Covid-19 e propriedade de leite: cuidados que o produtor deve tomar

BIOSSEGURIDADE

Covid-19 e propriedade de leite: cuidados que o produtor deve tomar 

Em tempos de pandemia, a biosseguridade tornou-se um conceito vital para produtores rurais 

Rubens Neiva e Carolina Rodrigues*
Do Núcleo de Comunicação da Embrapa Gado de Leite

A bios­se­gu­ri­da­de ganha nova dimen­são nas fazen­das, com a pan­de­mia do novo coro­na­ví­rus. Esse conceito,que envol­ve tan­to a saú­de dos ani­mais quan­to a do ser huma­no, é o con­jun­to de pro­ce­di­men­tos ado­ta­dos para lidar com os desa­fi­os que os agen­tes pato­gê­ni­cos impõem à pro­du­ção animal.Antes de mais nada, é impor­tan­te dei­xar cla­ro: as vacas não pegam, nem trans­mi­tem para as pes­so­as a Covid-19. O coro­na­ví­rus do bovi­no (BCoV) é dife­ren­te daSars-Cov‑2, que sur­giu na Chi­na e cau­sa a Covid-19. Espe­cí­fi­co dos bovi­nos, oBCoV traz pre­juí­zos econô­mi­cos para o pro­du­tor e pode pro­vo­car diar­reia neo­na­tal (bezer­ros) e disen­te­ria de inver­no (bovi­nos adul­tos), mas não cau­sa doen­ças no ser huma­no, seja na lida com o reba­nho, seja no con­su­mo de car­ne ou leite.Segundo pes­qui­sa­do­res do Ins­ti­tu­to Bio­ló­gi­co (IB-APTA), há vaci­nas no mer­ca­do con­tra o coro­na­ví­rus bovi­no, mas não há tra­ta­men­to para os ani­mais doen­tes e, como medi­da de con­ten­ção, o pro­du­tor deve sepa­rar o ani­mal con­ta­mi­na­do e ado­tar medi­das para evi­tar desi­dra­ta­ção e infec­ções oportunistas.

Segun­do o pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te, Már­cio Rober­to da Sil­va, os estu­dos de trans­mis­são da Covid-19 por ani­mais ain­da não são mui­to amplos, embo­ra haja regis­tros de trans­mis­são do ser huma­no para outras espé­ci­es como feli­nos (tigres, leões e gatos). Há ain­da um caso rela­ta­do em que um cachor­ro se infec­tou na Coreia do Sul. “Por enquan­to, segun­do a Orga­ni­za­ção Mun­di­al de Saú­de (OMS), o ser huma­no é o prin­ci­pal reser­va­tó­rio da doen­ça”, diz Sil­va. Mas isso não sig­ni­fi­ca que as fazen­das de lei­te este­jam livres do pro­ble­ma. Pelo con­trá­rio. Os cui­da­dos no cam­po devem ser redobrados.

Arqui­vo Embra­pa Gado de Leite

“Por enquanto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ser humano é o principal reservatório da doença”, diz Silva. Mas isso não significa que as fazendas de leite estejam livres do problema. Pelo contrário. Os cuidados no campo devem ser redobrados”

Márcio Roberto da Silva

O vírus se espa­lha prin­ci­pal­men­te por con­ta­to dire­to de pes­soa para pes­soa, entre indi­ví­du­os que estão pró­xi­mos, por meio de gotí­cu­las res­pi­ra­tó­ri­as, ou de for­ma indi­re­ta, por con­ta­to com super­fí­ci­es contaminadas.Silva aler­ta que essas duas for­mas de con­tá­gio são pos­sí­veis na lida diá­ria com o rebanho(veja entre­vis­ta no box 1). Numa sala de orde­nha, por exem­plo, há equi­pa­men­tos cujas super­fí­ci­es aumen­tam a sobre­vi­da do vírus. É o caso de plás­ti­cos e aço ino­xi­dá­vel, onde o novo coro­na­ví­rus per­ma­ne­ce ati­vo por até três dias (box 3). A pró­pria vaca pode se tor­nar um vetor mecâ­ni­co de trans­mis­são da doen­ça. Ima­gi­ne uma situ­a­ção na qual o ani­mal este­ja sen­do orde­nha­do por um vaquei­ro con­ta­mi­na­do; essa pes­soa espir­ra ou tos­se pró­xi­mo à vaca e o vírus se impreg­na na pela­gem do bovi­no. Outras pes­so­as cor­rem o ris­co de ado­e­cer ao manu­se­ar a região con­ta­mi­na­da des­sa vaca e levar as mãos ao ros­to. Por isso, Sil­va é taxa­ti­vo: “Os mes­mos cui­da­dos, como o uso de más­ca­ras e higi­e­ne das mãos e ambi­en­tes, ampla­men­te divul­ga­dos para a soci­e­da­de, devem ser toma­dos pelos tra­ba­lha­do­res numa pro­pri­e­da­de lei­tei­ra. E atéa­cen­tu­a­dos, pois além da pró­pria saú­de, o tra­ba­lha­dor está lidan­do com a pro­du­ção de ali­men­tos que outras pes­so­as irão consumir”.

