Escola assume compromisso com o leite - Balde Branco

Os estu­dan­tes de ensi­no médio da Fun­da­ção Roge têm em sua for­ma­ção uma exten­são a mais que a exi­gi­da pelo MEC: o cur­so téc­ni­co vol­ta­do para pecuá­ria de leite

Por Nel­son Rentero

A esco­la Fun­da­ção Roge não é nova: foi cri­a­da há 18 anos. Por ela já pas­sa­ram mais de 1.300 alu­nos de cer­ca de 300 muni­cípios de dife­ren­tes esta­dos. Des­de o iní­cio, sem­pre inves­tiu na for­ma­ção inte­gra­da do ensi­no con­vencional do segun­do grau regulamen­tado pelo Minis­té­rio da Edu­ca­ção com cur­sos téc­ni­cos vol­ta­dos para agricul­tura, pecuá­ria, turis­mo e agro­e­ner­gia. Uma pro­pos­ta mui­to bem-suce­di­da, segun­do ex-alu­nos. Entre­tan­to, há dois anos, a dire­ção resol­veu ajus­tar o pla­no ori­gi­nal e se vol­tar para uma deman­da pon­tu­al: for­mar téc­ni­cos espe­ci­a­li­za­dos em pecuá­ria de leite.

Foi assim que sur­giu o que vem sen­do cha­ma­do Aca­de­mia do Lei­te, esco­la man­ti­da pela Fun­da­ção Roge, loca­li­za­da em Del­fim Morei­ra, no sul de Minas Gerais. A deci­são envol­ve estu­dan­tes na fai­xa de 14 a 18 anos, de ambos os sexos, com aulas em pe­ríodo inte­gral. O cur­so é gra­tui­to e está aces­sí­vel para quem pas­sar por uma pro­va que anu­al­men­te sele­ci­o­na 50 can­di­da­tos, cer­ca de um quin­to do nú­mero de ins­cri­tos. O pro­je­to repre­sen­ta a pri­mei­ra esco­la do País dedi­ca­da à for­ma­ção e capa­ci­ta­ção de especialis­tas na pro­du­ção leiteira.

Por trás da ini­ci­a­ti­va não está o go­verno, tam­pou­co con­ta com seu apoio ou de algu­ma enti­da­de ou ins­ti­tui­ção ofi­ci­al. Está, sim, a rea­li­za­ção de um pro­je­to pla­ne­ja­do há qua­se duas dé­cadas por dois pro­du­to­res de lei­te e sóci­os de uma empre­sa, a Roge, do seg­men­to de dis­tri­bui­ção de pro­du­tos de higi­e­ne pes­so­al: Getú­lio Rai­mun­do de Assis e Rogé­rio Cam­pos Lima. “Sem­pre aca­len­ta­mos a ideia de fazer algo de bom à soci­e­da­de trans­fe­rin­do um pou­co do que ganha­mos como empre­sá­ri­os. E a esco­la se mos­trou a melhor opção para isso”, diz Assis.

A tur­ma atu­al, nos três anos de dura­ção do cur­so, soma 73 alu­nos. Ao todo, são 2.400 horas no ensi­no médio, a car­go de nove pro­fes­so­res, e 1.200 horas no ensi­no téc­ni­co, com mais sete. Na ocu­pa­ção do perío­do inte­gral fazem par­te tam­bém aulas de músi­ca, tea­tro, espor­te e dan­ça. “Mui­tos alu­nos des­cobrem talen­tos com essas prá­ti­cas”, diz a dire­to­ra Car­men Lucia Alves, reve­lan­do que a eva­são é míni­ma. Ela coor­de­na o tra­ba­lho com­pro­me­ti­do dos pro­fes­so­res com o for­ma­to dife­ren­ci­a­do da pro­pos­ta educacional.

Sinais dis­so estão no pró­prio pro­cesso de admis­são dos alu­nos. Uma reda­ção e a entre­vis­ta com o estu­dan­te e sua famí­lia defi­nem a sele­ção. “Que­remos iden­ti­fi­car a afi­ni­da­de do can­di­da­to com o cam­po, a ade­qua­ção do seu per­fil e sua ori­gem para o cur­so e para a ati­vi­da­de lei­tei­ra, a impor­tân­cia do estu­do para melho­ria do seu qua­dro so­cioeconômico, entre outros fato­res”, rela­ta. A esco­la não ofe­re­ce alo­ja­men­to nem refei­ções. Os estu­dan­tes que não moram nas proximi­dades ocu­pam pen­sões ou casas alu­ga­das na cida­de, onde se ali­men­tam e moram duran­te a semana.

A orga­ni­za­ção cur­ri­cu­lar é da equi­pe de pro­fes­so­res. Para o cur­so médio, segue-se o mode­lo suge­ri­do pelo Minis­té­rio da Edu­ca­ção e Cul­tu­ra, enquan­to para o cur­so téc­ni­co ado­tam uma matriz cur­ri­cu­lar espe­cí­fi­ca para o cur­so de bovino­cultura lei­tei­ra, com dis­ci­pli­nas como nutri­ção, qua­li­da­de do lei­te, forragicul­tura, melho­ra­men­to gené­ti­co ani­mal, cria e recria, ges­tão ambi­en­tal, repro­du­ção, uso e con­ser­va­ção do solo, in­glês téc­ni­co e meto­do­lo­gia cien­tí­fi­ca. Deta­lhe: no cur­so de nível médio, sem­pre que pos­sí­vel, as aulas são con­textualizadas com o meio rural e a ati­vi­da­de leiteira.

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Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 636, de outu­bro 2017

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