Agro brasileiro preserva 4 Franças de florestas e matas nativas - Balde Branco

As áre­as dedi­ca­das à pre­ser­va­ção da vege­ta­ção nati­va pelo agro bra­si­lei­ro somam 282,8 milhões de hec­ta­res e repre­sen­tam 33,2% do ter­ri­tó­rio brasileiro

 
 
 

Agro brasileiro preserva 4 Franças de florestas e matas nativas, aponta novo estudo da Embrapa 

A área de pre­ser­va­ção ambi­en­tal em pro­pri­e­da­des rurais é esti­ma­da em 282,8 milhões de hec­ta­res e que repre­sen­ta 33,2% do ter­ri­tó­rio nacional

As áre­as dedi­ca­das à pre­ser­va­ção da vege­ta­ção nati­va pelo agro bra­si­lei­ro somam 282,8 milhões de hec­ta­res e repre­sen­tam 33,2% do ter­ri­tó­rio bra­si­lei­ro. Para se ter uma ideia, essa área repre­sen­ta um pou­co mais de qua­tro vezes o ter­ri­tó­rio da Fran­ça ou qua­se oito vezes o ter­ri­tó­rio da Ale­ma­nha. Os núme­ros vêm de um novo estu­do divul­ga­do nes­ta segun­da-fei­ra, 25, pela Embra­pa Ter­ri­to­ri­al, com sede em Cam­pi­nas (SP), e foi base­a­do nos dados do geo­pro­ces­sa­men­to do Cen­so Agro­pe­cuá­rio 2017, do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca (IBGE) e do Sis­te­ma Naci­o­nal do Cadas­tro Ambi­en­tal Rural (SiCAR), do gover­no federal.

Ao todo, o con­jun­to esti­ma­do, mape­a­do e geo­co­di­fi­ca­do dos ter­ri­tó­ri­os das áre­as pro­te­gi­das (ter­ras públi­cas) e pre­ser­va­das (ter­ras pri­va­das) no Bra­sil tota­li­za 480,30 milhões de hec­ta­res ou 56,4% do País. Essa área repre­sen­ta 7,5 vezes o tama­nho do ter­ri­tó­rio da França.

O dado ante­ri­or era de uma pre­ser­va­ção de 218,25 milhões de hec­ta­res, 25,67% do ter­ri­tó­rio naci­o­nal. A atu­a­li­za­ção do estu­do teve dados com­pi­la­dos até feve­rei­ro des­te ano. Cli­que aqui para aces­sar os mate­ri­ais e méto­dos uti­li­za­dos no tra­ba­lho, além do deta­lha­men­to de núme­ros e mapas em nível de muni­cí­pio que ser­vi­ram para fun­da­men­tar o estudo.

Quan­ti­fi­ca­ção ter­ri­to­ri­al da ocu­pa­ção, dos usos das ter­ras e das áre­as des­ti­na­das à pre­ser­va­ção, con­ser­va­ção e pro­te­ção da vege­ta­ção nati­va no Bra­sil (2021)

Des­de 2016, a Embra­pa Ter­ri­to­ri­al desen­vol­ve e apri­mo­ra méto­dos para quan­ti­fi­car o papel da agro­pe­cuá­ria na pre­ser­va­ção da vege­ta­ção nati­va, em áre­as de pre­ser­va­ção per­ma­nen­te, reser­va legal e vege­ta­ção exce­den­te. Os estu­dos são fei­tos com o geo­pro­ces­sa­men­to dos dados car­to­grá­fi­cos sobre a vege­ta­ção nati­va, regis­tra­dos pelos pró­pri­os pro­du­to­res rurais sobre ima­gens de saté­li­tes no Cadas­tro Ambi­en­tal Rural (CAR), uma exi­gên­cia do Códi­go Flo­res­tal Bra­si­lei­ro.

No entan­to, mui­tos imó­veis rurais ain­da não se regis­tra­ram no CAR. O novo estu­do uti­li­zou os dados geor­re­fe­ren­ci­a­dos do Cen­so Agro­pe­cuá­rio 2017 como um com­ple­men­to, para obter o volu­me de ter­ras dedi­ca­das à pre­ser­va­ção nes­ses casos. O Cen­so Agro­pe­cuá­rio do IBGE de 2017 incluiu as coor­de­na­das geo­grá­fi­cas dos esta­be­le­ci­men­tos agro­pe­cuá­ri­os visi­ta­dos pelos recen­se­a­do­res, bem como os tra­je­tos por eles percorridos.