Numa sala de ordenha, por exemplo, há equipamentos cujas superfícies aumentam a sobrevida do vírus. É o caso de plásticos e aço inoxidável, onde o novo coronavírus permanece ativo por até três dias

Cuidados para manter o sistema saudável 

Boas prá­ti­cas – A ado­ção de boas prá­ti­cas agro­pe­cuá­ri­as já ofe­re­ce segu­ran­ça para quem lida com a pro­du­ção de lei­te. “Mes­mo a vaca não trans­mi­tin­do a Covid-19, pode trans­mi­tir outras doen­ças como tuber­cu­lo­se, bru­ce­lo­se, lep­tos­pi­ro­se e rai­va”, diz o pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te, Ales­san­dro se Sá Gui­ma­rães. Segun­do ele, no ambi­en­te rural há tam­bém ani­mais sil­ves­tres que vei­cu­lam zoo­no­ses, como o java­por­co (cru­za­men­to do java­li com o por­co), que se tor­nou uma pra­ga em mui­tas regiões e deve ser con­tro­la­da. “O pro­du­tor de lei­te está des­per­tan­do para a ques­tão da bios­se­gu­ri­da­de; mui­tas pro­pri­e­da­des tor­na­ram-se mais rigo­ro­sas com o aces­so de pes­so­as e veí­cu­los à fazen­da, exi­gin­do jale­cos ade­qua­dos e pro­pé (sapa­ti­lhas des­car­tá­veis para evi­tar que os sapa­tos con­ta­mi­nem o local).” Isso é algo comum em uni­da­des de pro­du­ção de suí­nos e aves, que o pro­du­tor de lei­te está incorporando.

SISTEMA PERSONALIZADO SEGUNDO AS CARACTERÍSTICAS E A SITUAÇÃO DE CADA PROPRIEDADE

“Rou­pas lim­pas e mãos higi­e­ni­za­das são cui­da­dos essen­ci­ais para uma orde­nha higi­ê­ni­ca e segu­ra, que tam­bém exi­gem saú­de do tra­ba­lha­dor esa­ni­da­de da vaca, além do con­tro­le da mas­ti­te para a obten­ção de um lei­te de qua­li­da­de e segu­ro”, con­fir­ma a tam­bém pes­qui­sa­do­ra da Embra­pa Gado de Lei­te, Wanes­sa Araú­jo Car­va­lho (veja no box 2 as medi­das para uma roti­na segu­ra na fazen­da). Medi­das higi­ê­ni­cas, ain­da que não eli­mi­nem com­ple­ta­men­te o vírus, podem fazer com que o tra­ba­lha­dor tenha con­ta­to com uma menor quan­ti­da­de de vírus, caso se con­ta­mi­ne em algu­ma cir­cuns­tân­cia. “Ain­da exis­tem pou­cos estu­dos a res­pei­to, mas uma bai­xa car­ga viral ten­de a influ­en­ci­ar na gra­vi­da­de da doen­ça”, con­ta Wanes­sa. A pes­qui­sa­do­ra con­clui que a pan­de­mia vai mudar o mundo,valorizandoa bios­se­gu­ri­da­de e levan­do a mais inves­ti­men­to em tec­no­lo­gi­as reno­vá­veis e sus­ten­ta­bi­li­da­de. “Tudo leva a crer que o novo coro­na­ví­rus sur­giu numa fei­ra de ani­mais sil­ves­tres. Já avan­ça­mos demais sobre a natu­re­za e é hora de retro­ce­der, apli­can­do mais recur­sos na ciên­cia para a ado­ção de tec­no­lo­gi­as lim­pas e segu­ras para a humanidade”.

