Ferramenta genômica seleciona bovinos leiteiros mais adaptáveis às diferenças climáticas do Brasil - Balde Branco

Com a pesquisa, será possível enfrentar um grande problema da pecuária leiteira nacional, que é a perda de produção acarretada pelas condições locais de alta temperatura e umidade

GENÔMICA

Ferramenta genômica

seleciona bovinos leiteiros mais adaptáveis às diferenças climáticas do Brasil

Objetivo é identificar touros Girolandos, que produzam filhas mais apropriadas às características regionais de temperatura e umidade

Rubens Neiva*

A Embra­pa Gado de Lei­te está uti­li­zan­do o Cla­ri­fi­de Giro­lan­do (leia no qua­dro 1) para iden­ti­fi­car tou­ros capa­zes de pro­du­zir pro­gê­ni­es (filhas) de acor­do com a tole­rân­cia ao estres­se tér­mi­co. “Pre­ten­de­mos, com isso, enfren­tar um gran­de pro­ble­ma da pecuá­ria lei­tei­ra naci­o­nal, que é a per­da de pro­du­ção acar­re­ta­da pelas con­di­ções locais de alta tem­pe­ra­tu­ra e umi­da­de”, diz o pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te Mar­cos Viní­cius Bar­bo­sa da Sil­va, que coor­de­na a pesquisa. 

“O estres­se tér­mi­co inter­fe­re dire­ta­men­te na pro­du­ção de lei­te e, quan­to mais pro­du­ti­va for a vaca, mai­or será essa inter­fe­rên­cia”, afir­ma a pes­qui­sa­do­ra Rena­ta Negri, dou­to­ra em Gené­ti­ca e Melho­ra­men­to pela Uni­ver­si­da­de Fede­ral do Rio Gran­de do Sul (UFRGS), que inte­gra a equi­pe. Ela pros­se­gue: “Acre­di­ta-se que haja dife­ren­ças nas res­pos­tas fisi­o­ló­gi­cas asso­ci­a­das à pro­du­ção de lei­te nos dife­ren­tes gru­pos gené­ti­cos que cons­ti­tu­em a raça Giro­lan­do, sen­do neces­sá­rio iden­ti­fi­car e clas­si­fi­car os ani­mais con­for­me sua tole­rân­cia ao calor.”

A pes­qui­sa con­ta ain­da com a par­ti­ci­pa­ção das dou­to­ras em Gené­ti­ca e Melho­ra­men­to Dar­le­ne Dal­tro (UFRGS) e Sabri­na Klus­ka (Unesp Jabo­ti­ca­bal). Dar­le­ne infor­ma que os tra­ba­lhos tive­ram iní­cio em maio de 2021, quan­do foram sele­ci­o­na­dos 300 reba­nhos, dis­tri­buí­dos em diver­sos pon­tos do País. A pro­du­ção dos indi­ví­du­os des­ses reba­nhos foi acom­pa­nha­da e com­pa­ra­da, ten­do como prin­ci­pal variá­vel as con­di­ções cli­má­ti­cas locais, for­ne­ci­das pelas esta­ções mete­o­ro­ló­gi­cas mais pró­xi­mas das fazen­das. Mode­los mate­má­ti­cos demons­tra­ram que algu­mas vacas da raça Giro­lan­do podem dei­xar de pro­du­zir mais de mil litros de lei­te, con­si­de­ran­do 305 dias de lac­ta­ção, devi­do ao estres­se tér­mi­co. Em segui­da, por meio do Cla­ri­fi­de, iden­ti­fi­cou-se o geno­ma dos ani­mais pes­qui­sa­dos, para deter­mi­nar os mais adap­tá­veis a deter­mi­na­da região.

Marcos Vinícius B. Silva: “Reunimos conhecimentos de genoma e sistemas computacionais para avaliar as informações provenientes de um chip com centenas de milhares de dados relacionados ao DNA bovino”

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