Produtores de leite criam associação para obter melhor preço - Balde Branco

Produtores de leite criam associação para obter melhor preço

Inves­tir numa ati­vi­da­de e não ter seus pro­du­tos valo­ri­za­dos pelo mer­ca­do é uma rea­li­da­de para mui­tos pro­du­to­res. Uma opção para ven­cer esse obs­tá­cu­lo é a união de for­ças. Saben­do dis­so, pro­du­to­res de lei­te do muni­cí­pio de Ituiu­ta­ba, no Tri­ân­gu­lo Minei­ro, deci­di­ram se orga­ni­zar para rece­ber um valor melhor pelo pro­du­to que oferecem.

A recla­ma­ção era geral entre os pecu­a­ris­tas, com rela­ção ao valor pago pelo litro de lei­te na região. “A recei­ta da ati­vi­da­de cor­res­pon­de em média a 80% da ren­da das famí­li­as, daí jus­ti­fi­ca-se tal desâ­ni­mo do gru­po”, diz o exten­si­o­nis­ta da empre­sa Rodri­go Este­ves de Melo.

Ori­en­ta­dos pela Ema­ter-MG, eles for­ma­ram a Asso­ci­a­ção dos Pro­du­to­res de Lei­te do Cór­re­go do Açu­de e Região (Açu­lei­te). A Ema­ter-MG e a pre­fei­tu­ra auxi­li­a­ram na cons­ti­tui­ção legal da asso­ci­a­ção, que logo fir­mou um con­tra­to com um lati­cí­nio, ten­do como refe­rên­cia o pre­ço médio segun­do levan­ta­men­to do Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da (Cepea/USP) para o Tri­ân­gu­lo Minei­ro. Pelo acor­do, os pro­du­to­res rece­bem R$ 0,30 a mais do que antes por cada litro de leite.

Os pecu­a­ris­tas rece­bem toda assis­tên­cia téc­ni­ca da Ema­ter-MG para a pro­du­ção de um lei­te de qua­li­da­de. “Os pro­du­to­res estão mais oti­mis­tas em rela­ção ao futu­ro de suas famí­li­as na pro­pri­e­da­de, sen­do que, para alguns, antes da for­ma­ção do gru­po, o aban­do­no da ati­vi­da­de já era uma opção”, rela­ta o extensionista.

Os bons resul­ta­dos atraí­ram a aten­ção de outros pro­du­to­res e, hoje, o gru­po con­ta com 43 mem­bros. “Os resul­ta­dos não se medem ape­nas em valo­res mone­tá­ri­os, hou­ve uma mai­or cons­ci­en­ti­za­ção das famí­li­as em rela­ção a impor­tân­cia de ações cole­ti­vas, tan­to no âmbi­to soci­al, ambi­en­tal e cul­tu­ral”, res­sal­ta o téc­ni­co da Emater-MG.

A vete­ri­ná­ria Maria Nabuls­si Noguei­ra aju­da o pai, Pau­lo Noguei­ra, a cui­dar da pro­du­ção de lei­te da famí­lia, no Cór­re­go do Açu­de. Eles fazem par­te da Açu­lei­te. Segun­do Maria Noguei­ra, em mui­tos casos os lati­cí­ni­os valo­ri­zam mais os gran­des pro­du­to­res. “A gen­te rece­bia menos. Eles não têm inte­res­se de com­prar do peque­no, então pagam menos. Mas o peque­no pro­du­tor mui­tas vezes tem mais gas­tos do que os gran­des”, diz a veterinária. 

Para ela, a for­ma­ção da Açu­lei­te só apre­sen­ta pon­tos posi­ti­vos, come­çan­do pelo melhor valor pago pelo lei­te dos pro­du­to­res da asso­ci­a­ção. “Faz mui­ta dife­ren­ça para gen­te. Nós tra­ba­lha­mos com uma mar­gem de lucro mui­to peque­na. Esse pou­co, R$ 0,30 a mais por litro de lei­te, é mui­to para nós”, con­ta a Maria Nogueira.

Ela ain­da res­sal­ta que, após a cri­a­ção da Açu­lei­te, os pro­du­to­res se for­ta­le­ce­ram e têm mais repre­sen­ta­ti­vi­da­de para rei­vin­di­car seus direi­tos e melho­ri­as para a comunidade.

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