Entre­vis­ta: Már­cio Rober­to Sil­va (Na fazen­da ou fora dela — veja como se pro­te­ger da Covid-19)

O pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te, Már­cio Rober­to Sil­va, é for­ma­do em medi­ci­na vete­ri­ná­ria pela Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Viço­sa e dou­tor em Saú­de Públi­ca (epi­de­mi­o­lo­gia) pela Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Minas Gerais. Nes­ta entre­vis­ta, ele escla­re­ce sobre alguns aspec­tos do Covid-19 e os cui­da­dos que con­su­mi­do­res e pro­du­to­res devem ter em rela­ção ao lei­te e deri­va­dos lácteos.

Agên­cia Embra­pa de Notí­ci­as – Des­de que a OMS decla­rou a pan­de­mia pelo novo coro­na­ví­rus, a mai­or pre­o­cu­pa­ção da soci­e­da­de é se pro­te­ger do vírus. Como ele se espa­lha numa comunidade?

Már­cio Rober­to Sil­va – Pega-se a Covid-19, prin­ci­pal­men­te, de pes­so­as con­ta­mi­na­das pelo vírus. A doen­ça pode se espa­lhar de pes­soa para pes­soa por meio de peque­nas gotí­cu­las expe­li­das pelo nariz ou boca, quan­do alguém com COVID-19 tos­se, espir­ra ou con­ver­sa. Essas gotí­cu­las, cha­ma­das aeros­sóis, ficam sus­pen­sas no ar por algum tem­po, poden­do infec­tar dire­ta­men­te pes­so­as pró­xi­mas, pelas vias res­pi­ra­tó­ri­as. Par­te des­sas gotí­cu­las se depo­si­tam na super­fí­cie dos obje­tos e quan­do alguém tem con­ta­to com as mes­mas e depois leva a mão aos olhos, nariz ou boca, está car­re­an­do o vírus para den­tro do pró­prio orga­nis­mo. Por isso a OMS reco­men­da o dis­tan­ci­a­men­to de, no míni­mo, um metro entre as pes­so­as, mes­mo que estas não tenham os sin­to­mas da doen­ça. A reco­men­da­ção do Minis­té­rio da Saú­de é, tam­bém, o uso de más­ca­ras de pano casei­ras por todos os cida­dãos. É impor­tan­te lem­brar que a Covid-19 nem sem­pre mani­fes­ta sin­to­mas e que alguém con­ta­mi­na­do, mas apa­ren­te­men­te sau­dá­vel, pode con­ta­mi­nar outras pes­so­as. A OMS aler­ta que de modo a garan­tir que a cadeia de supri­men­tos de ali­men­tos per­ma­ne­ça intac­ta e evi­te desa­bas­te­ci­men­to, há uma urgên­cia de intro­du­zir medi­das adi­ci­o­nais para pro­te­ger os tra­ba­lha­do­res de con­traí­rem a Covid-19; pre­ve­nir o ris­co de expo­si­ção e for­ta­le­cer as prá­ti­cas exis­ten­tes de higi­e­ne e segu­ran­ça de alimentos.

Agên­cia Embra­pa de Notí­ci­as – Des­de que a OMS decla­rou a pan­de­mia pelo novo coro­na­ví­rus, a mai­or pre­o­cu­pa­ção da soci­e­da­de é se pro­te­ger do vírus. Como ele se espa­lha numa comunidade?

