Genoma: estratégias de uso definem a velocidade do progresso genético do rebanho - Balde Branco

Com o mape­a­men­to genô­mi­co, se obtém sig­ni­fi­ca­ti­va redu­ção no inter­va­lo de gera­ção de uns qua­tro anos, ou seja, é um sal­to gené­ti­co extraordinário 
Cláu­dio Aragon

O adven­to do geno­ma revo­lu­ci­o­nou a pecuá­ria lei­tei­ra. A pos­si­bi­li­da­de de ter­mos, com segu­ran­ça, infor­ma­ções da gené­ti­ca de um ani­mal ain­da mui­to jovem nos dá uma fer­ra­men­ta úni­ca para encur­tar­mos o inter­va­lo entre gera­ções. Antes do geno­ma, o pro­du­tor tinha de espe­rar a vaca parir e encer­rar uma lac­ta­ção para saber se o ani­mal era real­men­te bom. Hoje, com cin­co ou seis meses de ida­de, já é pos­sí­vel ter essa con­fir­ma­ção. E quan­to mais jovens as fême­as forem sub­me­ti­das ao mape­a­men­to genô­mi­co, mai­or será o ganho gené­ti­co para o reba­nho. Isso sig­ni­fi­ca uma redu­ção no inter­va­lo de gera­ção de uns qua­tro anos, ou seja, é um sal­to gené­ti­co extra­or­di­ná­rio. A apli­ca­ção des­sa fer­ra­men­ta em reba­nhos comer­ci­ais cer­ta­men­te irá impul­si­o­nar o pro­gres­so gené­ti­co de for­ma nun­ca vis­ta antes.

As estra­té­gi­as uti­li­za­das em cada reba­nho irão deter­mi­nar o quan­to mais rápi­do será este pro­gres­so. Atra­vés do geno­ma, pode­mos iden­ti­fi­car os ani­mais supe­ri­o­res den­tro do plan­tel e tra­ba­lhar de for­ma dis­tin­ta com esta gené­ti­ca, aumen­tan­do sua frequên­cia na repo­si­ção do reba­nho. Con­se­gui­mos, tam­bém, iden­ti­fi­car os indi­ví­du­os infe­ri­o­res e, com as cor­re­tas estra­té­gi­as, eli­mi­nar a trans­mis­são des­ta gené­ti­ca nas futu­ras gera­ções. Supo­nha­mos que tivés­se­mos fei­to o geno­ma de qua­tro bezer­ras do plan­tel e que os resul­ta­dos gené­ti­cos para lei­te fossem:
• Bezer­ra 1 — PTA Lei­te de 816 kg;
• Bezer­ra 2 — PTA Lei­te de 544 kg;
• Bezer­ra 3 — PTA Lei­te de 227 kg;
• Bezer­ra 4 — PTA Lei­te de ‑90 kg. 

Caso uti­li­zás­se­mos as qua­tro bezer­ras de for­ma igual para pro­du­zir a pró­xi­ma gera­ção, tería­mos uma trans­mis­são média de 375 kg de lei­te. No entan­to, atra­vés do geno­ma, pode­mos uti­li­zar diver­sas estra­té­gi­as para estas qua­tro bezer­ras. A mais sim­ples seria:
• Bezer­ra 1 — Doadora;
• Bezer­ra 2 — Uso de sêmen sexa­do de
alto valor genético;
• Bezer­ra 3 e 4 — Recep­to­ras da bezer­ra 1. 

Caso uti­li­zás­se­mos esta sim­ples estra­té­gia, a média de trans­mis­são de lei­te para a gera­ção seguin­te (ape­nas ana­li­san­do o lado das fême­as) seria de 680 kg (ou mais, con­for­me resul­ta­dos de embrião da doa­do­ra). Uma dife­ren­ça mui­to sig­ni­fi­ca­ti­va, uti­li­zan­do uma estra­té­gia simples.

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 653 (maio/2019)

Rolar para cima