Mastite “invisível” traz riscos e prejuízos para rebanhos leiteiros - Balde Branco

Seca­gem dos tetos, um dos pro­ce­di­men­tos rea­li­za­dos duran­te a pesquisa

Mastite “invisível” traz riscos e prejuízos para rebanhos leiteiros

Por Ana Maio — Comu­ni­ca­ção Embra­pa Pecuá­ria Sudeste

A mas­ti­te é uma infla­ma­ção na glân­du­la mamá­ria do ani­mal, pre­ju­di­can­do a qua­li­da­de e a quan­ti­da­de de lei­te pro­du­zi­do. Em geral, o pro­du­tor rural reco­nhe­ce visu­al­men­te a doen­ça em sua for­ma clí­ni­ca ao obser­var incha­ço e ver­me­lhi­dão nas glân­du­las mamá­ri­as de vacas lei­tei­ras e/ou alte­ra­ções na colo­ra­ção do lei­te. No entan­to, há um tipo de mas­ti­te que não pode ser diag­nos­ti­ca­da de for­ma visu­al: é a sub­clí­ni­ca, em que o ani­mal não apre­sen­ta alte­ra­ções no lei­te nem na glân­du­la mamária.

De acor­do com o pes­qui­sa­dor Luiz Fran­cis­co Zafa­lon, da Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te (São Car­los-SP), quan­do diag­nos­ti­ca­da a mas­ti­te clí­ni­ca, o reba­nho tem uma pro­por­ção bem mai­or de ani­mais com a mas­ti­te “invi­sí­vel”.

O diag­nós­ti­co, segun­do ele, pode ser fei­to com vári­os tipos de tes­tes dis­po­ní­veis aos pro­du­to­res. Um deles, conhe­ci­do como CMT (Cali­for­nia Mas­ti­tis Test), uti­li­za um rea­gen­te que, em con­ta­to com o lei­te de uma glân­du­la mamá­ria com mas­ti­te sub­clí­ni­ca, pro­duz uma mis­tu­ra vis­co­sa a par­tir do lei­te recém-orde­nha­do, devi­do ao aumen­to de célu­las somá­ti­cas do leite.

Outro exa­me pos­sí­vel é o de con­du­ti­vi­da­de elé­tri­ca, que apon­ta aumen­to de clo­re­tos e de sódio no lei­te. De acor­do com Zafa­lon, esses tes­tes podem apre­sen­tar resul­ta­dos alte­ra­dos se forem fei­tos na fase final de lac­ta­ção ou se as amos­tras incluí­rem o colos­tro (ali­men­to for­ne­ci­do natu­ral­men­te pelos mamí­fe­ros aos seus filho­tes nos pri­mei­ros dias da amamentação).

HOME­O­PA­TIA

A Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te apli­ca uma meto­do­lo­gia para a inves­ti­ga­ção de bac­té­ri­as do gêne­ro Staphy­lo­coc­cus (um dos pató­ge­nos mais comuns do ser huma­no) pro­du­to­ras de bio­fil­mes iso­la­dos no lei­te de vacas. Bio­fil­mes podem ser enten­di­dos como uma capa pro­te­to­ra que impe­de o aces­so de subs­tân­ci­as que pode­ri­am eli­mi­nar essas bac­té­ri­as. Seria uma espé­cie de autoproteção.

Um exem­plo: em uten­sí­li­os domés­ti­cos que entram em con­ta­to com ali­men­tos e que vão fican­do des­gas­ta­dos com o pas­sar do tem­po, bac­té­ri­as podem se alo­jar em ranhu­ras e bio­fil­mes podem ser for­ma­dos, pro­te­gen­do esses micro-orga­nis­mos. No caso do lei­te, a higi­e­ni­za­ção e o mane­jo ade­qua­dos antes, duran­te e após a orde­nha são fun­da­men­tais para que bac­té­ri­as pro­du­to­ras des­ses bio­fil­mes não per­ma­ne­çam no inte­ri­or das glân­du­las mamá­ri­as, cau­san­do mas­ti­tes que podem se tor­nar crô­ni­cas no reba­nho e difi­cul­tan­do o tratamento.

Pes­qui­sa­do­ra Tere­sa Alves ofe­re­ce ração mis­tu­ra­da com home­o­pa­tia aos ani­mais do Sis­te­ma de Pro­du­ção de Lei­te da Embra­pa Pecuá­ria Sudeste

A meto­do­lo­gia foi uti­li­za­da duran­te um pro­je­to de pes­qui­sa rela­ci­o­na­do com o tra­ta­men­to da mas­ti­te com home­o­pa­tia. Os prin­cí­pi­os ati­vos reco­men­da­dos por vete­ri­ná­ri­os home­o­pa­tas foram admi­nis­tra­dos na ali­men­ta­ção ani­mal e a pre­sen­ça dos micro-orga­nis­mos foi nota­da nos ani­mais tra­ta­dos e não tra­ta­dos, que ser­vi­ram como um gru­po “con­tro­le”, que não rece­beu tratamento.

A pes­qui­sa não tes­tou outras for­mas de admi­nis­tra­ção da home­o­pa­tia, como sprays no nariz ou na vul­va nas vacas. “O fato de esse tra­ta­men­to home­o­pá­ti­co não ter evi­ta­do a per­ma­nên­cia de bac­té­ri­as pato­gê­ni­cas no inte­ri­or da glân­du­la mamá­ria é um indi­ca­dor de que deve­mos ir atrás de outras for­mas de con­tro­lar a doen­ça”, afir­mou o pesquisador.

A mas­ti­te sub­clí­ni­ca pode evo­luir para qua­dros clí­ni­cos da doen­ça, quan­do o ide­al é fazer o diag­nós­ti­co micro­bi­o­ló­gi­co para conhe­cer os micro-orga­nis­mos que estão cau­san­do a mas­ti­te, e ori­en­tar sobre os medi­ca­men­tos a serem uti­li­za­dos. “Mas em geral esse retor­no dos labo­ra­tó­ri­os não é rápi­do e o pro­du­tor tem pres­sa”, dis­se Zafa­lon. Outro pro­ble­ma é que os prin­cí­pi­os ati­vos anti­mi­cro­bi­a­nos podem atu­ar bem sobre as bac­té­ri­as den­tro do labo­ra­tó­rio, mas no cam­po nem todos vão fun­ci­o­nar, já que uma série de fato­res pode inter­fe­rir no suces­so do tratamento.

Por isso, a melhor for­ma de con­tro­lar a doen­ça é evi­tar uma gran­de quan­ti­da­de de casos sub­clí­ni­cos no reba­nho, que, segun­do Zafa­lon, são impos­sí­veis de serem erra­di­ca­dos. Deve-se evi­tar ao máxi­mo a trans­mis­são dos micro-orga­nis­mos duran­te a orde­nha. Lem­bran­do que a mas­ti­te sub­clí­ni­ca é res­pon­sá­vel por apro­xi­ma­da­men­te 70% das per­das rela­ci­o­na­das a essa doen­ça e que a vaca infec­ta­da pode dei­xar de pro­du­zir até três litros de lei­te por dia.

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