Már­cio Rober­to Sil­va – Pega-se a Covid-19, prin­ci­pal­men­te, de pes­so­as con­ta­mi­na­das pelo vírus. A doen­ça pode se espa­lhar de pes­soa para pes­soa por meio de peque­nas gotí­cu­las expe­li­das pelo nariz ou boca, quan­do alguém com COVID-19 tos­se, espir­ra ou con­ver­sa. Essas gotí­cu­las, cha­ma­das aeros­sóis, ficam sus­pen­sas no ar por algum tem­po, poden­do infec­tar dire­ta­men­te pes­so­as pró­xi­mas, pelas vias res­pi­ra­tó­ri­as. Par­te des­sas gotí­cu­las se depo­si­tam na super­fí­cie dos obje­tos e quan­do alguém tem con­ta­to com as mes­mas e depois leva a mão aos olhos, nariz ou boca, está car­re­an­do o vírus para den­tro do pró­prio orga­nis­mo. Por isso a OMS reco­men­da o dis­tan­ci­a­men­to de, no míni­mo, um metro entre as pes­so­as, mes­mo que estas não tenham os sin­to­mas da doen­ça. A reco­men­da­ção do Minis­té­rio da Saú­de é, tam­bém, o uso de más­ca­ras de pano casei­ras por todos os cida­dãos. É impor­tan­te lem­brar que a Covid-19 nem sem­pre mani­fes­ta sin­to­mas e que alguém con­ta­mi­na­do, mas apa­ren­te­men­te sau­dá­vel, pode con­ta­mi­nar outras pes­so­as. A OMS aler­ta que de modo a garan­tir que a cadeia de supri­men­tos de ali­men­tos per­ma­ne­ça intac­ta e evi­te desa­bas­te­ci­men­to, há uma urgên­cia de intro­du­zir medi­das adi­ci­o­nais para pro­te­ger os tra­ba­lha­do­res de con­traí­rem a Covid-19; pre­ve­nir o ris­co de expo­si­ção e for­ta­le­cer as prá­ti­cas exis­ten­tes de higi­e­ne e segu­ran­ça de alimentos.

É fundamental a higienização dos instrumentos e materiais e depois o descarte correto de luvas, seringas e agulhas

Dez medidas na propriedade contra o novo coronavírus

“A úni­ca for­ma de pre­ven­ção da Covid-19 é o for­ta­le­ci­men­to das medi­das de bios­se­gu­ri­da­de”, afir­ma o pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te, Gui­lher­me Nunes. Ele é um dos auto­res do docu­men­to publi­ca­do em 2018 (https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/202288/1/Biosseguridade-Propriedade-Leiteira.pdf)com ori­en­ta­ções para ampli­ar as bar­rei­ras sani­tá­ri­as na bovi­no­cul­tu­ra lei­tei­ra, evi­tan­do a dis­se­mi­na­ção de doen­ças para­si­tá­ri­as, bac­te­ri­a­nas e virais.

Uma medi­da ide­al de con­tro­le seria o pro­du­tor rural moni­to­rar tem­pe­ra­tu­ra e con­di­ções de saú­de dos empre­ga­dos na che­ga­da à pro­pri­e­da­de, afas­tan­do por duas sema­nas ou mais os tra­ba­lha­do­res com sin­to­mas da doen­ça. O afas­ta­men­to tam­bém é reco­men­da­do para quem vive na mes­ma casa de uma pes­soa infec­ta­da e aque­les que per­ten­cem a gru­pos de ris­co para a Covid-19.

A roti­na na pro­pri­e­da­de rural deve levar em con­ta os seguin­tes cuidados:

1 - Lavar as mãos com água e sabão antes de ini­ci­ar a jor­na­da, duran­te o mane­jo com os ani­mais e ao final do tra­ba­lho. Quan­do pos­sí­vel, tomar banho antes de entrar na área lim­pa da ordenha.

2 - Evi­tar tocar olhos, nariz e boca, mes­mo com as mãos lava­das. Quan­do espir­rar ou tos­sir, cobrir a boca usan­do toa­lha de papel e des­car­tar no lixo orgâ­ni­co. Na fal­ta de toa­lha de papel, usar o ante­bra­ço, nun­ca as mãos.

3 - Botas, maca­cões e aven­tais são equi­pa­men­tos de pro­te­ção indi­vi­du­al (EPIs). Devem ser uti­li­za­dos somen­te na pro­pri­e­da­de e lava­dos peri­o­di­ca­men­te. Quem tra­ba­lha na orde­nha, deve man­ter unhas cur­tas e cabe­lo pre­so com tou­ca ou boné.

4 -Não com­par­ti­lhar obje­tos pes­so­ais, como toa­lha de ros­to, copo, cigar­ro, chi­mar­rão e tereré.

