Novo Riispoa é lançado por Temer e Maggi - Balde Branco

Novo regu­la­men­to da ins­pe­ção de pro­du­tos de ori­gem ani­mal traz pena­li­da­des mais seve­ras e revi­sa nor­mas antigas

O pre­si­den­te Michel Temer e o minis­tro Blai­ro Mag­gi (Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to) assi­na­ram no últi­mo dia 29 de mar­ço, no Palá­cio do Pla­nal­to, o novo RIIS­POA-Regu­la­men­to da Ins­pe­ção Indus­tri­al e Sani­tá­ria de Pro­du­tos de Ori­gem Ani­mal. Entre as mudan­ças intro­du­zi­das na legis­la­ção está a ele­va­ção de pena­li­da­des. “Por meio de medi­da pro­vi­só­ria, a mul­ta máxi­ma a ser apli­ca­da, no caso de irre­gu­la­ri­da­des, pas­sa de R$ 15 mil para R$ 500 mil”, anun­ci­ou Mag­gi. Outra medi­da mais dura é a per­da do selo SIF (Ser­vi­ço de Ins­pe­ção Fede­ral) por empre­sa que come­ter três irre­gu­la­ri­da­des gra­vís­si­mas em um ano.

As novas nor­mas são vol­ta­das para garan­tir segu­ran­ça e ino­cui­da­de ali­men­tar, além de com­ba­ter frau­de econô­mi­ca. O regu­la­men­to englo­ba todos os tipos de car­nes (bovi­na, suí­na e de aves), lei­te, pes­ca­do, ovos e mel. “O anti­go decre­to do RIIS­POA, que hoje com­ple­ta 65 anos, pro­por­ci­o­nou que as regras sani­tá­ri­as bra­si­lei­ras fos­sem reco­nhe­ci­das por mais de 150 paí­ses. Mas é jus­to e opor­tu­no fazer­mos atu­a­li­za­ções. O Bra­sil está dife­ren­te”, obser­vou o secre­tá­rio-exe­cu­ti­vo do Mapa, Eumar Novacki.

Ago­ra, estão con­tem­pla­das, lem­brou Novac­ki, temas liga­dos ao res­pei­to ao meio ambi­en­te, sus­ten­ta­bi­li­da­de e bem estar ani­mal. A mudan­ça, segun­do ele, “não foi aço­da­da e cor­ri­da”, ten­do come­ça­do em 2007. “A revi­são exi­giu tra­ba­lho meti­cu­lo­so, o envol­vi­men­to de 150 ser­vi­do­res, 33 cola­bo­ra­do­res, entre cien­tis­tas da Embra­pa e de uni­ver­si­da­des fede­rais”. Além dis­so, pas­sou por con­sul­ta públi­ca e rece­beu mais de 3.600 pro­pos­tas de mudan­ças, todas analisadas.

A revi­são do RIIS­POA con­tem­pla a implan­ta­ção de novas tec­no­lo­gi­as, padro­ni­za­ção de pro­ce­di­men­tos téc­ni­cos e admi­nis­tra­ti­vos, mai­or har­mo­ni­za­ção com a legis­la­ção inter­na­ci­o­nal, inte­ra­ção com outros órgãos públi­cos de fis­ca­li­za­ção, orde­na­ção didá­ti­ca das nor­mas para faci­li­tar a con­sul­ta e ori­en­ta­ção e atu­a­li­za­ção de ter­mi­no­lo­gi­as orto­grá­fi­ca e téc­ni­ca. Foi com­pa­ti­bi­li­za­do com legis­la­ções, como o Códi­go de Defe­sa do Con­su­mi­dor e com o decre­to que ins­ti­tui o Sua­sa-Sis­te­ma Uni­fi­ca­do de Aten­ção à Sani­da­de Agropecuária.

