Em 23 anos, Brasil acumula 50.944 casos de raiva em herbívoros - Balde Branco

O prin­ci­pal trans­mis­sor da doen­ça nos her­bí­vo­ros é o mor­ce­go hema­tó­fa­go da espé­cie Des­mo­dus rotun­dus, tam­bém conhe­ci­do como mor­ce­go vampiro

Em 23 anos, Brasil acumula 50.944 casos de raiva em herbívoros 

Foca­do em con­tro­lar a ocor­rên­cia de rai­va nos her­bí­vo­ros no Bra­sil, o Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Mapa), por meio Pro­gra­ma Naci­o­nal de Con­tro­le da Rai­va dos Her­bí­vo­ros (PNCRH), tra­ba­lha com estra­té­gi­as de vaci­na­ção dos her­bí­vo­ros domés­ti­cos (bovi­nos, buba­li­nos, capri­nos, ovi­nos e equi­nos)  e o con­tro­le da popu­la­ção de mor­ce­gos hema­tó­fa­gos. Segun­do dados do PNCRH, anu­al­men­te são regis­tra­dos cen­te­nas de óbi­tos pela doen­ça em ani­mais de pro­du­ção, geran­do um impac­to econô­mi­co e soci­al elevado.

Nos her­bí­vo­ros, a rai­va é trans­mi­ti­da prin­ci­pal­men­te por mor­ce­gos hema­tó­fa­gos, tam­bém conhe­ci­dos como mor­ce­gos vam­pi­ros, espe­ci­al­men­te os da espé­cie Des­mo­dus rotun­dus (foto), por meio da mor­di­da. A doen­ça não tem tra­ta­men­to, sen­do inva­ri­a­vel­men­te fatal uma vez ini­ci­a­dos os sinais clí­ni­cos. Ao con­trá­rio de ani­mais de peque­no por­te, como cães, a rai­va em her­bí­vo­ros se mani­fes­ta com sin­to­mas de para­li­sia, que­da, tre­mo­res, movi­men­tos de peda­la­gem e  dila­ta­ção da pupila. 

A rai­va em her­bí­vo­ros tem sido noti­fi­ca­da em todos os esta­dos e já regis­tra 50.944 casos de 1999 até julho de 2022. No ano de 2021, foram regis­tra­dos no Bra­sil 661 casos de rai­va, des­tes 642 em rumi­nan­tes. De acor­do com os regis­tros, 109 casos (17%) ocor­re­ram em São Pau­lo, segui­do por 92 (14,3%) em Minas Gerais e 65 (10,1%) no Para­ná. Os demais esta­dos apre­sen­ta­ram menos de 10% de casos.

Den­tre os mai­o­res ris­cos para a pecuá­ria naci­o­nal inclu­em-se a per­da dire­ta de ani­mais por se tra­tar de uma doen­ça fatal, redu­ção do ganho de peso dos ani­mais devi­do às espo­li­a­ções cons­tan­tes por par­te dos mor­ce­gos hema­tó­fa­gos, con­ta­to ou expo­si­ção dos tra­ba­lha­do­res com ani­mais doen­tes, o que gera a bus­ca por tra­ta­men­to, acar­re­tan­do afas­ta­men­to do tra­ba­lho, assim como fato­res psi­cos­so­ci­ais devi­do ao tra­ta­men­to e aos óbi­tos de humanos.

As ati­vi­da­des de con­tro­le da rai­va em her­bí­vo­ros são coor­de­na­das e super­vi­si­o­na­das pelo Mapa e exe­cu­ta­das pelos Órgão Esta­du­ais de Defe­sa Sani­tá­ria Ani­mal. A vaci­na­ção con­tra a rai­va nos ani­mais é reco­men­da­da a par­tir de três meses de ida­de, refor­ço após 30 dias e a reva­ci­na­ção anu­al para o controle. 

Caso um her­bí­vo­ro apre­sen­te sinais neu­ro­ló­gi­cos, o Mapa ori­en­ta que o pro­du­tor entre em con­ta­to com o Órgão de Defe­sa Sani­tá­ria Ani­mal de seu esta­do para noti­fi­car a sus­pei­ta e, assim, pro­pi­ci­ar as ações de con­tro­le e vigi­lân­cia da doença.

Fon­te: Mapa