5 - Higi­e­ni­zar equipamentos/ferramentas de uso comum, veí­cu­los e as ins­ta­la­ções com desin­fe­tan­tes a base de hipo­clo­ri­to 0,2% ou álco­ol 70%. É impor­tan­te evi­tar o acú­mu­lo de maté­ria orgâ­ni­ca, que difi­cul­ta ou invi­a­bi­li­za a ação de desin­fe­tan­tes. Não é acon­se­lha­do var­rer a seco refei­tó­ri­os, banhei­ros e escri­tó­ri­os. E tenha cui­da­do espe­ci­al na sala de orde­nha. É fun­da­men­tal rea­li­zar o pro­ces­so de lim­pe­za e desin­fec­ção duas ou três vezes por dia, após cada ordenha.

6 -Evi­tar aglo­me­ra­ções. Redu­zir o núme­ro de tra­ba­lha­do­res em esca­la em um mes­mo local. É impor­tan­te res­pei­tar o dis­tan­ci­a­men­to de pelo menos um metro entre as pes­so­as. Quan­do for neces­sá­rio ir a cen­tros urba­nos, evi­tar levar toda a famí­lia. No des­lo­ca­men­to em veí­cu­los com outras pes­so­as, usar más­ca­ras e man­ter jane­las aber­tas para a tro­ca de ar.

7 -Pla­ne­jar a com­pra de insu­mos, tor­nan­do a ida ao comér­cio e a entra­da de veí­cu­los na pro­pri­e­da­de menos frequentes.

8 -Resol­ver o que for pos­sí­vel por tele­fo­ne. Se for neces­sá­rio rece­ber um visi­tan­te, não tenha con­ta­to dire­to, como aper­to de mão, e evi­te o aces­so a áre­as de trân­si­to dos ani­mais. O cami­nhão que bus­ca o lei­te, o que entre­ga ingre­di­en­tes da die­ta e outros veí­cu­los exter­nos devem cir­cu­lar por locais dife­ren­tes das áre­as de trân­si­to de ani­mais. Além dis­so, é impor­tan­te que pas­sem pelo­ro­do­lú­vio para lavar os pneus.

9 -Os pres­ta­do­res de ser­vi­ço téc­ni­co devem usar um con­jun­to de EPIs para cada pro­pri­e­da­de e tomar cui­da­dos bási­cos, como lavar as mãos e os cal­ça­dos logo na chegada.

10 -Repas­sar aos tra­ba­lha­do­res da fazen­da o pro­gra­ma de bios­se­gu­ri­da­de e as ações a serem exe­cu­ta­das, para que nenhum pas­so seja negligenciado.

AEN – E quan­to ao ali­men­to em si?

MRS – Quan­do a emba­la­gem é aber­ta, o ali­men­to fica expos­to. Caso quem o mani­pu­le seja alguém com Covid-19, há tam­bém a pos­si­bi­li­da­de de con­ta­mi­ná-lo por meio dos aeros­sóis e gotí­cu­las, pro­du­zi­dos. Mas, com o cozi­men­to, fer­vu­ra, etc, o vírus é des­truí­do e ain­da não há evi­dên­ci­as de que o vírus pos­sa ser trans­mi­ti­do via ali­men­to. Quan­do aos ali­men­tos con­su­mi­dos fres­cos; ver­du­ras e fru­tas por exem­plo, eles tam­bém devem ser mui­to bem higi­e­ni­za­dos com solu­ção de hipo­clo­ri­to de sódio (água sani­tá­ria), de pre­fe­rên­cia. É impor­tan­tís­si­mo ado­tar sem­pre as boas prá­ti­cas de segu­ran­ça ali­men­tar. Manu­seie car­ne crua, lei­te ou órgãos de ani­mais com cui­da­do para evi­tar con­ta­mi­na­ções cru­za­das do ali­men­to por pes­so­as infec­ta­das e evi­te o con­su­mo de pro­du­tos de ori­gem ani­mal crus ou mal­co­zi­dos. Essa é uma reco­men­da­ção da OMS que vale em todas as cir­cuns­tân­ci­as. Em tem­po de pan­de­mia, vale ain­da mais.

AEN – E o lei­te cru ou deri­va­dos de lei­te cru como quei­jos, o que você recomenda?

