Estudo foca na virulência e nos reflexos à saúde pública dos patógenos ambientais - Balde Branco

Além da qua­li­da­de do lei­te e do impac­to à saú­de huma­na des­ses agen­tes, há a pre­o­cu­pa­ção com a mul­tir­re­sis­tên­cia das bac­té­ri­as aos antimicrobianos

Por João Antô­nio dos San­tos e Fer­nan­da Goulart

Prin­ci­pal doen­ça que afe­ta o reba­nho lei­tei­ro, com enor­mes pre­juí­zos à cadeia pro­du­ti­va do lei­te, a mas­ti­te é obje­to de pes­qui­sa pio­nei­ra que tra­rá uma gran­de con­tri­bui­ção para os pro­gra­mas de con­tro­le da enfer­mi­da­de. Tra­ta-se do pro­je­to temá­ti­co que inves­ti­ga casos de mas­ti­te cau­sa­da por pató­ge­nos ambi­en­tais – Esche­ri­chia coli, Kleb­si­el­la pneu­mo­ni­ae e Ente­ro­coc­cus spp. –, iso­la­dos de casos clí­ni­cos e de amos­tras de lei­te do tan­que de resfriamento.

“A mas­ti­te é cau­sa­da por uma série de micro-orga­nis­mos, de ori­gem con­ta­gi­o­sa ou de ori­gem ambi­en­tal, que reper­cu­te na qua­li­da­de do lei­te e evi­den­te­men­te na saú­de daque­les que con­so­mem o lei­te por­que podem estar vei­cu­lan­do agen­tes con­si­de­ra­dos cau­sa­do­res de zoo­no­ses, que são as doen­ças comuns entre os seres huma­nos e os ani­mais”, expli­ca o pro­fes­sor Hélio Lan­go­ni, do Depar­ta­men­to de Higi­e­ne Vete­ri­ná­ria e Saú­de Públi­ca (DHVSP), da FMVZ-Unesp, em Botu­ca­tu-SP, res­pon­sá­vel pelo pro­je­to “E. coli, Kleb­si­el­la pneu­mo­ni­ae e Ente­ro­coc­cus ssp.: Impac­to dos fato­res de viru­lên­cia na mas­ti­te bovi­na e refle­xos na saú­de públi­ca”, que con­ta com uma equi­pe mul­ti­dis­ci­pli­nar de pesquisadores.

Esse pro­je­to foi apro­va­do pela Fapesp, e há mais de um ano está sen­do desen­vol­vi­do em dez fazen­das lei­tei­ras de gran­de por­te (qua­tro em São Pau­lo e seis em Minas Gerais). As pro­pri­e­da­des são iden­ti­fi­ca­das com letras do alfa­be­to, de modo a pre­ser­var as fon­tes de infor­ma­ções. “O obje­ti­vo é tra­ba­lhar com pató­ge­nos de ori­gem ambi­en­tal como Esche­ri­chia coli, Kleb­si­el­la, Ente­ro­coc­cus, que são mui­to impor­tan­tes quan­do se tra­ta da mas­ti­te. Com a pro­du­ção em lar­ga esca­la na bovi­no­cul­tu­ra lei­tei­ra, as fazen­das foram se adap­tan­do a con­di­ções de alta pro­du­ção, com mai­or núme­ro de ani­mais e exi­gên­ci­as de desem­pe­nho, o que acar­re­tou mais pro­ble­mas, sobre­tu­do, de ins­ta­la­ções, como a con­ta­mi­na­ção de cama dos ani­mais, e de vei­cu­la­ção des­ses pató­ge­nos”, assi­na­la Lan­go­ni. O gru­po de bac­té­ri­as ambi­en­tais é encon­tra­do nas fezes dos ani­mais, na ter­ra, na água, no ambi­en­te da pré e pós-orde­nha, entre outros pon­tos das instalações.

O pro­je­to pre­ten­de estu­dar não somen­te a eti­o­lo­gia des­ses pató­ge­nos, mas tam­bém todos os pos­sí­veis aspec­tos de viru­lên­cia rela­ci­o­na­dos a esses micror­ga­nis­mos e enten­der melhor os aspec­tos da imu­no­pa­to­lo­gia da glân­du­la mamá­ria. “No final, após ter­mos defi­ni­do esses aspec­tos, vis­lum­bra­re­mos a pos­si­bi­li­da­de da pro­du­ção de uma vaci­na para pro­te­ção dos ani­mais, no que diz res­pei­to aos pató­ge­nos ambi­en­tais”, adi­an­ta o professor.

Tra­ta-se de tra­ba­lho mul­ti-ins­ti­tu­ci­o­nal, com a par­ti­ci­pa­ção de pes­qui­sa­do­res da Uni­camp, da Agên­cia Pau­lis­ta de Agro­ne­gó­ci­os (Apta de Bau­ru), além de pes­qui­sa­do­res de depar­ta­men­tos do Ins­ti­tu­to de Bio­ci­ên­ci­as da Unesp de Botucatu.

—————————–
Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 650, de feve­rei­ro 2019

Rolar para cima