O secre­tá­rio-exe­cu­ti­vo cha­mou a aten­ção para outra ino­va­ção, que incluiu espe­ci­fi­ci­da­des e exi­gên­ci­as pró­pri­as das peque­nas agroin­dús­tri­as. Blai­ro Mag­gi acres­cen­tou que doen­ças que afe­ta­vam os ani­mais, como zoo­no­ses, no anti­go RIIS­POA, não estão mais pre­sen­tes. Esse tipo de pre­o­cu­pa­ção foi subs­ti­tuí­da por cui­da­dos com pató­ge­nos, como a sal­mo­nel­la, que é um pro­ble­ma atual.

O novo regu­la­men­to esta­be­le­ce a obri­ga­to­ri­e­da­de da reno­va­ção da rotu­la­gem dos pro­du­tos de ori­gem ani­mal a cada 10 anos e deter­mi­na  sete tipos de carim­bos do Ser­vi­ço de Ins­pe­ção Fede­ral (SIF). O regu­la­men­to que era usa­do até esta quar­ta-fei­ra é de 29 de mar­ço de 1952 e tem 952 arti­gos. Com as mudan­ças, o RIIS­POA pas­sa a ter 542 artigos.

A atu­a­li­za­ção do RIIS­POA faz par­te das ações do Pla­no Agro+, lan­ça­do no ano pas­sa­do por Blai­ro Mag­gi para sim­pli­fi­car e moder­ni­zar o agro­ne­gó­cio. O novo regu­la­men­to tam­bém dei­xa bem cla­ra a res­pon­sa­bi­li­da­de das empre­sas e do Esta­do na fis­ca­li­za­ção sani­tá­ria dos pro­du­tos de ori­gem animal.

A seguir as prin­ci­pais medi­das do decreto:

1º — A ins­pe­ção deve­rá se base­a­da em con­cei­tos mais moder­nos, como tam­bém será pos­sí­vel a uti­li­za­ção de fer­ra­men­tas de con­tro­le de qua­li­da­de de pro­du­tos mais atu­a­li­za­das, por exem­plo: Aná­li­se de Ris­co e Pon­tos Crí­ti­cos de Con­tro­le – APPCC (a mes­ma fer­ra­men­ta uti­li­za­da pela NASA para con­tro­lar a ino­cui­da­de dos ali­men­tos dos astro­nau­tas em mis­sões espaciais).

2º — Esta­be­le­ce quan­do e em que tipo de esta­be­le­ci­men­to será ins­ta­la­da – em cará­ter per­ma­nen­te – a ins­pe­ção de pro­du­tos de ori­gem ani­mal. Pri­vi­le­gi­an­do os esta­be­le­ci­men­tos que aba­tem as dife­ren­tes espé­ci­es de ani­mais. Essa moder­ni­za­ção da nor­ma visa qua­li­fi­car os esta­be­le­ci­men­tos por grau de ris­co, pri­o­ri­zan­do as ações mais inten­sas de ins­pe­ção de acor­do com as carac­te­rís­ti­cas do estabelecimento.

3º — Sim­pli­fi­ca, raci­o­na­li­za e moder­ni­za o pro­ces­so de ava­li­a­ção das rotu­la­gens dos pro­du­tos de ori­gem ani­mal, pos­si­bi­li­tan­do a infor­ma­ti­za­ção no envio de infor­ma­ções sobre rotu­la­gem de pro­du­tos, agi­li­zan­do as res­pos­tas do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra. Todas essas novi­da­des levam em con­ta o Códi­go de Defe­sa do Con­su­mi­dor e demais nor­mas inci­den­tes sobre ques­tões de rotu­la­gem de pro­du­tos. Outro deta­lhe é que os regis­tros de rótu­los pas­sam a ter vali­da­de de 10 anos, dife­ren­te­men­te do atu­al Riis­poa que não ofe­re­ce pra­zo de validade.

