E mes­mo por­que não tem como reme­di­ar. Então, a reco­men­da­ção é real­men­te pre­ve­nir, apro­vei­tan­do a seca para iden­ti­fi­car e redu­zir os pon­tos de acú­mu­lo de lama na pro­pri­e­da­de

Por Lui­za Mahia

Mais do que nin­guém, o pro­du­tor de lei­te sabe o tama­nho dos trans­tor­nos pro­vo­ca­dos pela for­ma­ção inde­se­já­vel de exces­so de bar­ro na pro­pri­e­da­de. E isso se agra­va mais ain­da quan­do vira uma lama decor­ren­te da mis­tu­ra do bar­ro com deje­tos dos ani­mais e res­tos de ali­men­tos, o que poten­ci­a­li­za os ris­cos à saú­de dos ani­mais. Essa é a rea­li­da­de de mui­tas e mui­tas fazen­das no perío­do das chu­vas. Nas pro­pri­e­da­des lei­tei­ras, além do incô­mo­do no des­lo­ca­men­to dos ani­mais, máqui­nas e fun­ci­o­ná­ri­os, a lama é um fator que pode influ­en­ci­ar nega­ti­va­men­te na lucra­ti­vi­da­de do negó­cio.

“Em um ambi­en­te sujo de lama, a vaca esta­rá mais pro­pen­sa a ris­cos para a saú­de, o que afe­ta seu bem-estar e, con­se­quen­te­men­te, reduz a pro­du­ti­vi­da­de lei­tei­ra”, diz o médi­co vete­ri­ná­rio Edu­ar­do Har­ry Bir­gel Juni­or, pro­fes­sor do Depar­ta­men­to de Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria da Facul­da­de de Zoo­tec­nia e Enge­nha­ria de Ali­men­tos (FZEA) da Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo-USP, em
Piras­su­nun­ga-SP. “Quan­do man­ti­do por mui­to tem­po em uma área enchar­ca­da, o cas­co do bovi­no ten­de a amo­le­cer e as vacas ficam mais pre­dis­pos­tas a trau­ma­tis­mos na região”, aler­ta Bir­gel.

Ele expli­ca que a lama gru­da no cas­co e, ao secar, for­ma uma bol­sa de ter­ra com bac­té­ri­as que se aglu­ti­nam prin­ci­pal­men­te no meio da unha e no talão do cas­co, pro­vo­can­do as der­ma­ti­tes inter­di­gi­tais e as ero­sões do talão. “No iní­cio, a man­quei­ra é peque­na, mas, con­for­me a infla­ma­ção aumen­ta, afe­ta gra­ve­men­te o des­lo­ca­men­to do ani­mal”, diz.

Uma vaca que man­ca mui­to fica menos tem­po em esta­ção de mon­ta e come menos. “Com dor, as matri­zes pre­fe­rem ficar dei­ta­das e se ali­men­tar o míni­mo neces­sá­rio, o que afe­ta o balan­ço ener­gé­ti­co. Den­tro do está­bu­lo elas se man­têm em uma posi­ção defen­si­va para evi­tar a mon­ta, o que difi­cul­ta a detec­ção do cio”, con­ti­nua. O pro­fes­sor da USP aler­ta ain­da para os cui­da­dos na área de mater­ni­da­de. “Se a lama atin­gir o duto vagi­nal da vaca em tra­ba­lho de par­to, há o ris­co de apa­re­ci­men­to de endo­me­tri­te crô­ni­ca, que pro­vo­ca a infer­ti­li­da­de. Já o bezer­ro, ain­da sem imu­ni­da­de, tem gran­des chan­ces de adqui­rir infec­ções, prin­ci­pal­men­te pelo cor­dão umbi­li­cal, que é a por­ta de entra­da das bac­té­ri­as”, afir­ma. Sem capa­ci­da­de para con­tro­lar a tem­pe­ra­tu­ra cor­po­ral, o bezer­ro, em con­ta­to com a lama, tam­bém pode mor­rer de hipo­ter­mia.

—————————–
Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 644, de julho 2018

Rolar para cima