Irrigação: Projeto correto garante eficiência - Balde Branco

É uma alter­na­ti­va exce­len­te para aumen­tar a pro­du­ção dos que já exe­cu­tam mui­to bem o mane­jo e a adu­ba­ção de pas­to. Há o aumen­to de lota­ção em 70%, redu­zin­do o cus­to por litro de lei­te e pro­por­ci­o­nan­do mai­or lucro por área

Por Flá­via Tonin

Dizem que o sono do pro­du­tor está garan­ti­do quan­do ele sabe que está abas­te­ci­do de comi­da para os ani­mais. Porém, nes­te ano, a esti­a­gem em ple­no verão que­brou a tran­qui­li­da­de de mui­tos que já estão se valen­do de suas reser­vas de inver­no para tra­tar das vacas. Na região de São José do Rio Pre­to-SP, por exem­plo, em dezem­bro e janei­ro as chu­vas foram a meta­de do regis­tra­do no ano ante­ri­or. “Temos qua­tro fazen­das que já abri­ram o silo, pois não têm mais pas­tos”, comen­ta o médi­co vete­ri­ná­rio Clo­do­veu Nico­la Colom­bo Júni­or, da Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra do Esta­do de São Pau­lo e mul­ti­pli­ca­dor do Pro­gra­ma Bal­de Cheio. “Por outro lado, pro­du­to­res que usam a irri­ga­ção têm pre­vi­são de alta lota­ção no pas­to até abril”, afir­ma. Um levan­ta­men­to fei­to pelo con­sul­tor, no muni­cí­pio de Poti­ren­da­ba-SP, mos­trou que exis­tem cer­ca de 400 hec­ta­res de pas­ta­gem irri­ga­da no muni­cí­pio, com 57 pro­du­to­res, que pro­du­zem de 60 a 2.500 litros de lei­te ao dia.

Para o pas­to cres­cer viço­so, Colom­bo expli­ca que há deman­da de qua­tro fato­res essen­ci­ais: calor, lumi­no­si­da­de, adu­ba­ção e água, sen­do que o pro­du­tor pode con­tro­lar ape­nas os dois últi­mos. Já o calor e a lumi­no­si­da­de, pelo aque­ci­men­to glo­bal, ten­dem a aumen­tar ano a ano, o que tor­na ain­da mais neces­sá­ri­as as boas prá­ti­cas de produção.

Por sua vez, o pro­fes­sor Fer­nan­do Cam­pos Men­don­ça, da Esalq/USP, em Pira­ci­ca­ba-SP, res­sal­ta que “mode­los e estu­dos mete­o­ro­ló­gi­cos nos mos­tram que pode haver uma radi­ca­li­za­ção do cli­ma, com verões e inver­nos mais rigo­ro­sos ou chu­vas e secas mais inten­sas”. Com base na aná­li­se de mapas da Rede Agri­tem­po, coor­de­na­da pela Embra­pa, acre­di­ta-se que momen­tos de seca for­te ten­dem a se inten­si­fi­car e as pas­ta­gens esta­rão entre as cul­tu­ras mais irri­ga­das no Bra­sil. “Vai depen­der de os pro­du­to­res incor­po­ra­rem cor­re­ta­men­te a tec­no­lo­gia”, comenta.

Em unís­so­no, os téc­ni­cos defen­dem que antes de inves­tir em irri­ga­ção, algo que não é bara­to e deman­da de mui­tos a toma­da de finan­ci­a­men­tos, o pro­du­tor pre­ci­sa ter a casa em ordem e saber lidar com o pas­to, ou seja, pre­ci­sa ser um bom ges­tor do sis­te­ma de pro­du­ção que escolheu.

“A irri­ga­ção não é um fator iso­la­do mas algo que oti­mi­za os resul­ta­dos de fato­res que estão fun­ci­o­nan­do bem”, afir­ma Men­don­ça. Ou seja, res­sal­ta, o pro­du­tor pre­ci­sa ter o domí­nio pré­vio das téc­ni­cas de adu­ba­ção e mane­jo rota­ci­o­na­do da pas­ta­gem, além da esco­lha cor­re­ta da for­ra­gei­ra de acor­do com a região e ter um reba­nho ade­qua­do ao sis­te­ma de pro­du­ção. “De modo geral, são vacas com pro­du­ção média de 15 a 25 litros por dia, por­te médio (450 a 550 kg de peso vivo) e cuja prin­ci­pal fon­te de ali­men­to seja a pas­ta­gem (míni­mo 60% da dieta).”

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Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 651, de mar­ço 2019

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