Cres­ce o con­su­mo de lei­te no mun­do intei­ro. De 2010 a 2015, aumen­tou 12%. No Bra­sil, o con­su­mo per capi­ta é de 156 litros. Para alcan­çar os reco­men­dá­veis 200 litros, o País pre­ci­sa­ria pro­du­zir 45 bilhões de litros/ano

A popu­la­ção mun­di­al foi esti­ma­da em 7,3 bilhões de pes­so­as e a pro­du­ção de lei­te, pro­ve­ni­en­te de vacas, búfa­las, ove­lhas e cabras, em 800 bilhões de litros em 2015, o que resul­tou em uma dis­po­ni­bi­li­da­de per capi­ta de 109 litros/ano. Esse volu­me de lei­te é con­su­mi­do na for­ma flui­da e tam­bém trans­for­ma­do em vári­os deri­va­dos lác­te­os, além de ser usa­do no pre­pa­ro de outros pro­du­tos que levam lei­te em sua com­po­si­ção.

No Bra­sil, a esti­ma­ti­va é de que um ter­ço da pro­du­ção naci­o­nal seja con­su­mi­da na for­ma fluí­da, por­tan­to 11,6 bilhões de litros, ou seja, 57 litros/per capita/ano ou 4,8 litros/mês.

O con­su­mo de lei­te tem cres­ci­do no mun­do todo e, no perío­do de 2010 a 2015, aumen­tou 12%, um avan­ço lide­ra­do prin­ci­pal­men­te por paí­ses do sul da Ásia, onde o volu­me dis­ponível para a popu­la­ção aumen­tou 22%. A Índia e o Paquis­tão foram os paí­ses que mais se des­ta­ca­ram no con­su­mo de lác­te­os nos últi­mos cin­co anos. Embo­ra o con­su­mo na Chi­na tenha vari­a­do um pou­co, aumen­tou 7,6% duran­te o mes­mo perío­do, pas­san­do para 31,4 litros/ano.

Devi­do às mudan­ças nos padrões ali­men­ta­res, a deman­da por lác­te­os, nos paí­ses pró­xi­mos do Ori­en­te Médio, mos­tra­ram cres­ci­men­to do con­su­mo de 15%, lide­ra­do pela Jor­dâ­nia, Irã e Ará­bia Sau­di­ta nos últi­mos cin­co anos. Na União Euro­peia e na Oce­a­nia tam­bém ocor­reu cres­ci­men­to do con­su­mo, enquan­to na Amé­ri­ca Lati­na a dis­po­ni­bi­li­da­de por pes­soa per­ma­ne­ceu está­vel, com con­su­mo médio de 85 litros/ano. No Bra­sil, o volu­me dis­po­ní­vel é de 170 litros/habitante/ano.

O lei­te não é um ali­men­to facil­men­te subs­ti­tuí­do por outro pro­du­to, por­que é difí­cil con­su­mir todos os nutri­en­tes necessá­rios em uma die­ta sau­dá­vel sem incluir lác­te­os, prin­ci­pal­men­te o cál­cio, o potás­sio e a vita­mi­na D, que estão rela­ci­o­na­dos à saú­de públi­ca.

Lac­to­se, pro­teí­nas e ossos for­tes
A com­po­si­ção nutri­ci­o­nal do lei­te inte­gral de uma vaca lei­tei­ra pode ser obser­va­da na tabe­la 1. Em cada copo de lei­te (por­ção de 200 ml) se tem 6,8 g de pro­teí­nas, de 8 a 10 g de car­boi­dra­tos, 8 g de gor­du­ra, 243 mili­gra­mas de cál­cio e 192 mili­gra­mas de fós­fo­ro. Em um arti­go divul­ga­do na revis­ta Silemg Notí­ci­as, um adul­to seden­tá­rio deve inge­rir de 0,8 a 1,0 g de pro­teí­na por qui­lo de peso e para quem pra­ti­ca ati­vi­da­de pode che­gar a 2 g por qui­lo cor­po­ral.

tabela1
A caseí­na, que é uma pro­teí­na rica em ami­noá­ci­dos essen­ciais, aju­da no ganho de mas­sa magra, ou seja, mús­cu­los. O cál­cio, prin­ci­pal mine­ral encon­tra­do no lei­te, auxi­lia na compo­sição e no for­ta­le­ci­men­to da mas­sa óssea, mas tam­bém estão pre­sen­tes o fós­fo­ro, mag­né­sio, zin­co e selê­nio. O lei­te é uma boa fon­te de vita­mi­na B2, que é impor­tan­te para o sis­te­ma res­pi­ra­tó­rio, além da vita­mi­na A. As pro­teí­nas pre­sen­tes no soro de lei­te auxi­li­am na absor­ção de mine­rais e na pro­te­ção imu­no­ló­gi­ca por ofe­re­cer ami­noá­ci­dos essen­ci­ais que o cor­po não sin­te­ti­za.

Exis­tem vári­os estu­dos com­pro­van­do os bene­fí­ci­os da inges­tão do lei­te, como a lac­to­se e pro­teí­nas, para man­ter os ossos for­tes. O lei­te aju­da a redu­zir os efei­tos das bac­té­ri­as cau­sa­do­ras de cárie e doen­ças da gen­gi­va, man­ten­do os den­tes sau­dá­veis. A vita­mi­na B12 e o trip­to­fa­no melho­ram a qua­li­da­de do sono e pes­qui­sas recen­tes mos­tra­ram que o cál­cio pode redu­zir os sin­to­mas físi­cos e emo­ci­o­nais da TPM, segun­do infor­ma­ções divul­ga­das no site ‘beba­mais­lei­te’.

Embo­ra o lei­te inte­gral, quei­jos e man­tei­gas sejam fon­tes sig­ni­fi­ca­ti­vas de áci­dos gra­xos satu­ra­dos na die­ta huma­na, uma série de estu­dos recen­tes tem mos­tra­do que o con­su­mo des­ses pro­du­tos não está asso­ci­a­do a um ris­co mai­or de doen­ças car­di­o­vas­cu­la­res, e pare­cem ain­da redu­zir o ris­co de obe­si­da­de e dia­be­tes do tipo II.

Na tabe­la 2 são apre­sen­ta­dos os valo­res nutri­ci­o­nais do lei­te fluí­do inte­gral, semi­des­na­ta­do e des­na­ta­do e de alguns deri­va­dos do lei­te, con­si­de­ran­do que foram ela­bo­ra­dos com lei­te inte­gral. O quei­jo duro e o ched­dar são os que apor­tam mai­or quan­ti­da­de de cál­cio, gor­du­ra e pro­teí­na, por por­ção de 100 g, por­que são os que mais uti­li­zam lei­te na ela­bo­ra­ção. A quan­ti­da­de de cál­cio pre­sen­te no lei­te flui­do é seme­lhan­te, inde­pen­den­te­men­te de se ele é inte­gral, semi ou des­na­ta­do.

tabela2

Como men­ci­o­na­do, o con­su­mo de lei­te flui­do do bra­si­lei­ro é de 57 litros/ano, com uma popu­la­ção esti­ma­da em 204 milhões de pes­so­as, resul­tan­do em um con­su­mo diá­rio de apro­xi­ma­da­men­te 156 ml. Para que cada bra­si­lei­ro tenha dis­po­ní­vel, em média, um copo de 200 ml por dia, seria neces­sá­rio um volu­me de 15 bilhões de litros para aten­der somen­te à deman­da de lei­te flui­do e, man­ten­do a rela­ção de um ter­ço, a pro­du­ção naci­o­nal deve­ria ser de 45 bilhões de litros por ano.

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