Intensificação da produção com pastejo rotacionado - Balde Branco

Antes de implan­tar o pas­te­jo rota­ci­o­na­do é pre­ci­so ava­li­ar a for­ra­gem que será explo­ra­da, o núme­ro de dias neces­sá­ri­os para o des­can­so, as estru­tu­ras de cochos e bebe­dou­ros e a dis­po­ni­bi­li­da­de ade­qua­da de sal, suple­men­to e água

Intensificação da produção com pastejo rotacionado 

Por André Pas­to­ri D’Aurea — zoo­tec­nis­ta, dou­tor em Nutri­ção Ani­mal e coor­de­na­dor téc­ni­co da Premix

A uti­li­za­ção do pas­te­jo rota­ci­o­na­do é uma alter­na­ti­va com­pe­ti­ti­va ao pecu­a­ris­ta que bus­ca melho­rar a lucra­ti­vi­da­de de sua pro­pri­e­da­de. Com esse tipo explo­ra­ção é pos­sí­vel aumen­tar o apro­vei­ta­men­to do pas­to e a taxa de lota­ção, o que resul­ta em mai­or produtividade.

De manei­ra geral, o perío­do de des­can­so da pas­ta­gem vai ser de 21 a 42 dias, tem­po sufi­ci­en­te para que a mai­or par­te das for­ra­gei­ras recu­pe­rem seu vigor. Vale des­ta­car que o perío­do vai depen­der das con­di­ções do solo e do cli­ma, e que o pas­te­jo tam­bém deve ultra­pas­sar 7 dias den­tro do mes­mo piquete.

O pas­te­jo rotacionado

Exis­tem diver­sos tipos e sis­te­mas de mane­jo de pas­ta­gens, entre eles o con­tí­nuo, o alter­na­do e o rota­ci­o­na­do, que nada mais é do que um pas­to divi­di­do em vári­os pique­tes que sofrem perío­dos alter­na­dos de des­can­so e pastejo.

Os pique­tes mais efi­ci­en­tes são os de for­ma­ção qua­dra­da ou retan­gu­lar, uma vez que pro­je­tam um pas­te­jo mais uni­for­me, e o seu com­pri­men­to não deve pas­sar de três vezes a medi­da da largura.

O núme­ro de pique­tes é mui­to variá­vel. Por isso, exis­te uma fór­mu­la para aju­dar o pecu­a­ris­ta a orga­ni­zar, pla­ne­jar e encon­trar o núme­ro ide­al para a pro­pri­e­da­de: núme­ro de pique­tes = perío­do de des­can­so + 1 perío­do de ocupação.

Na prá­ti­ca, o que acon­te­ce é que enquan­to um lote é pas­te­ja­do, o outro pique­te des­can­sa. Após con­su­mir a for­ra­gem dis­po­ní­vel, esse lote é trans­fe­ri­do para o pique­te seguinte.

O sis­te­ma é capaz de aumen­tar a pro­du­ção por área, ofe­re­cen­do van­ta­gens como bai­xo cus­to de implan­ta­ção, aumen­to da lota­ção e pro­du­ção por área, melhor con­tro­le e inten­si­fi­ca­ção do uso da pas­ta­gem e for­ra­gem disponível.

Além dis­so, o pas­te­jo rota­ci­o­na­do con­tri­bui para a recu­pe­ra­ção e for­ta­le­ci­men­to do rebro­te do pas­to, melho­ran­do a dis­tri­bui­ção de resí­du­os ani­mais e a cicla­gem de nutri­en­tes no solo.

Ser­ve tam­bém para inten­si­fi­car os ani­mais de pro­du­ção, prin­ci­pal­men­te os mais pro­du­ti­vos e com poten­ci­al para ganho. No entan­to, todos os ani­mais do reba­nho podem pas­te­jar em rota­ci­o­na­do des­de que o sis­te­ma tenha sido dimen­si­o­na­do com espa­ço sufi­ci­en­te para todos.

A impor­tân­cia da avaliação

Antes de implan­tar o pas­te­jo rota­ci­o­na­do é pre­ci­so ava­li­ar a for­ra­gem que será explo­ra­da, o núme­ro de dias neces­sá­ri­os para o des­can­so, as estru­tu­ras de cochos e bebe­dou­ros e a dis­po­ni­bi­li­da­de ade­qua­da de sal, suple­men­to e água.

O cri­a­dor tam­bém deve cor­ri­gir e adu­bar o solo (caso seja neces­sá­rio), veri­fi­car os dias de ocu­pa­ção que os ani­mais farão no pique­te e não se esque­cer de trei­nar seus cola­bo­ra­do­res sobre o mane­jo do novo sistema.

Vale res­sal­tar que o mane­jo no cur­ral, cor­re­do­res, entra­da e saí­da do pique­te afe­tam dire­ta­men­te o suces­so do sis­te­ma. Por isso, é impor­tan­te dis­po­ni­bi­li­zar um espa­ço que per­mi­ta a boa cir­cu­la­ção do reba­nho e pre­pa­rar a equi­pe para con­du­zir os ani­mais sem estresse.

A melhor forrageira

Diver­sas dis­cus­sões já foram fei­tas a esse res­pei­to, porém não exis­te a espé­cie de for­ra­gei­ra mila­gro­sa para se cul­ti­var. O apoio e a ava­li­a­ção de um téc­ni­co são impor­tan­tes para enten­der qual é a for­ra­gei­ra ide­al para o solo da propriedade.

O pro­fis­si­o­nal tam­bém indi­ca­rá se há neces­si­da­de de ajus­tes no solo ou a implan­ta­ção de um novo tipo de capim, tudo para que a for­ra­gei­ra se ade­que às carên­ci­as do solo.

Aten­ção à suplementação

Algu­mas pes­so­as inter­pre­tam erro­ne­a­men­te o sis­te­ma rota­ci­o­na­do, acre­di­tan­do que se o sis­te­ma aumen­ta a pro­du­ção, con­se­quen­te­men­te aumen­ta­rá o pas­to no inver­no e por esse moti­vo o gado não pre­ci­sa­rá de suple­men­ta­ção. Mas essa ideia está equi­vo­ca­da, já que a esta­ci­o­na­li­da­de de pro­du­ção de for­ra­gem ocor­re­rá nor­mal­men­te, por isso será neces­sá­rio suple­men­tar os animais.

Pas­te­jo alternado

Outro recur­so mui­to comum para evi­tar o esgo­ta­men­to da pas­ta­gem pelo mane­jo con­tí­nuo é o pas­te­jo alter­na­do. Tão efi­ci­en­te quan­to o sis­te­ma rota­ci­o­na­do, con­sis­te em trans­fe­rir os ani­mais para pas­tos man­ti­dos em reser­va a fim de pro­por­ci­o­nar des­can­so à pastagem.