Leite: no Sul, sinais de recuperação dos preços - Balde Branco

O mer­ca­do sina­li­za uma len­ta recu­pe­ra­ção nos pre­ços depois de seis meses de pre­ços em que­da decor­ren­tes da redu­ção gene­ra­li­za­da de con­su­mo de lei­te e deri­va­dos. Essa situ­a­ção foi dimen­si­o­na­da no mês de novem­bro pelo Conseleite-SC.

De acor­do com pro­je­ção do órgão, o lei­te entre­gue em novem­bro a ser pago em dezem­bro pelos lati­cí­ni­os terá um aumen­to de 5,2% nos valo­res de refe­rên­cia, o que equi­va­le a 5 cen­ta­vos a mais por litro e R$ 1,0046 para o litro do lei­te padrão.

O con­su­mo inter­no melho­rou um pou­co e as maci­ças impor­ta­ções do Uru­guai foram sus­pen­sas. Esses fato­res reper­cu­ti­ram na recu­pe­ra­ção de pre­ços, ana­li­sa o vice-pre­si­den­te do Con­se­lei­te-SC, Ade­lar Maxi­mi­li­a­no Zim­mer. “Os pre­ços expe­ri­men­ta­rão uma len­ta mar­cha de recu­pe­ra­ção, mas, somen­te a reto­ma­da do con­su­mo em gran­de esca­la irá recom­por a ren­ta­bi­li­da­de da cadeia pro­du­ti­va de lác­te­os”, diz, expli­can­do que o con­su­mo bai­xo é refle­xo da que­da de ren­da do brasileiro.

“Estou con­vic­to que os pre­ços de remu­ne­ra­ção dos pro­du­to­res não cai­rão nos pró­xi­mos meses, mas a recu­pe­ra­ção das per­das deve demo­rar”, des­ta­ca. San­ta Cata­ri­na é hoje o quar­to esta­do pro­du­tor naci­o­nal, com 2,9 bilhões de litros/ano. O oes­te cata­ri­nen­se res­pon­de por 75% da pro­du­ção. Os 80 mil pro­du­to­res de lei­te geram 8,3 milhões de litros/dia, mas, a capa­ci­da­de indus­tri­al está estru­tu­ra­da para pro­ces­sar até 10 milhões de litros de leite/dia.

Já no Rio Gran­de do Sul, o pre­ço do lei­te vol­tou a subir. Segun­do dados apre­sen­ta­dos pelo Con­se­lei­te gaú­cho, o valor de refe­rên­cia esti­ma­do para novem­bro é de R$ 0,8653, valor 4,36% aci­ma do con­so­li­da­do de outu­bro, que fechou em R$ 0,8292. A valo­ri­za­ção foi puxa­da pelo aumen­to do lei­te UHT, que atin­giu 8,15% no mês. Tam­bém tive­ram aumen­to expres­si­vo o quei­jo pra­to (7,76%) e o mus­sa­re­la (5,91%).

O valor nomi­nal médio acu­mu­la­do no ano (11 meses) indi­ca que­da de 6,72% se com­pa­ra­do com 2016. Con­si­de­ran­do valo­res reais (levan­do-se em con­ta a infla­ção medi­da pelo IPCA), a redu­ção no perío­do che­ga a 9,61% “A ten­dên­cia para 2018 é de pre­ços melho­res do que os pra­ti­ca­dos nes­te ano”, pro­je­ta o pro­fes­sor da UPF-Uni­ver­si­da­de Pas­so Fun­do, Edu­ar­do Finamore.

Diz tam­bém que o movi­men­to de alta em novem­bro já era espe­ra­do pelo setor pro­du­ti­vo devi­do às limi­ta­ções de impor­ta­ção ao lei­te uru­guaio e à redu­ção da cap­ta­ção no cam­po. Segun­do o pre­si­den­te do Con­se­lei­te, Ale­xan­dre Guer­ra, é impor­tan­te con­si­de­rar que a situ­a­ção do setor é crí­ti­ca, com sal­do acu­mu­la­do de per­das no ano tan­to ao pro­du­tor quan­to à indús­tria. “Nas últi­mas sema­nas, o mer­ca­do se demons­trou mais cau­te­lo­so como refle­xo da reto­ma­da das aqui­si­ções do país vizi­nho, o que sina­li­za para esta­bi­li­da­de nos pró­xi­mos meses”, conta.