“Dis­por das coor­de­na­das geo­grá­fi­cas de qua­se 6 milhões de esta­be­le­ci­men­tos agro­pe­cuá­ri­os per­mi­tiu quan­ti­fi­car, em 2021, quem ain­da não se cadas­trou no CAR e iden­ti­fi­car os padrões de sua repar­ti­ção ter­ri­to­ri­al”, infor­ma o che­fe-geral da Embra­pa Ter­ri­to­ri­al, Eva­ris­to de Miran­da, coor­de­na­dor da pesquisa.

Esta­be­le­ci­men­tos sem CAR

A Embra­pa Ter­ri­to­ri­al cru­zou as coor­de­na­das geo­grá­fi­cas de 5.063.771 esta­be­le­ci­men­tos agro­pe­cuá­ri­os do Cen­so 2017 com os perí­me­tros de 5.953.139 imó­veis regis­tra­dos no CAR até feve­rei­ro de 2021 e iden­ti­fi­cou 1.885.955 esta­be­le­ci­men­tos sem cadas­tro no SiCAR.

Com os dados médi­os de vege­ta­ção nati­va levan­ta­dos pelo Cen­so do IBGE, a Embra­pa Ter­ri­to­ri­al esti­mou em 55.443.219 de hec­ta­res as áre­as dedi­ca­das à pre­ser­va­ção nos esta­be­le­ci­men­tos não regis­tra­dos no SiCAR. Isso equi­va­le a 6,5% do ter­ri­tó­rio nacional.

Já as áre­as mape­a­das pelos pro­du­to­res no CAR até feve­rei­ro de 2021, como dedi­ca­das à vege­ta­ção nati­va, che­gam a 227.415.630 hec­ta­res ou 26,7% do Bra­sil. A soma des­ses dois núme­ros resul­ta em um ter­ço do ter­ri­tó­rio bra­si­lei­ro des­ti­na­do à pre­ser­va­ção pelo mun­do rural, a mai­o­ria em ter­ras privadas.

O cadas­tra­men­to no CAR exi­ge aces­so à inter­net, conhe­ci­men­tos de geo­pro­ces­sa­men­to e supor­te téc­ni­co. A aná­li­se da repar­ti­ção espa­ci­al dos pro­du­to­res não regis­tra­dos no CAR pela Embra­pa mos­tra sua con­cen­tra­ção na Amazô­nia, no semiá­ri­do Nor­des­ti­no e em locais de agri­cul­tu­ra familiar.

Pers­pec­ti­va inédita

A pes­qui­sa indi­ca, por muni­cí­pio, o avan­ço da infor­ma­ti­za­ção e da cone­xão no cam­po e os locais onde isso ain­da não ocor­reu. “No CAR é o pro­du­tor quem vai em dire­ção ao Esta­do regis­trar seus dados. No Cen­so Agro­pe­cuá­rio, é o Esta­do quem envia seus recen­se­a­do­res em dire­ção do pro­du­tor, onde quer que ele este­ja”, expli­ca Miranda.

O pes­qui­sa­dor acres­cen­ta que “os novos méto­dos de inte­gra­ção do Cen­so com o CAR per­mi­tem uma com­pre­en­são iné­di­ta da ter­ri­to­ri­a­li­da­de da agri­cul­tu­ra bra­si­lei­ra, de sua pro­du­ção e de seus ser­vi­ços ambi­en­tais, ao des­ti­nar à pre­ser­va­ção da vege­ta­ção uma área equi­va­len­te a um ter­ço do ter­ri­tó­rio nacional”.

Mate­ri­ais

No site Agri­cul­tu­ra e Pre­ser­va­ção, além do deta­lha­men­to de todo o tra­ba­lho, está dis­po­ní­vel um pai­nel dinâ­mi­co. Nele, o usuá­rio pode visu­a­li­zar núme­ros, mapas e grá­fi­cos e fazer o down­lo­ad dos dados refe­ren­tes às áre­as dedi­ca­das à pre­ser­va­ção da vege­ta­ção nati­va nos imó­veis rurais do CAR por muni­cí­pio, esta­do ou região.

É pos­sí­vel tam­bém, uti­li­zar como recor­te ter­ri­to­ri­al os bio­mas bra­si­lei­ros. A pági­na apre­sen­ta, ain­da, dois pôs­te­res pre­pa­ra­dos pela equi­pe da Embra­pa Ter­ri­to­ri­al: um com o resu­mo das áre­as pro­te­gi­das no Bra­sil e no mun­do e outro com as áre­as pre­ser­va­das pelo mun­do rural bra­si­lei­ro. Ambos para down­lo­ad em alta resolução.

Fon­te: Embra­pa Territorial

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