Para pro­te­ger os bezer­ros que vão nas­cer no inver­no, o aumen­to da ofer­ta de colos­tro sur­ge como mais uma fer­ra­men­ta para lhes pro­pi­ci­ar bem-estar tér­mi­co

Todo pro­du­tor já sabe (ou deve­ria saber!) que a colos­tra­gem é uma medi­da mui­to impor­tan­te para asse­gu­rar a imu­ni­da­de de bezer­ros recém-nas­ci­dos, mas o que novas pes­qui­sas apon­tam é que esta com­po­si­ção pode ser tam­bém uma fer­ra­men­ta pode­ro­sa para aju­dar os neo­na­tos a pro­du­zi­rem calor para com­ba­ter o frio nas pri­mei­ras horas de vida. A estra­té­gia é impor­tan­te espe­ci­al­men­te nas regiões mais fri­as do País – Sul e Sudes­te – e onde se con­cen­tram impor­tan­tes baci­as lei­tei­ras.

Ape­sar de ser con­si­de­ra­do um ter­ri­tó­rio de cli­ma pre­do­mi­nan­te­men­te sub­tro­pi­cal, algu­mas regiões do Bra­sil apre­sen­tam, duran­te o inver­no, tem­pe­ra­tu­ras abai­xo da zona de con­for­to tér­mi­co dos bezer­ros, que seria de 15 a 25°C, exi­gin­do a ado­ção de algu­mas estra­té­gi­as que pos­sam ame­ni­zar o estres­se pelo frio e, com isso, dimi­nuir as taxas de mor­bi­da­de e mor­ta­li­da­de dos neo­na­tos devi­do à per­da exces­si­va de calor.

Logo após o par­to, o bezer­ro ain­da não é capaz de regu­lar a sua pró­pria tem­pe­ra­tu­ra cor­po­ral. O líqui­do amnió­ti­co que cobre o cor­po do ani­mal esfria e eva­po­ra rapi­da­men­te em con­ta­to com o ambi­en­te exter­no e os neo­na­tos não con­se­guem pro­du­zir calor sufi­ci­en­te para aque­cer toda a super­fí­cie cor­pó­rea em rela­ção à mas­sa cor­po­ral por­que con­tam com limi­ta­das reser­vas caló­ri­cas. “Por isso, são mais sus­cep­tí­veis à hipo­ter­mia (dimi­nui­ção exces­si­va da tem­pe­ra­tu­ra nor­mal do cor­po), espe­ci­al­men­te se o desa­fio ocor­re em caso de nas­ci­men­tos duran­te a madru­ga­da, quan­do as tem­pe­ra­tu­ras são mais bai­xas”, apon­ta a enge­nhei­ra agrô­no­ma Car­la Maris Bit­tar, pro­fes­so­ra do Depar­ta­men­to de Zoo­tec­nia da Esco­la Supe­ri­or de Agri­cul­tu­ra Luiz de Quei­roz (Esalq-USP), em Pira­ci­ca­ba-SP.

“Os bezer­ros lei­tei­ros pre­ci­sam de nutri­en­tes para man­ten­ça e cres­ci­men­to, con­tu­do, em bai­xas tem­pe­ra­tu­ras, o cor­po alte­ra os pro­ces­sos fisi­o­ló­gi­cos para con­tro­lar a tem­pe­ra­tu­ra cor­po­ral, aumen­tan­do assim as exi­gên­ci­as nutri­ci­o­nais”, diz a médi­ca vete­ri­ná­ria Fer­nan­da Laví­nia Mou­ra Sil­va, que ava­li­ou a ter­mor­re­gu­la­ção de bezer­ros neo­na­tos – que é a manu­ten­ção, pelo pró­prio orga­nis­mo, da tem­pe­ra­tu­ra inter­na ide­al, em bai­xas tem­pe­ra­tu­ras (10°C) –, e o desem­pe­nho ao alei­ta­men­to em tem­pe­ra­tu­ra ambi­en­te (média de 26,8°C) de bezer­ros ali­men­ta­dos com dife­ren­tes quan­ti­da­des de colos­tro.

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Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 642, de maio 2018

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