Esteja atento à etapa de nascimento para garantir qualidade de rebanho - Balde Branco

Com cui­da­dos e equi­pa­men­tos ade­qua­dos dis­po­ní­veis na pro­pri­e­da­de auxi­li­am na manu­ten­ção de bai­xas taxas de mor­ta­li­da­de de bezerros

 
 

Esteja atento à etapa de nascimento para garantir qualidade de rebanho 

Por Gia­na Hirose

Médi­ca-vete­ri­ná­ria e geren­te naci­o­nal de ven­das da Agrozootec

As bezer­ras e bezer­ros são o ápi­ce da gené­ti­ca de qual­quer pro­pri­e­da­de. Garan­tir sua boa saú­de, des­de os pri­mei­ros minu­tos de vida, é fun­da­men­tal para que o ani­mal ini­cie bem sua vida pro­du­ti­va (seja de lei­te ou de cor­te). Para isso, é impor­tan­te que este­jam asse­gu­ra­das bai­xas taxas de mor­ta­li­da­de e morbidade.

Por­tan­to, a aten­ção deve ser des­de o pré-par­to, quan­do é pen­sa­do na ali­men­ta­ção, bem-estar e calen­dá­rio de vaci­na­ção das mães, como tam­bém, duran­te o mane­jo de nas­ci­men­to com cal­ma e agi­li­da­de. Após o nas­ci­men­to do bezer­ro é essen­ci­al uma aten­ção espe­ci­al a sua saú­de, prin­ci­pal­men­te em seus pri­mei­ros 60 dias de vida. O desen­vol­vi­men­to das futu­ras vacas ou tou­ros, depen­de essen­ci­al­men­te des­sas eta­pas. Vamos falar sobre cada uma delas?

  1. Par­to

O cui­da­do com os bezer­ros recém-nas­ci­dos pre­ci­sa come­çar antes do nas­ci­men­to, no momen­to pré-par­to. As vacas devem ter suas ‘mater­ni­da­des’, locais sepa­ra­dos dos demais ani­mais, lim­po, seco e com sombreamento.

A fazen­da tam­bém deve estar pre­pa­ra­da com equi­pa­men­tos ade­qua­dos para auxi­li­ar a vaca, no par­to, se neces­sá­rio. Caso tenha pro­ble­ma para parir o bezer­ro, exis­te no mer­ca­do o fór­ceps bovi­no, cuja fun­ção é faci­li­tar a reti­ra­da do ani­mal com rapi­dez e agi­li­da­de, sem machucá-lo.

Com a colo­ca­ção cor­re­ta e ajus­te na catra­ca do equi­pa­men­to, o ani­mal é reti­ra­do sem mui­to esfor­ço físi­co de quem está fazen­do o pro­ce­di­men­to, e o mais impor­tan­te, da for­ma cor­re­ta (FOTO).Os equi­pa­men­tos devem ser usa­dos sem­pre com a super­vi­são de um médi­co veterinário.

  1. Cura do umbigo

A cura de umbi­go deve ser fei­ta ime­di­a­ta­men­te após o nas­ci­men­to do bezer­ro, fazen­do a imer­são do cor­dão umbi­li­cal no iodo duran­te 30 segun­dos. Esse pro­ce­di­men­to deve ser fei­to 2 vezes por dia, até a seca­gem do umbi­go, fazen­do assim com que ele se des­pren­da do abdô­men ao secar.

Uma cura mal fei­ta do umbi­go, resul­ta em ani­mais fra­cos, poden­do até levar a morte.

Se o bezer­ro tem con­ta­to com um local infec­ta­do e o umbi­go mal cura­do, a fon­te de infec­ção por essa via é mui­to gran­de, sen­do assim, a bac­té­ria pode alcan­çar rapi­da­men­te todo seu orga­nis­mo atra­vés do umbigo.

  1. Lim­pe­za

Após garan­tir um local lim­po e seco para a vaca e sua cria, é impor­tan­te que seja fei­to um acom­pa­nha­men­to para garan­tir que a mãe faça a lim­pe­za cor­re­ta de todos os fluí­dos no recém-nas­ci­do. Esta lim­pe­za vai garan­tir que o neo­na­to con­si­ga fazer a inges­tão cor­re­ta do colos­tro sem dificuldades.

Porém, se a mãe não con­se­guir fazer essa lim­pe­za de um modo efi­ci­en­te, a aspi­ra­ção do líqui­do amnió­ti­co das vias aére­as do filho­te deve ser fei­ta manu­al­men­te, eo quan­to antes, com equi­pa­men­tos apro­pri­a­dos para esse pro­ces­so, para isso exis­te o res­pi­ra­dor para bezer­ros neo­na­to que suga­rá toda essa secreção.

  1. Inges­tão do colostro

O colos­tro, que é o pri­mei­ro lei­te pro­du­zi­do pela vaca, pos­sui um alto valor nutri­ti­vo, é rico em pro­teí­nas, lipí­de­os, vita­mi­nas, mine­rais e enzi­mas. Ele deve ser o pri­mei­ro ali­men­to a ser con­su­mi­do pelo bezer­ro nas pri­mei­ras 12 horas de vida. A fun­ção é aju­dar a aumen­tar os anti­cor­pos que são essen­ci­ais para garan­tir a imu­ni­da­de do bezer­ro recém-nascido.

A pla­cen­ta dos bovi­nos pro­te­ge o bezer­ro con­tra a mai­o­ria das infec­ções bac­te­ri­a­nas ou virais, mas ao mes­mo tem­po, impe­de a pas­sa­gem de pro­teí­nas séri­cas e prin­ci­pal­men­te imu­no­glo­bu­li­nas. Por esse moti­vo, que ao nas­cer, o ani­mal não apre­sen­ta imu­ni­da­de ade­qua­da, tornando‑o depen­den­te da trans­fe­rên­cia pas­si­va de imu­no­glo­bu­li­nas mater­nas atra­vés do colostro.

Caso o bezer­ro não quei­ra mamar nas pri­mei­ras horas de vida, é neces­sá­rio a uti­li­za­ção de mama­dei­ras para ali­men­ta­ção for­ça­da para alei­ta­men­to, elas devem estar dis­po­ní­veis na fazen­da e bem higi­e­ni­za­das, pois o lei­te é um óti­mo meio de cul­tu­ra de bactérias.

  1. Ver­mi­fu­ga­ção e vacina

Os bezer­ros devem ser ver­mi­fu­ga­dos aos dois, qua­tro e seis meses de ida­de, com vaci­na­do­ras ade­qua­das, de acor­do com o calen­dá­rio sani­tá­rio da pro­pri­e­da­de. Em segui­da, após a des­ma­ma devem entrar no pro­gra­ma de ver­mi­fu­ga­ção estra­té­gi­ca e vaci­na­ção ado­ta­dos na propriedade.

Com todos esses cui­da­dos sani­tá­ri­os e com a uti­li­za­ção dos equi­pa­men­tos ade­qua­dos para tais pro­ce­di­men­tos, com cer­te­za a fazen­da terá um reba­nho de melhor qualidade.

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