Livro mostra que produção agropecuária dobrou no Brasil em 22 anos - Balde Branco

O dado cons­ta no livro “Uma Jor­na­da Pelos Con­tras­tes do Bra­sil: Cem anos do Cen­so Agro­pe­cuá­rio”. A obra tam­bém apon­ta que, entre os cen­sos de 2006 e 2017, a área agrí­co­la com plan­tio dire­to aumen­tou 84,9%

Livro mostra que produção agropecuária no Brasil dobrou em 22 anos

Nos últi­mos 47 anos, a agro­pe­cuá­ria cres­ceu em média 3,22% ao ano. Entre os cen­sos de 2006 e 2017, a taxa de cres­ci­men­to apro­xi­mou-se de 4,3%, supe­ran­do Esta­dos Uni­dos (1,9%), Chi­na (3,3%), Chi­le (3,1%) e Argen­ti­na (2,7%). De 1995 a 2017, o Valor Bru­to da Pro­du­ção dobrou, sen­do que a tec­no­lo­gia foi res­pon­sá­vel por mais de 60% des­se crescimento.

Esses são alguns dos dados do livro Uma Jor­na­da Pelos Con­tras­tes do Bra­sil: Cem anos do Cen­so Agro­pe­cuá­rio, lan­ça­do nes­ta ter­ça-fei­ra (1º) pelo Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Mapa), em par­ce­ria com o Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa Econô­mi­ca Apli­ca­da (Ipea) e o Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca (IBGE). Com a par­ti­ci­pa­ção de 64 pes­qui­sa­do­res de diver­sas ins­ti­tui­ções, o livro traz um diag­nós­ti­co atu­al da agro­pe­cuá­ria bra­si­lei­ra a par­tir de uma aná­li­se his­tó­ri­ca e de infor­ma­ções esta­tís­ti­cas cole­ta­das pelo cen­so agro­pe­cuá­rio, rea­li­za­do no país des­de 1920.

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A publi­ca­ção foi orga­ni­za­da pelos pes­qui­sa­do­res José Eus­tá­quio Ribei­ro Viei­ra Filho (dire­tor de Pro­gra­ma do Mapa) e José Gar­cia Gas­ques (coor­de­na­dor-geral de Polí­ti­cas e Infor­ma­ções do Mapa), que divi­di­ram as aná­li­ses em cin­co temas: pro­du­ção e ren­da, pro­du­ti­vi­da­de e ino­va­ção, agri­cul­tu­ra fami­li­ar, polí­ti­cas públi­cas e sus­ten­ta­bi­li­da­de produtiva.

No lan­ça­men­to vir­tu­al do livro, a minis­tra Tere­za Cris­ti­na refor­çou que os dados serão fun­da­men­tais para o pla­ne­ja­men­to da agro­pe­cuá­ria do futu­ro. “Pre­ci­sa­mos de inte­li­gên­cia estra­té­gi­ca para cres­cer, pla­ne­jar o futu­ro da nos­sa bem-suce­di­da agro­pe­cuá­ria brasileira”.

Ela des­ta­cou os desa­fi­os apon­ta­dos pelo livro, como faci­li­tar o aces­so de peque­nos e médi­os pro­du­to­res ao cré­di­to rural e ampli­a­ção da ofer­ta da assis­tên­cia téc­ni­ca aos agri­cul­to­res fami­li­a­res. “Pre­ci­sa­mos per­se­guir para que o cré­di­to rural seja cada vez mais inclu­si­vo e que tra­ga cada vez mais rena, bene­fí­ci­os para aque­les que estão no cam­po. A assis­tên­cia téc­ni­ca, ain­da não con­se­gui­mos sair do pata­mar de 17%.Precisamos atin­gir um per­cen­tu­al cada vez mai­or de assis­tên­cia téc­ni­ca, prin­ci­pal­men­te no Nor­des­te, onde é essen­ci­al inclui-la nas polí­ti­cas públicas”.

O pre­si­den­te do Ipea, Car­los von Doel­lin­ger, res­sal­tou a par­ti­ci­pa­ção cada vez mai­or do setor na eco­no­mia bra­si­lei­ra. Segun­do ele, esti­ma­ti­vas do ins­ti­tu­to apon­tam que as cadei­as pro­du­ti­vas do agro (pro­du­ção, arma­ze­na­gem, comer­ci­a­li­za­ção e etc) podem che­gar a 25% do PIB. “O agro é que vai fazer o futu­ro do Bra­sil, está mos­tran­do ser­vi­ço e é onde estão nos­sas van­ta­gens com­pe­ti­ti­vas e que esta­mos saben­do aproveitar”.

Já a pre­si­den­te do IBGE, Susa­na Guer­ra, des­ta­cou o com­pro­me­ti­men­to da ins­ti­tui­ção com a rea­li­za­ção dos cen­sos agro­pe­cuá­ri­os, fun­da­men­tais para ori­en­tar as polí­ti­cas agrí­co­las. “Essa é a mis­são do IBGE, retra­tar o Bra­sil com infor­ma­ções neces­sá­ri­as ao conhe­ci­men­to da sua rea­li­da­de e exer­cí­cio da cida­da­nia que se mos­tra com mui­ta cla­re­za no caso do Cen­so Agro­pe­cuá­rio. As dimen­sões soci­ais, econô­mi­cas e ambi­en­tais da pro­du­ção agro­pe­cuá­ria bra­si­lei­ra são apre­sen­ta­das para soci­e­da­de para serem ana­li­sa­das em uma úni­ca fon­te de dados”.

