Controle estratégico da mastite: protocolo de secagem - Balde Branco

Pre­juí­zos pro­vo­ca­dos pela mas­ti­te podem ser redu­zi­dos com a uti­li­za­ção do pro­to­co­lo de seca­gem, como uma das medi­das mais efi­ca­zes para o con­tro­le das infec­ções intramamárias

Por Bru­na Mar­tins Guerreiro

A mas­ti­te bovi­na afe­ta dire­ta­men­te a ren­ta­bi­li­da­de da pecuá­ria lei­tei­ra devi­do à redu­ção da pro­du­ção e da qua­li­da­de do lei­te, ao aumen­to dos cus­tos pro­du­ti­vos e ao des­car­te pre­ma­tu­ro dos ani­mais. Nes­te cená­rio, o pro­to­co­lo de seca­gem desem­pe­nha papel efe­ti­vo, pois per­mi­te uma taxa de cura de infec­ções sub­clí­ni­cas supe­ri­or aos tra­ta­men­tos duran­te a lac­ta­ção e pre­vi­ne pos­sí­veis novas infec­ções duran­te o perío­do seco.

Como se sabe, é impres­cin­dí­vel que as vacas lei­tei­ras pas­sem por uma fase de des­can­so pro­du­ti­vo entre cada lac­ta­ção. Esse perío­do seco é uma neces­si­da­de fisi­o­ló­gi­ca do ani­mal e tem rela­ção dire­ta com a saú­de do úbe­re e com a lac­ta­ção seguin­te. Estu­dos suge­rem que a dura­ção des­se perío­do deve vari­ar entre 45 e 60 dias, sen­do que inter­va­los abai­xo ou aci­ma impli­cam em alte­ra­ção da capa­ci­da­de pro­du­ti­va do animal.

Infe­liz­men­te, mui­tos pro­du­to­res ain­da negli­gen­ci­am esse mane­jo, não dan­do devi­da impor­tân­cia para as con­di­ções sani­tá­ri­as, nutri­ci­o­nais, de con­for­to e, prin­ci­pal­men­te, não uti­li­zam esse perío­do para con­tro­le estra­té­gi­co da mas­ti­te na propriedade.

Seca­gem e o pro­ces­so pro­du­ti­vo — Para faci­li­tar o enten­di­men­to e elu­ci­dar a impor­tân­cia do perío­do seco para o pro­ces­so pro­du­ti­vo da vaca, pode­mos divi­di-lo em três fases. São elas:

Fase de invo­lu­ção ati­va da glân­du­la mamária
Ini­cia-se após a últi­ma orde­nha e pode ter dura­ção de até qua­tro sema­nas. O iní­cio do pro­ces­so de invo­lu­ção ati­va ocor­re devi­do ao aumen­to da pres­são intra­ma­má­ria, que acon­te­ce em decor­rên­cia da des­con­ti­nui­da­de da orde­nha e do con­se­quen­te acú­mu­lo de lei­te pro­du­zi­do duran­te os pri­mei­ros dias após a secagem.

Nes­sa fase é impor­tan­te des­ta­car o pro­ces­so de for­ma­ção do tam­pão de que­ra­ti­na no canal do teto, que ocor­re de uma a duas sema­nas após a seca­gem. O tam­pão fun­ci­o­na como bar­rei­ra físi­ca, impe­din­do a entra­da de agen­tes pato­gê­ni­cos no canal do teto duran­te todo o perío­do seco.

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 627, de janei­ro 2017

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