Obser­va ain­da que o Rio Gran­de do Sul não man­da no mer­ca­do bra­si­lei­ro. “A gen­te tem que dan­çar a músi­ca do mer­ca­do. Esta­mos sofren­do por um mix de fato­res que inclui a impor­ta­ção de lei­te, a que­da de con­su­mo devi­do à cri­se e diver­sas outras ques­tões”, sali­en­ta Guer­ra.  Além dis­so, diz que a pro­je­ção do PIB para 2018 é posi­ti­va, o que deve recu­pe­rar o poder de con­su­mo das famí­li­as. Segun­do ele, é impor­tan­te refor­çar a ques­tão da com­pe­ti­ti­vi­da­de da pro­du­ção, a par­tir da redu­ção de custos.

Que­da nos pre­ços do lei­te UHT — Os pre­ços do lei­te lon­ga vida caí­ram na pri­mei­ra quin­ze­na de novem­bro no ata­ca­do. Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, o recuo foi de 0,9% em rela­ção ao fecha­men­to de outu­bro, quan­do o pro­du­to teve uma ligei­ra alta. O pro­du­to ficou cota­do, em média, em R$ 2,16 por litro no mês passado.

Segun­do Rafa­el Ribei­ro, ana­lis­ta de mer­ca­do da con­sul­to­ria, as ven­das ruins na pon­ta final da cadeia e a pres­são de bai­xa do lado do vare­jo fize­ram as cota­ções vol­ta­rem a recu­ar no ata­ca­do em novem­bro. “A expec­ta­ti­va é de mer­ca­do mais frou­xo nes­te final de ano, com a deman­da pati­nan­do, espe­ci­al­men­te para os lei­tes flui­dos. Com isso, o cená­rio deve­rá ser de esta­bi­li­da­de a que­da para o lei­te lon­ga vida”, prevê.

Men­ci­o­na que a difi­cul­da­de de aumen­to dos pre­ços do pro­du­to na indús­tria é uma bar­rei­ra para rea­jus­tes posi­ti­vos de pre­ços para o pro­du­tor de lei­te em cur­to e médio pra­zos. A apos­ta para rever­ter o qua­dro está em uma melhor deman­da para pro­du­tos como cre­me de lei­te, lei­te con­den­sa­do, man­tei­ga, entre outros, con­si­de­ran­do as fes­tas de final de ano.

Para o paga­men­to rea­li­za­do em novem­bro (pro­du­ção de outu­bro), 48% dos lati­cí­ni­os pes­qui­sa­dos pela con­sul­to­ria acre­di­ta­vam em manu­ten­ção dos pre­ços do lei­te, enquan­to outra pro­por­ção, qua­se igual, de 45%, fala­va em que­da. “Para dezem­bro, o tom do mer­ca­do é de esta­bi­li­da­de a ligei­ra alta no pre­ço do lei­te ao pro­du­tor”, arris­ca Ribei­ro, obser­van­do que o viés bai­xis­ta deve­rá se man­ter em cur­to pra­zo, com a pro­du­ção cres­cen­te em impor­tan­tes regiões pro­du­to­ras, soma­da a deman­da pati­nan­do na pon­ta final da cadeia.

Cus­tos de pro­du­ção sobem — Pela pri­mei­ra vez des­de janei­ro, os cus­tos de pro­du­ção da pecuá­ria lei­tei­ra não fecha­ram em que­da no mês de outu­bro. O Cus­to Ope­ra­ci­o­nal Efe­ti­vo (COE), que con­si­de­ra os gas­tos cor­ren­tes da pro­pri­e­da­de, regis­trou vari­a­ção de 0,01% em rela­ção ao mês ante­ri­or. Ain­da que a vari­a­ção seja peque­na, mos­tra a inver­são da ten­dên­cia de des­va­lo­ri­za­ção, que acon­te­cia des­de fevereiro.

