As lições de Santa Catarina para crescer no leite - Balde Branco

Com o apri­mo­ra­men­to da cadeia lác­tea, da pro­fis­si­o­na­li­za­ção dos cri­a­do­res até a melho­ria de infra­es­tru­tu­ra, o Esta­do cres­ce em efi­ci­ên­cia pro­du­ti­va e sobe no ran­king nacional

Por Romu­al­do Venâncio

Em 2015, o volu­me total de lei­te cole­ta­do em San­ta Cata­ri­na foi de 3,059 bilhões de litros, a quin­ta mai­or pro­du­ção por esta­do, con­for­me dados do IBGE-Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca. Embo­ra ain­da aguar­dem a atu­a­li­za­ção dos dados ofi­ci­ais, infor­mal­men­te os cata­ri­nen­ses já come­mo­ram a con­quis­ta de uma nova posi­ção nes­se ran­king, pas­san­do a ocu­par o quar­to lugar, que per­ten­cia aos goi­a­nos. A ultra­pas­sa­gem em si é mera con­sequên­cia do real moti­vo des­sa celebração.

Há tem­pos, a pecuá­ria lei­tei­ra de San­ta Cata­ri­na sus­ten­ta uma vigo­ro­sa e con­tí­nua evo­lu­ção, tan­to em volu­me quan­to em qua­li­da­de de lei­te, que resul­ta de diver­sos fato­res, mas prin­ci­pal­men­te do ama­du­re­ci­men­to e do pro­fis­si­o­na­lis­mo dos pro­du­to­res. Vale res­sal­tar que o Esta­do ocu­pa ape­nas 1,12% do ter­ri­tó­rio naci­o­nal e que 84% de suas pro­pri­e­da­des rurais são de agri­cul­tu­ra fami­li­ar, com área infe­ri­or a 50 ha. “Somos o Esta­do da agri­cul­tu­ra fami­li­ar”, con­fir­ma o secre­tá­rio adjun­to da Agri­cul­tu­ra e da Pes­ca, Air­ton Spies.

De manei­ra geral, o pro­du­tor cata­ri­nen­se é bem fami­li­a­ri­za­do com uma ges­tão pro­fis­si­o­nal da ati­vi­da­de e com a ado­ção de ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas. Esse per­fil de admi­nis­tra­ção é uma heran­ça da sui­no­cul­tu­ra e da avi­cul­tu­ra, seto­res tra­di­ci­o­nais na região. Mui­tos cri­a­do­res migra­ram des­ses seg­men­tos para o lei­te ou ampli­a­ram seus negó­ci­os incluin­do o reba­nho leiteiro.

Essa mudan­ça se tor­nou mais mar¬cante a par­tir dos anos de 1990, quan­do algu­mas agroin­dús­tri­as redu­zi­ram o núme­ro de pro­du­to­res inte­gra­dos, for­çan­do-os a bus­car novas fon­tes de ren­da, e se inten­si­fi­cou a ida da pro­du­ção de grãos para outras regiões do País. Foi tam­bém naque­le perío­do que o Gover­no Fede­ral abriu mão do tabe­la­men­to do pre­ço do lei­te, o que de cer­ta for­ma con­tro­la­va a con­cor­rên­cia entre os Esta­dos. Veio, então, a neces­si­da­de de ser mais efi­ci­en­te para se man­ter bem no setor e evoluir.

San­ta Cata­ri­na fez valer esse estí­mu­lo pelo que mos­tram os dados de evo­lu­ção na pro­du­ção de lei­te. “Entre 2003 e 2013, nos­so cres­ci­men­to foi de 123%”, afir­ma Spi­es. Pelos dados apre­sen­ta­dos na tabe­la 1, com exce­ção de Ser­ra­na, todas as regiões pro­du­to­ras apre­sen­ta­ram avan­ço sig­ni­fi­ca­ti­vo entre 2010 e 2014. Des­ta­que para o Oes­te cata­ri­nen­se, que res­pon­de por cer­ca de 75% do volu­me total e tem cha­ma­do a aten­ção das indús­tri­as do setor. “Temos cer­ca de 190 mil esta­be­le­ci­men­tos que pro­du­zem lei­te no Esta­do, sen­do que 50 mil estão nes­sa região”, acres­cen­ta o pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Rural de Cha­pe­có, Ricar­do Lunar­di. A enti­da­de con­ta com 713 con­tri­buin­tes e 70% deles estão no leite.

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 631, de maio 2017

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