Na pecuá­ria de lei­te, a ali­men­ta­ção é o prin­ci­pal cus­to de pro­du­ção. Enten­der a die­ta per­mi­te que se faça um car­dá­pio ade­qua­do, gas­tan­do-se o míni­mo e asse­gu­ran­do bom retor­no da ati­vi­da­de


Por Ricar­do Pei­xo­to de Melo

Para uma vaca pro­du­zir deter¬minado volu­me de lei­te, ela pre­ci­sa de alguns nutri­en­tes. Ener­gia, pro­teí­na, fibra e mine­rais estão entre os prin­ci­pais fato­res a serem con­si­de­ra­dos numa die­ta para o reba­nho em lac­ta­ção. Uma for­ma de gas­tar o míni­mo é ofe­re­cer exa­ta­men­te o neces­sá­rio de cada nutri­en­te, evi­tan­do des­per­dí­cio. Para isso, é fun­da­men­tal que se conhe­ça a neces­si­da­de da vaca para cada nutri­en­te e a com­po­si­ção dos ali­men­tos que serão usa­dos.

A quan­ti­da­de de nutri­en­tes que uma vaca pre­ci­sa para pro­du­zir determina¬do volu­me de lei­te é o que se cha­ma exi­gên­cia nutri­ci­o­nal, que depen­de de seu peso vivo, da quan­ti­da­de que ela pro­duz, da com­po­si­ção do lei­te pro­du­zi­do e de quan­to ela gas­ta de ener­gia se des­lo­can­do. Com essas infor­ma­ções é pos­sí­vel esta­be­le­cer o quan­to a vaca pre­ci­sa inge­rir de cada nutri­en­te.

A segun­da par­te é conhe­cer quan­to cada ali­men­to pode for­ne­cer de cada nutri­en­te. Por exem­plo, se a vaca pre­ci­sa inge­rir 3,2 kg de pro­teí­na por dia, é pre­ci­so conhe­cer quan­to de pro­teí­na cada ali­men­to que será uti­li­za­do tem, para que se pos­sa adequá-lo à neces­si­da­de da vaca. Para enten­der tal rela­ção, pas­sa­mos abai­xo a defi­ni­ção de alguns indi­ca­do­res:

Maté­ria seca - Todo ali­men­to tem algum teor de água em sua com­po­si­ção. Se uma amos­tra de 100 g for total­men­te seca (após reti­rar toda a água), o peso que sobrar é a quan­ti­da­de de maté­ria seca con­ti­da em 100 g daque­le ali­men­to. Como a água nor­mal­men­te é abun­dan­te e bara­ta quan­do se com­pra um ali­men­to, o que inte­res­sa é o quan­to de maté­ria seca ele tem. Maté­ria seca = peso do ali­men­to — peso da água con­ti­da no ali­men­to.

Ener­gia - Está con­ti­da em qual­quer ali­men­to orgâ­ni­co e é essen­ci­al para a pro­du­ção ani­mal. Na ali­men­ta­ção ani­mal um ali­men­to é mais ener­gé­ti­co quan­to mai­or for a sua diges­ti­bi­li­da­de. Por isso, uma for­ma de expres­sar ener­gia de um ali­men­to é rela­ci­o­ná-la com sua diges­ti­bi­li­da­de. A medi­da de ener­gia cha­ma­da NDT é expres­sa em % da maté­ria seca (%MS) e pra­ti­ca­men­te refle­te quan­to do ali­men­to pode ser dige­ri­do. Assim, se um ali­men­to tem 90% de NDT e outro tem 60%, sig­ni­fi­ca que o de 90% é mais dige­ri­do e por isso tem mais ener­gia dis­po­ní­vel para o ani­mal.

Pro­teí­nas - São impor­tan­tes por­que fazem par­te da estru­tu­ra do orga­nis­mo (mús­cu­los, célu­las) e são cons­ti­tuin­tes bási­cos dos pro­du­tos de ori­gem ani­mal (lei­te, car­ne). Assim, quan­to mai­or quan­ti­da­de de pro­teí­na for encon­tra­da nes­tes pro­du­tos mai­or será a exi­gên­cia do ani­mal para este nutri­en­te. A uni­da­de uti­li­za­da para medir a pro­teí­na nos ali­men­tos é a pro­teí­na bru­ta (PB), nor­mal­men­te expres­sa em (%MS).

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 628, de feve­rei­ro 2017

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