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Como pre­ve­nir a mas­ti­te clí­ni­ca, prin­ci­pal doen­ça das vacas lei­tei­ras e que cau­sa alte­ra­ções no lei­te e no úbere?

 

Estratégias de prevenção e controle da mastite clínica 

Por: Raquel Maria Cury Rodri­gues, Zoo­tec­nis­ta pela UNESP de Botu­ca­tu e espe­ci­a­lis­ta em Ges­tão da Pro­du­ção pela Ufscar

A mas­ti­te é uma doen­ça que aco­me­te uma alta pro­por­ção de vacas lei­tei­ras em todo o mun­do, se tor­nan­do um desa­fio para todos os pro­fis­si­o­nais que atu­am na área.

Dife­ren­te de algu­mas doen­ças, são vári­os os micror­ga­nis­mos (na mai­o­ria das vezes bac­té­ri­as) que são capa­zes de infec­tar o úbe­re e – assim que isso ocor­re – eles se mul­ti­pli­cam e pro­du­zem subs­tân­ci­as pre­ju­di­ci­ais que nor­mal­men­te resul­tam em pro­ces­sos infla­ma­tó­ri­os; redu­ção na pro­du­ção de lei­te e alte­ra­ção na qua­li­da­de do leite.

Como são vári­os os pató­ge­nos que podem oca­si­o­nar a mas­ti­te, o con­tro­le não é tão sim­ples e as per­das econô­mi­cas podem ser con­si­de­rá­veis. É por esses e outros vari­a­dos moti­vos que o pro­du­tor deve se pro­te­ger con­tra esse adver­sá­rio, afas­tan­do assim, pro­ble­mas desnecessários.

Alte­ra­ções visí­veis no lei­te e nos tetos: carac­te­rís­ti­cas típi­cas da mas­ti­te clínica

Para ini­ci­ar o tema, é inte­res­san­te pon­tu­ar que a mas­ti­te clí­ni­ca nor­mal­men­te se carac­te­ri­za por anor­ma­li­da­des per­cep­tí­veis a olho nu tan­to no lei­te quan­to nos quar­tos mamá­ri­os, estes, que podem inchar,  ficar ver­me­lhos e quentes.

Além da pal­pa­ção da região do úbe­re, o tes­te da cane­ca é uma téc­ni­ca prá­ti­ca, fácil e rápi­da que deve ser usa­da no dia a dia da fazen­da, já que detec­ta alte­ra­ções como pre­sen­ça de gru­mos, pus e mudan­ça na cor no lei­te. Tam­bém podem ocor­rer outros sin­to­mas na vaca como:

  • febre;
  • pros­tra­ção;
  • desi­dra­ta­ção;
  • dimi­nui­ção do consumo;
  • que­da na pro­du­ção lei­tei­ra e;
  • em casos mais gra­ves, a morte.

Além dis­so, pes­qui­sas apon­tam que vacas diag­nos­ti­ca­das com mas­ti­te clí­ni­ca apre­sen­ta­ram inter­va­los mais lon­gos entre os par­tos, mai­o­res per­das ges­ta­ci­o­nais e dimi­nui­ção doper­cen­tu­al de gor­du­ra do lei­te em com­pa­ra­ção com vacas sau­dá­veis. De acor­do com os sin­to­mas, o grau da mas­ti­te pode ser clas­si­fi­ca­do em leve, mode­ra­do e grave.

E como con­tro­lar e pre­ve­nir a mas­ti­te clínica?

 Pre­ve­nir novos casos e eli­mi­nar os exis­ten­tes  é uma das melho­res saí­das para fazer com que a mas­ti­te pas­se lon­ge da fazen­da de pro­du­ção de leite.

Nes­sa linha, uma das fer­ra­men­tas que con­tri­bui para con­tro­lar a doen­ça é a cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca do lei­te, que tem como obje­ti­vo prin­ci­pal a iden­ti­fi­ca­ção e iso­la­men­to dos micror­ga­nis­mos pre­sen­tes no reba­nho, sen­do con­si­de­ra­da como méto­do padrão para o diag­nós­ti­co dos agen­tes cau­sa­do­res de mastite.

A iden­ti­fi­ca­ção do agen­te cau­sa­dor da mas­ti­te é útil para reco­men­da­ções de tra­ta­men­to e/ou des­car­te da vaca e, prin­ci­pal­men­te, para a ado­ção e moni­to­ra­men­to de medi­das de con­tro­le. Reco­nhe­cer com cla­re­za o ini­mi­go com o qual esta­mos lidan­do auxi­lia em pro­to­co­los mais efi­ci­en­tes, reduz o uso de anti­bió­ti­cos e o des­car­te de lei­te, fato­res que impac­tam dire­ta­men­te no bol­so do pro­du­tor e geren­ci­a­men­to da doença.

Na mas­ti­te clí­ni­ca, além dos fato­res de ris­co, como carac­te­rís­ti­cas do ani­mal, ambi­en­te e pro­ce­di­men­tos de mane­jo, é de extre­ma impor­tân­cia a ava­li­a­ção e manu­ten­ção cons­tan­te do equi­pa­men­to de orde­nha e, como já cita­mos aci­ma nes­te arti­go, do reco­nhe­ci­men­to dos pató­ge­nos cau­sa­do­res das mas­ti­tes por meio da cul­tu­ra na fazenda.

Outro pon­to a ser leva­do em con­si­de­ra­ção é a  higi­e­ne no momen­to da orde­nha. Ela con­sis­te nas eta­pas de lim­pe­za e desin­fec­ção dos tetos com pré-dip­ping, exa­me dos pri­mei­ros jatos de lei­te antes da orde­nha, seca­gem dos tetos com toa­lhas des­car­tá­veis, iní­cio da orde­nha pro­pri­a­men­te dita e mane­jo da vaca pós orde­nha, uti­li­zan­do pós-dip­ping. Este últi­mo, é efi­caz tan­to para com­ba­ter micror­ga­nis­mos da mas­ti­te con­ta­gi­o­sa, atra­vés da desin­fec­ção dos tetos, quan­to da mas­ti­te ambi­en­tal, evi­tan­do a entra­da de micror­ga­nis­mos pro­ve­ni­en­tes do ambiente.

Por isso, é impor­tan­te que o pro­du­tor de lei­te tenha a real cons­ci­ên­cia da impor­tân­cia des­sas ações que devem ser segui­das para, assim, tam­bém trei­nar os seus fun­ci­o­ná­ri­os para este momento.

Ain­da abor­dan­do o tema pre­ven­ção, uma outra medi­da é rea­li­zar o mane­jo cor­re­to na seca­gem das vacas, já que o iní­cio e final des­te perío­do são os de mai­or ris­co para que as infec­ções intra­ma­má­ri­as se ins­ta­lem já que o úbe­re está mais sus­ce­tí­vel. O con­tro­le de mas­ti­te no perío­do seco tem por fina­li­da­de dimi­nuir o núme­ro de mamas doen­tes na pró­xi­ma lac­ta­ção, eli­mi­nar infec­ções intra­ma­má­ri­as exis­ten­tes e impe­dir novas infec­ções duran­te o perío­do seco.

Resu­min­do, pre­ve­nir sem­pre é o melhor remé­dio! Vale sem­pre a equi­pe se atu­a­li­zar sobre o tema e con­tar fer­ra­men­tas que aju­dem no dia a dia da lei­te­ria. Além dis­so, man­ter o reba­nho sau­dá­vel tam­bém con­tri­bui para o bem-estar ani­mal, tema de extre­ma rele­vân­cia para a pro­du­ção ani­mal no pre­sen­te e no futuro.