­te saber a dife­ren­ça entre um subs­ti­tu­to do colos­tro e um suple­men­to de colos­tro. Os suple­men­tos geral­men­te são fei­tos a par­tir de colos­tro ou soro de lei­te e con­têm 40 a 60 gra­mas de IgG por dose; eles são usa­dos em adi­ção ao colos­tro orde­nha­do quan­do a vaca não pro­duz o sufi­ci­en­te para o bezer­ro. É impor­tan­te con­si­de­rar se o colos­tro orde­nha­do é de bai­xa qua­li­da­de. Mes­mo com a adi­ção do suple­men­to, o bezer­ro não terá uma trans­fe­rên­cia pas­si­va efi­caz. Os subs­ti­tu­tos con­têm entre 100 e 150 gra­mas de IgG por dose, a con­cen­tra­ção ide­al para uma bezer­ra recém-nas­ci­da. As subs­ti­tui­ções são usa­das quan­do o colos­tro não está dis­po­ní­vel para a recém-nascida.

Mito 5: Como o colos­tro pos­sui tan­tos anti­cor­pos, ele é imu­ne a bac­té­ri­as ambientais.

O colos­tro não é ape­nas nutri­ti­vo para a cri­a­ção, mas tam­bém cria um exce­len­te ambi­en­te para as bac­té­ri­as pros­pe­ra­rem. Arma­ze­nar ade­qua­da­men­te o colos­tro em reci­pi­en­tes lim­pos e higi­e­ni­za­dos e res­friá-lo rapi­da­men­te aju­da­rá a impe­dir que as bac­té­ri­as se ali­men­tem dos nutri­en­tes do colos­tro, que serão inge­ri­dos pelo bezerro.

Mito 6: O colos­tro de novi­lhas deve ser descartado.

É ver­da­de que as novi­lhas ten­dem a pro­du­zir menos colos­tro, mas a qua­li­da­de é geral­men­te acei­tá­vel. Além dis­so, a mai­o­ria dos reba­nhos geral­men­te não pos­sui vacas velhas o sufi­ci­en­te para for­ne­cer colos­tro sufi­ci­en­te para ali­men­tar todos os bezer­ros nascidos.

Mito 7: A melhor e mais rápi­da manei­ra de des­con­ge­lar o colos­tro é em água mui­to quente.

Sim, esta pode ser a manei­ra mais rápi­da de pre­pa­rar o colos­tro con­ge­la­do para uma bezer­ra, no entan­to, a água mui­to quen­te é ini­mi­ga dos anti­cor­pos. Água aci­ma de 60 ° C irá cozi­nhar e des­truir os anti­cor­pos neces­sá­ri­os para o bezer­ro. É melhor des­con­ge­lar o colos­tro con­ge­la­do em banho-maria com água a 55 ° C lentamente.

O impor­tan­te é sem­pre lem­brar que o obje­ti­vo é cri­ar um bezer­ro sau­dá­vel para fun­ci­o­nar como subs­ti­tu­to do reba­nho. Fre­quen­te­men­te, os cri­a­do­res ficam tão envol­vi­dos com o cená­rio geral que esque­cem do bási­co.  Vale a todos rea­va­li­ar seu mane­jo e pro­to­co­los de colos­tro, e recon­si­de­rar alguns des­ses mitos que sur­gi­ram na últi­ma déca­da. (Fon­te: Alta Genetics)

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