Ocitonina na ordenha: prós e contras - Balde Branco

Nos reba­nhos mes­ti­ços, o uso da oci­to­ni­na pode sig­ni­fi­car van­ta­gens ime­di­a­tas que podem se trans­for­mar em prejuízos

Por Patrí­cia Viei­ra Maia

Para mui­tos téc­ni­cos e pro­du­to­res há neces­si­da­de da pre­sen­ça da cria no momen­to da orde­nha para esti­mu­lar a eje­ção do lei­te em vacas mes­ti­ças. Tal prá­ti­ca, no entan­to, requer mais mão-de-obra e ins­ta­la­ções ade­qua­das para tal quan­do se uti­li­za a orde­nha mecâ­ni­ca. Na ten­ta­ti­va de mini­mi­zar esses pro­ble­mas, tem-se ado­ta­do a prá­ti­ca da apli­ca­ção de oci­to­ci­na para esti­mu­lar a eje­ção do lei­te, dis­pen­san­do-se assim o bezerro.

A libe­ra­ção de oci­to­ci­na natu­ral tem papel fun­da­men­tal para a manu­ten­ção da lac­ta­ção e con­tro­le da des­ci­da do lei­te, tan­to em sis­te­mas com orde­nha mecâ­ni­ca, manu­al, com ou sem bezer­ro ao pé da vaca, o que sig­ni­fi­ca que a sua libe­ra­ção e tem­po de ação são cru­ci­ais para uma orde­nha com­ple­ta e rápi­da do animal.

Duran­te a sín­te­se, o lei­te é con­ti­nu­a­men­te arma­ze­na­do nos alvéo­los, duc­tos e cis­ter­nas da glân­du­la mamá­ria. Cer­ca de 80% do lei­te arma­ze­na­do no úbe­re das vacas está loca­li­za­do nos alvéo­los e peque­nos duc­tos e neces­si­ta que a vaca seja esti­mu­la­da para que seja extraí­do. Somen­te cer­ca de 20% do lei­te total pro­du­zi­do está loca­li­za­do nas cis­ter­nas da glân­du­la e do teto e é reti­do na glân­du­la mamá­ria somen­te pela for­ça exer­ci­da dos mús­cu­los do esfínc­ter do teto.

O lei­te cis­ter­nal está ime­di­a­ta­men­te dis­po­ní­vel para orde­nha após a colo­ca­ção do con­jun­to de tetei­ras, sem a neces­si­da­de do estí­mu­lo da des­ci­da do lei­te (figu­ra 1). Por outro lado, para que ocor­ra uma orde­nha com­ple­ta, é neces­sá­rio extrair o lei­te con­ti­do nos alvéo­los, que é obti­do somen­te dian­te da ação da ocitocina.

Em outras pala­vras, esse lei­te só che­ga até o teto por ação da oci­to­ci­na que quan­do libe­ra­da natu­ral­men­te na cor­ren­te san­guí­nea do ani­mal, ou por apli­ca­ção exó­ge­na, liga-se aos recep­to­res exis­ten­tes nas célu­las mio­e­pi­te­li­ais e pro­vo­ca a con­tra­ção da mus­cu­la­tu­ra da glân­du­la mamá­ria, expul­san­do assim o leite.

A libe­ra­ção de oci­to­ci­na e, con­se­quen­te­men­te, o refle­xo de eje­ção do lei­te são influ­en­ci­a­dos por dife­ren­tes estí­mu­los táteis na pele do úbe­re da vaca, como ama­men­ta­ção, orde­nha manu­al e mecâ­ni­ca, mas­sa­ge­a­men­to dos tetos duran­te o tes­te da cane­ca de fun­do escu­ro, entre outros.

Esses estí­mu­los geram impul­sos ner­vo­sos que são con­du­zi­dos para o cére­bro, que libe­ra a oci­to­ci­na. O san­gue car­re­ga esse hormô­nio às célu­las mio­e­pi­te­li­ais (célu­la mus­cu­lar) que cir­cun­dam o alvéo­lo. A con­tra­ção das célu­las mio­e­pi­te­li­ais for­ça o lei­te para den­tro do sis­te­ma de duc­tos e da cis­ter­na da glândula.

Leia a ínte­gra des­ta repor­ta­gem na edi­ção de Bal­de Bran­co 617, de mar­ço 2016

 

Rolar para cima