“Com o aumen­to das cota­ções dos com­po­nen­tes do con­cen­tra­do, prin­ci­pal­men­te do milho, a pers­pec­ti­va é que, nos pró­xi­mos meses, os cus­tos de pro­du­ção devem regis­trar novas altas. Cer­to é que a rela­ção de tro­ca em São Pau­lo pio­rou em outu­bro”, infor­ma o pes­qui­sa­dor do Cepea, Maxi­mi­li­an Rizzardo.

Segun­do ele, para com­prar uma tone­la­da do con­cen­tra­do 22% PB, o pro­du­tor pau­lis­ta teve que ven­der 623,9 litros de lei­te, alta de 6,1% fren­te a setem­bro (588 litros/t). A rela­ção de tro­ca do sal mine­ral 130g de fós­fo­ro tam­bém se ele­vou em 6,73%, che­gan­do a 74,5 litros/saca de 25 kg, con­tra os 69,8 litros/saca regis­tra­dos em setembro.

A ten­dên­cia foi con­fir­ma­da pelo Bole­tim Inte­lac­tus, edi­ta­do pela Embra­pa Gado de Lei­te. Con­si­de­ra o aumen­to de pre­ços veri­fi­ca­do no gru­po Ener­gia e Com­bus­tí­vel como o mai­or den­tre os gru­pos que com­põem o índi­ce, 3,27%. Em segui­da, os gru­pos Repro­du­ção, Volu­mo­sos, Con­cen­tra­do, Sal Mine­ral e Sani­da­de apre­sen­ta­ram vari­a­ções res­pec­ti­va­men­te de 3,00%, 2,49%, 1,86%, 1,17% e 0,09% no período.

Mes­mo assim, o acu­mu­la­do de novembro/16 a outubro/17 regis­tra redu­ção de cus­tos de ‑5,79% se com­pa­ra­do com o mes­mo perío­do de 2016. Nova­men­te, o gru­po de Con­cen­tra­dos é o prin­ci­pal res­pon­sá­vel pela que­da veri­fi­ca­da, apre­sen­tan­do defla­ção de ‑23,15% no perío­do. Sal Mine­ral tam­bém con­ti­nua nega­ti­vo, ‑1,08%, enquan­to os demais gru­pos apre­sen­tam vari­a­ções positivas.

Caem as impor­ta­ções de lei­te – De acor­do com dados do Secex, as impor­ta­ções de lác­te­os tota­li­za­ram US$ 29,1 milhões em outu­bro, valor 14% abai­xo do mês ante­ri­or e 53% menor que o de outubro/16. No acu­mu­la­do do ano, o total das impor­ta­ções soma US$ 499,3 milhões, valor 7% infe­ri­or ao do mes­mo perío­do do ano ante­ri­or. Em rela­ção às expor­ta­ções, o fatu­ra­men­to é de US$ 6,3 milhões, 5,8% abai­xo do mês ante­ri­or e 62% menor que outu­bro do ano passado.

“Com a que­da das impor­ta­ções mais acen­tu­a­das, o défi­cit da balan­ça foi 16,3% infe­ri­or ao de setem­bro, sal­do nega­ti­vo de US$ 22,7 milhões”, infor­mam os pes­qui­sa­do­res do Cepea, Bian­ca F. Tei­xei­ra e Lucas H. Ribei­ro. Mes­mo com as impor­ta­ções sus­pen­sas por algu­mas sema­nas, o Uru­guai con­ti­nua sen­do res­pon­sá­vel por gran­de par­te do volu­me impor­ta­do (30%), atrás ape­nas da Argen­ti­na, que repre­sen­tou 56% do total impor­ta­do pelo Bra­sil em outu­bro. No total, foram inter­na­li­za­dos 72,3 milhões de litros em equi­va­len­te lei­te, que­da de 7% fren­te ao mês anterior.

O lei­te em pó argen­ti­no repre­sen­tou 44% do total de lác­te­os impor­ta­dos, enquan­to o lei­te em pó uru­guaio, 17% do total. Os quei­jos tam­bém tive­ram gran­de par­ti­ci­pa­ção no volu­me total impor­ta­do, sen­do 12,7% do total foi de ori­gem argen­ti­na e 12,9%, uru­guaia. Alguns paí­ses tam­bém se des­ta­ca­ram na impor­ta­ção de quei­jos, como a Fran­ça, Paí­ses Bai­xos e Itá­lia, que expor­ta­ram ao Bra­sil volu­mes con­si­de­rá­veis de quei­jos de mas­sa dura e semidura.