4º — Esta­be­le­ce cri­té­ri­os de uso para os dife­ren­tes carim­bos e mar­ca do Ser­vi­ço de Ins­pe­ção Fede­ral – SIF – e rede­fi­ne os mode­los dos carim­bos e tor­na mais fácil para o con­su­mi­dor o enten­di­men­to do sig­ni­fi­ca­do das mes­mas. Atu­al­men­te exis­tem 18 dife­ren­tes mode­los de carim­bos regu­la­men­ta­dos o novo RIIS­POA sim­pli­fi­ca e moder­ni­za isto redu­zin­do para ape­nas mode­los para sete modelos.

5º — Rede­fi­ne os pro­ce­di­men­tos de aná­li­se labo­ra­to­ri­al dos pro­du­tos e maté­ri­as pri­mas de ori­gem ani­mal, deta­lhan­do os ritos pro­ces­su­ais para aná­li­se peri­ci­al. Atu­a­li­za a nor­ma e agre­ga aos pro­ce­di­men­tos de aná­li­se labo­ra­to­ri­al os con­cei­tos em vigor nas nor­mas mais avan­ça­das do planeta.

6º — Moder­ni­za o títu­lo do RIIS­POA refe­ren­te as res­pon­sa­bi­li­da­des sobre a infra­ção, medi­das cau­te­la­res, infra­ções, pena­li­da­des e pro­ces­so admi­nis­tra­ti­vo. Rede­fi­ne as san­ções pas­sí­veis de apli­ca­ção de pena­li­da­des e gra­dua as infra­ções em leve, mode­ra­da, gra­ve e gra­vís­si­ma, dan­do pro­por­ci­o­na­li­da­de nas apli­ca­ções das pena­li­da­des. Intro­duz tam­bém nes­te títu­lo o con­cei­to de con­di­ções agra­van­tes e atenuantes.

7º — Inse­ri­da defi­ni­ção de esta­be­le­ci­men­tos de pro­du­tos de ori­gem ani­mal de peque­no por­te, pos­si­bi­li­tan­do a lega­li­za­ção de peque­nas agroin­dús­tri­as, como tam­bém fle­xi­bi­li­zan­do exi­gên­ci­as rela­ci­o­na­das a carac­te­rís­ti­cas de equi­pa­men­tos. O atu­al tex­to do Riis­poa tra­ta todas as indús­tri­as de manei­ra idên­ti­cas o que invi­a­bi­li­za a lega­li­za­ção das pequenas.

8º — Inclui na roti­na de fis­ca­li­za­ção a rea­li­za­ção de aná­li­ses de bio­lo­gia mole­cu­lar, como o exa­me de DNA entre outras meto­do­lo­gi­as con­sa­gra­das nos últi­mos anos.

9º — Pos­si­bi­li­ta o apro­vei­ta­men­to de maté­ri­as-pri­mas e resí­du­os de ani­mais dos esta­be­le­ci­men­tos indus­tri­ais sob ins­pe­ção fede­ral para ela­bo­ra­ção de pro­du­tos não comes­tí­veis. A intro­du­ção des­sa pos­si­bli­da­de tem um for­te viés ambi­en­tal, vis­to que no tex­to atu­al esses resí­du­os devem ser des­car­ta­dos no meio ambiente.

10º — Traz nova fei­ção para a Ins­pe­ção Fede­ral de Pro­du­tos de Ori­gem Ani­mal moder­ni­zan­do uma nor­ma do sécu­lo XX em sin­to­nia com con­cei­tos e tec­no­lo­gi­as do sécu­lo XXI. Quan­do publi­ca­do, 65 anos atrás, o RIIS­POA era um regu­la­men­to moder­no. De lá para cá, o país dei­xou de ser impor­ta­dor e pas­sou a ser um dos prin­ci­pais expor­ta­do­res do pla­ne­ta de pro­du­tos de ori­gem ani­mal. Além dis­so, ao lon­go des­ses anos sur­gi­ram vári­as novas tec­no­lo­gi­as, a Cons­ti­tui­ção de 1988, a OMC, enfim, o mun­do mudou radicalmente.

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