MRS – Como se tra­ta de uma doen­ça mui­to nova, o nos­so enten­di­men­to sobre a pro­pa­ga­ção e o ris­co que os ali­men­tos repre­sen­tam pode mudar à medi­da que mais infor­ma­ções se tor­nem dis­po­ní­veis. Assim, como já expos­to, a pró­pria OMS refor­ça evi­tar o con­su­mo de pro­du­tos de ori­gem ani­mal crus ou mal­co­zi­dos. No caso do lei­te cru, aque­le orde­nha­do da vaca, sem nenhum pro­ces­sa­men­to, e con­su­mi­do na fazen­da, a reco­men­da­ção é que seja fer­vi­do. Já o quei­jo fei­to em casa, com lei­te cru, esse deve­ria ser con­su­mi­do assa­do ou cozi­do para evi­tar uma supos­ta trans­mis­são não ape­nas do novo coro­na­ví­rus, mas de vári­as outras doen­ças com­pro­va­da­men­te vei­cu­la­das por lei­te e derivados.

AEN – Quan­to ao lei­te pas­teu­ri­za­do? O pro­ces­so de pas­teu­ri­za­ção des­trói o vírus?

MRS – A pas­teu­ri­za­ção é fei­ta para isto, des­truir todos os tipos de con­ta­mi­nan­tes. Logo, o lei­te pas­teu­ri­za­do não trans­mi­te a Covid-19. O vírus pode sobre­vi­ver à bai­xas tem­pe­ra­tu­ras, mas é sen­sí­vel ao calor. Pes­qui­sas rea­li­za­das na Chi­na, duran­te a epi­de­mia em Wuhan, mos­tra­ram que, a 4°C, hou­ve uma peque­na redu­ção até o dia 14 de acom­pa­nha­men­to do núme­ro ini­ci­al de vírus expe­ri­men­tal­men­te tes­ta­do em amos­tras clí­ni­cas. Mas, com a incu­ba­ção a uma tem­pe­ra­tu­ra de 70 °C, o tem­po de ina­ti­va­ção do vírus foi redu­zi­do a 5 minu­tos. Enfim, a pas­teu­ri­za­ção de pro­du­tos lác­te­os ina­ti­va o vírus, de modo que não há peri­go de que os con­su­mi­do­res pos­sam con­trair a doen­ça enquan­to con­so­mem pro­du­tos lác­te­os pasteurizados.

AEN – Na fazen­da, pro­du­tor de lei­te ou orde­nha­dor podem con­trair a Covid-19 duran­te o trabalho?

MRS – A doen­ça é alta­men­te con­ta­gi­o­sa e é per­fei­ta­men­te pos­sí­vel que isso ocor­ra. As regras de higi­e­ni­za­ção valem para todos, no cam­po e na cida­de, e não cus­ta repe­ti-las aqui: man­te­nha a dis­tân­cia de no mínio um metro entre as pes­so­as; inten­si­fi­que a roti­na de higi­e­ne pes­so­al e lave sem­pre as mãos; evi­te tocar os olhos, nariz e boca e, se não for pos­sí­vel, higi­e­ni­ze as mãos antes; pra­ti­que a higi­e­ne res­pi­ra­tó­ria; uti­li­ze somen­te len­ços de papel; cubra a boca e o nariz ao tos­sir ou espir­rar com os len­ços, des­car­tan­do-os no lixo ime­di­a­ta­men­te; na fal­ta de len­ço de papel, cubra com o ante­bra­ço e não com as mãos. Fique aten­to ao esta­do geral da pró­pria saú­de e siga as ins­tru­ções da Uni­da­de de Saú­de em seu município.

A sobre­vi­da do SARS-COV‑2 sus­pen­so no ar ou em superfícies

- Ar – Três horas.

- Cobre – Qua­tro horas.

- Pape­lão – 24 horas.

- Plás­ti­cos – De dois a três dias.

- Aço ino­xi­dá­vel – De dois a três dias.

- Teci­dos com fibras natu­rais–Não há rela­tos cien­tí­fi­cos sobre o tem­po de sobre­vi­da nes­sas condições.

O novo coro­na­ví­rus pode ser neu­tra­li­za­do em um minu­to, desin­fe­tan­do super­fí­ci­es com álco­ol 62–71%, água oxi­ge­na­da a 0,5% e hipo­clo­ri­to de sódio a 0,1%. Sabão e deter­gen­tes são tam­bém gran­des ali­a­dos con­tra a Covid-19.

Fon­te: Cen­tro de Con­tro­le e Pre­ven­ção de Doen­ças dos EUA (CDC).

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