Embriões sem uso de laboratório - Balde Branco

Tra­ta-se de uma bio­téc­ni­ca que apre­sen­ta todas as van­ta­gens da fecun­da­ção in vitro com a van­ta­gem de não pre­ci­sar de labo­ra­tó­rio para ser realizada

A Embra­pa Recur­sos Gené­ti­cos e Bio­tec­no­lo­gia, de Bra­sí­lia-DF, apre­sen­tou ao mer­ca­do no últi­mo dia 29 de dezem­bro a tec­no­lo­gia deno­mi­na­da TIFOI (trans­fe­rên­cia intra­fo­li­cu­lar de ovó­ci­tos ima­tu­ros). Tra­ta-se de uma bio­téc­ni­ca que apre­sen­ta todas as van­ta­gens da fecun­da­ção in vitro (FIV) com um bene­fí­cio adi­ci­o­nal: o fato de não pre­ci­sar de labo­ra­tó­rio para ser rea­li­za­da. Os cri­a­do­res podem obter os embriões com a mes­ma rapi­dez e agi­li­da­de da FIV, ou seja, em tor­no de um bezer­ro por sema­na a par­tir de uma úni­ca vaca doa­do­ra, sem pre­ci­sar sair da sua fazenda.

O Bra­sil é o pri­mei­ro país a obter êxi­to rea­li­zan­do a TIFOI de manei­ra com­ple­ta. Há ape­nas um rela­to de suces­so no uso da téc­ni­ca na Ale­ma­nha. No entan­to, o expe­ri­men­to euro­peu uti­li­zou labo­ra­tó­rio no decor­rer do pro­ces­so, o que tor­na o resul­ta­do incom­ple­to. O desen­vol­vi­men­to da TIFOI bra­si­lei­ra obte­ve nas­ci­men­to de três bezer­ros na Fazen­da Sucu­pi­ra, cam­po expe­ri­men­tal da Embra­pa loca­li­za­do em Bra­sí­lia-DF. O suces­so gerou o regis­tro da mar­ca jun­to ao Ins­ti­tu­to Naci­o­nal da Pro­pri­e­da­de Indus­tri­al (INPI).

A FIV é hoje a bio­téc­ni­ca mais uti­li­za­da no melho­ra­men­to gené­ti­co ani­mal no Bra­sil, pela capa­ci­da­de de aumen­tar o núme­ro de des­cen­den­tes de uma vaca em menos tem­po. Para se ter uma ideia da poten­ci­a­li­da­de das bio­téc­ni­cas repro­du­ti­vas de mai­or impac­to uti­li­za­das hoje na pecuá­ria glo­bal, pode-se esti­mar que a inse­mi­na­ção arti­fi­ci­al (IA) per­mi­te a obten­ção de um bezer­ro por ano; a trans­fe­rên­cia clás­si­ca de embriões (TE), um por mês; enquan­to a FIV é capaz de pro­du­zir um bezer­ro por semana.

A vaca é o laboratório
Segun­do a pes­qui­sa­do­ra da Embra­pa, Mar­got Dode, a FIV repre­sen­tou um avan­ço sig­ni­fi­ca­ti­vo em rela­ção às outras bio­tec­no­lo­gi­as. “O País é líder mun­di­al na pro­du­ção de embriões bovi­nos, com 450 mil dos 600 mil embriões pro­du­zi­dos mun­di­al­men­te”, cita.

Embriões pro­du­zi­dos in vitro são aque­les obti­dos fora do orga­nis­mo mater­no, em con­di­ções labo­ra­to­ri­ais. Nes­se pro­ces­so, os ovó­ci­tos (óvu­los) são aspi­ra­dos antes do tem­po, ain­da ima­tu­ros, e depois, são matu­ra­dos e fecun­da­dos em labo­ra­tó­rio. Sete dias depois são trans­fe­ri­dos para as vacas recep­to­ras, ou mães de aluguel.

Uma das des­van­ta­gens des­sa téc­ni­ca é que os embriões pro­du­zi­dos em con­di­ções de labo­ra­tó­rio pos­su­em qua­li­da­de infe­ri­or à dos embriões pro­du­zi­dos no orga­nis­mo mater­no e, por­tan­to, são menos resis­ten­tes ao con­ge­la­men­to sen­do mui­tos deles inca­pa­zes de man­ter a gestação.

E é jus­ta­men­te nes­se pon­to que resi­de a mai­or van­ta­gem da TIFOI. O pro­ces­so todo é fei­to den­tro do pró­prio ani­mal. Gros­so modo, a vaca é o labo­ra­tó­rio. Os óvu­los são aspi­ra­dos da mes­ma manei­ra que na FIV, mas em vez de matu­ra­dos em labo­ra­tó­rio, são cul­ti­va­dos den­tro do cor­po de um ani­mal (ovu­la­do­ra), apro­vei­tan­do o seu pro­ces­so repro­du­ti­vo natural.

Depois da ovu­la­ção, os óvu­los são fecun­da­dos por inse­mi­na­ção arti­fi­ci­al (IA). Sete dias depois, os embriões que se desen­vol­ve­ram são cole­ta­dos e trans­fe­ri­dos para a vaca recep­to­ra (bar­ri­ga de alu­guel), seme­lhan­te ao que ocor­re na trans­fe­rên­cia clás­si­ca de embriões. “Além dos embriões serem pro­du­zi­dos natu­ral­men­te no tra­to repro­du­ti­vo da fêmea, a téc­ni­ca dis­pen­sa todos os com­po­nen­tes de labo­ra­tó­rio”, deta­lha Margot.

Todo o pro­ces­so se dá de for­ma natu­ral, apro­vei­tan­do os even­tos fisi­o­ló­gi­cos da vaca ovu­la­do­ra, o que impri­me mais qua­li­da­de aos embriões. “Além dis­so, por dis­pen­sar a neces­si­da­de de labo­ra­tó­rio, dimi­nui sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te os cus­tos finais de pro­du­ção”, com­ple­men­ta a pes­qui­sa­do­ra. “Além de man­ter todas as van­ta­gens da FIV, a TIFOI eli­mi­na as des­van­ta­gens”, conclui.

O pró­xi­mo pas­so é aumen­tar a efi­ci­ên­cia e trans­fe­rir a tec­no­lo­gia ao setor pro­du­ti­vo, o que deve­rá ser fei­to a par­tir de cur­sos e publicações.

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Tex­to redi­gi­do por Fer­nan­da Diniz, da área de comu­ni­ca­ção da Embra­pa Recur­sos Gené­ti­cos e Biotecnologia 

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