Tec­no­lo­gia e produtividade

Um dos capí­tu­los do livro mos­tra como a tec­no­lo­gia trans­for­mou a agro­pe­cuá­ria bra­si­lei­ra em um mode­lo de suces­so e ala­van­cou o Bra­sil, de impor­ta­dor de ali­men­tos, a um dos prin­ci­pais players no cená­rio agrí­co­la mundial.

Em 1995–1996, a tec­no­lo­gia res­pon­dia por 50,6% do total da pro­du­ção do agro, ao lado de 31,3% do uso da mão de obra e 18,1%, da ter­ra. Em 2006, esse per­cen­tu­al pas­sou para 56,8% e, em 2017, sal­tou para 60,6%.

“O setor cami­nha mui­to rápi­do. A agri­cul­tu­ra está se espe­ci­a­li­zan­do em pro­du­tos de alto valor agre­ga­do e de ino­va­ção tec­no­ló­gi­ca”, des­ta­cou José Gar­cia Gas­ques, citan­do como exem­plo o desen­vol­vi­men­to de vari­e­da­des de semen­tes mais adap­ta­das aos dife­ren­tes tipos de solo e cli­ma do país.

 

No lan­ça­men­to do livro, José Eus­tá­quio Viei­ra Filho des­ta­cou outros dados que demons­tram a evo­lu­ção da agro­pe­cuá­ria. “Em 1920, con­ta­bi­li­za­ram-se 648 mil esta­be­le­ci­men­tos. De outro, em 2017, havia em tor­no de 5 milhões de esta­be­le­ci­men­tos pro­du­ti­vos. Nes­se perío­do, a área de pro­du­ção subiu de 175 milhões para cer­ca de 351 milhões de hec­ta­res. A popu­la­ção ocu­pa­da mais do que dobrou, che­gan­do a 15 milhões de pes­so­as empre­ga­das no campo”.

A mudan­ça na fro­ta de tra­to­res é outro indi­ca­dor da moder­ni­za­ção do setor. A ofer­ta de máqui­nas agrí­co­las cres­ceu no país jun­to com o avan­ço da soja e do milho a par­tir da déca­da de 1960, com o sur­gi­men­to de vari­e­da­des dos grãos mais adap­ta­das ao cli­ma e con­di­ções do país.

“A meca­ni­za­ção, men­su­ra­da em tra­to­res por hec­ta­re, cres­ceu sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te entre 1970 e 2017, de 4,88 tra­to­res por mil hec­ta­res, na pri­mei­ra data, para 17,08 tra­to­res por mil hec­ta­res, no segun­do perío­do, demons­tran­do um vigo­ro­so pro­ces­so de meca­ni­za­ção do cam­po bra­si­lei­ro”, afir­mam os auto­res do capí­tu­lo 10.

Com ado­ção de máqui­nas e prá­ti­cas mais moder­nas, o pro­du­tor rural tam­bém viu sua ren­da bru­ta cres­cer e os cus­tos redu­zi­rem. Os pes­qui­sa­do­res apon­tam que o desa­fio ago­ra é a difu­são das solu­ções ino­va­do­ras para todos os pro­du­to­res rurais do país, de peque­no, médio e gran­de porte.

Sus­ten­ta­bi­li­da­de

No que­si­to sus­ten­ta­bi­li­da­de, o livro traz uma aná­li­se sobre a ado­ção do Sis­te­ma Plan­tio Dire­to (SPD) no país. O plan­tio dire­to é uma alter­na­ti­va tec­no­ló­gi­ca para aumen­tar a pro­du­ti­vi­da­de agrí­co­la e mini­mi­zar a emis­são dos gases de efei­to estu­fa. No plan­tio dire­to, é man­ti­da a cober­tu­ra per­ma­nen­te do solo com resí­du­os vege­tais (palha­da) ou plan­tas vivas por mais tem­po pos­sí­vel, as cul­tu­ras são diver­si­fi­ca­das ampli­an­do a bio­di­ver­si­da­de, uso de insu­mos de for­ma pre­ci­sa e con­tro­le do trá­fe­go de máqui­nas e equi­pa­men­tos agrícolas.

Entre os cen­sos agro­pe­cuá­ri­os de 2006 e 2017, a área total com plan­tio dire­to pas­sou de 17,9 milhões para 33,1 milhões de hec­ta­res (cres­ci­men­to de 84,9%). Quan­to aos esta­be­le­ci­men­tos rurais com SPD, a expan­são foi de 9,2%, de 506,7 mil para 553,4 mil.

O cres­ci­men­to da área com o sis­te­ma foi per­ce­bi­do prin­ci­pal­men­te no Cen­tro-Oes­te, Sul e Sudes­te. “A evo­lu­ção da ado­ção do plan­tio dire­to entre os dois cen­sos agro­pe­cuá­ri­os está asso­ci­a­da à mai­or pro­por­ção de lavou­ras tem­po­rá­ri­as; e ao mai­or aces­so aos insu­mos de pro­du­ção, cré­di­to e assis­tên­cia téc­ni­ca”, diz tre­cho do capí­tu­lo 28. Os auto­res do capí­tu­lo suge­rem mai­or aces­so dos pro­du­to­res ao finan­ci­a­men­to rural e assis­tên­cia téc­ni­ca para o avan­ço do plan­tio direto.

Fon­te: Mapa

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