Segun­do os pes­qui­sa­do­res do Cepea, ape­sar da que­da no fatu­ra­men­to, as expor­ta­ções tota­li­za­ram 7,1 milhões de litros em equi­va­len­te lei­te, alta de 5,36% em rela­ção ao mês ante­ri­or. Esse aumen­to é jus­ti­fi­ca­do pela mudan­ça no per­fil de lác­te­os ven­di­dos, que uti­li­zam mai­or volu­me de lei­te em sua pro­du­ção. Em outu­bro, o lei­te con­den­sa­do foi o pro­du­to mais expor­ta­do pelo Bra­sil, com repre­sen­ta­ti­vi­da­de de 45,94% do volu­me total, sen­do a Ango­la o prin­ci­pal país com­pra­dor, res­pon­sá­vel por 28,56% do total.

“O quei­jo foi o segun­do pro­du­to mais expor­ta­do. Em outu­bro, repre­sen­tou 36,35% com des­ti­no para o Chi­le, Taiwan e Argen­ti­na, que adqui­ri­ram, res­pec­ti­va­men­te, 19%, 107% e 201% a mais do que no mês ante­ri­or. Além dis­so, o volu­me expor­ta­do de lei­te em pó qua­se dobrou, tota­li­zan­do 126,5 mil litros em equi­va­len­te lei­te”, descrevem.

Cres­ce a pro­du­ção do mun­do – O volu­me total de lei­te glo­bal em 2016 atin­giu 596,31 bilhões de litros, aumen­to de 0,7% fren­te a 2015, segun­do esti­ma­ti­va do USDA-Depar­ta­men­to de Agri­cul­tu­ra dos Esta­dos Uni­dos, que pre­vê que 2017 feche com um incre­men­to de 1,8% em rela­ção a 2016, atin­gin­do 606,86 bilhões de litros. O cres­ci­men­to médio, de 2010 a 2015, foi de 2,9% ao ano. Para 2018, a esti­ma­ti­va é de incre­men­to de 1,9% na pro­du­ção, atin­gin­do 618,5 bilhões de litros.

“A cota­ção mais alta de lei­te e deri­va­dos no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal e a deman­da mun­di­al cres­cen­te são os fato­res de aumen­to da ofer­ta a cur­to pra­zo”, expli­ca Juli­a­na Pila, ana­lis­ta de mer­ca­do da Scot, citan­do que o aumen­to de con­su­mo de lác­te­os no cená­rio mun­di­al tem sido puxa­do pelo incre­men­to da deman­da dos paí­ses asiá­ti­cos, com des­ta­que para a Chi­na. No Bra­sil, dados de pro­du­ção de 2016 tota­li­za­ram 33,62 bilhões de litros, que­da de 2,8% se com­pa­ra­do com ano anterior.

Para 2017, segun­do ela, de janei­ro a outu­bro, a pro­du­ção aumen­tou 2,2% com­pa­ran­do com o mes­mo perío­do do ano pas­sa­do. “A pro­du­ção vem cres­cen­do com o cli­ma favo­rá­vel e tam­bém em fun­ção da que­da nos cus­tos de pro­du­ção, espe­ci­al­men­te da die­ta”, diz Juli­a­na. Para 2018, ela espe­ra uma recu­pe­ra­ção na pro­du­ção, apos­tan­do num incre­men­to de 1,8% no volu­me cap­ta­do, vol­tan­do o país a pro­du­zir no pata­mar de 35 bilhões de litros.

Ain­da como pro­je­ção, a ana­lis­ta da Scot diz que há expec­ta­ti­va de pre­ços fir­mes para a cadeia do lei­te, espe­ci­al­men­te para o pri­mei­ro semes­tre de 2018. “No entan­to, a situ­a­ção ain­da é de cau­te­la para o pro­du­tor, já que a ati­vi­da­de lei­tei­ra vem de dois anos ruins, de mar­gens aper­ta­das e pre­juí­zos em mui­tos casos. O pro­du­tor de lei­te está des­ca­pi­ta­li­za­do e a suges­tão é apro­vei­tar resul­ta­dos mais favo­rá­veis para recom­por o cai­xa”, analisa.

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