Chegou a hora de preparar a pastagem - Balde Branco

Mui­tos pro­du­to­res têm von­ta­de de, come­çan­do as chu­vas, já ini­ci­ar o plan­tio da for­ra­gei­ra. Sabe-se, entre­tan­to, que não é só a umi­da­de que deter­mi­na a ger­mi­na­ção das semen­tes. Diver­sos fato­res influ­em no pro­ces­so, aos quais o pro­du­tor deve estar atento

 
 
 
 
 
 

Chegou a hora de preparar a pastagem: roteiro para que o produtor saiba quando deve recuperar ou reformar, suas pastagens 

Por: *Gil­son de Oli­vei­ra, enge­nhei­ro agrô­no­mo do Depar­ta­men­to Téc­ni­co de Semen­tes  do Gru­po Matsuda.

*Pedro Hen­ri­que Lopes Loren­ço­ni enge­nhei­ro agrô­no­mo e res­pon­sá­vel pelo labo­ra­tó­rio de con­tro­le de qua­li­da­de do Gru­po Matsuda.

*Mar­ce­lo Ronal­do Vila enge­nhei­ro agrô­no­mo, do Dep­to. Téc­ni­co de Semen­tes do Gru­po Matsuda

Com o fim do perío­do seco e iní­cio das chu­vas, os pro­du­to­res estão ini­ci­an­do a fase de pre­pa­ra­ção de suas pas­ta­gens, seja para for­mar novas áre­as, refor­mar ou recu­pe­rar. Mas, nes­te momen­to, que cui­da­dos ini­ci­ais devem ser toma­dos para que se for­me uma boa pas­ta­gem? Para for­mar novas áre­as ou refor­ma, como pri­mei­ro pas­so o pro­du­tor deve reti­rar uma amos­tra de solo e envi­ar para um labo­ra­tó­rio que efe­tue as aná­li­ses neces­sá­ri­as para se fazer a cor­re­ção da aci­dez do solo (cala­gem), adu­ba­ção de plan­tio (adu­bos fos­fa­ta­dos) e adu­ba­ção de cober­tu­ra (Nitro­gê­nio e Potássio).

O segun­do pas­so é pre­pa­rar o solo, tan­to no sis­te­ma con­ven­ci­o­nal como no de plan­tio dire­to”. Se no sis­te­ma con­ven­ci­o­nal é neces­sá­rio “eli­mi­nar a vege­ta­ção exis­ten­te atra­vés de gra­da­gens (pesa­da), ara­ção (dis­co ou aive­ca) e gra­da­gem (leve)” e, se no sis­te­ma de plan­tio dire­to, “eli­mi­nar a vege­ta­ção exis­ten­te atra­vés da apli­ca­ção de her­bi­ci­das — um ou vári­os pro­du­tos her­bi­ci­das com­bi­na­dos, depen­den­do de quais plan­tas exis­tem na área”.

O ter­cei­ro pas­so é apli­car o cal­cá­rio se neces­sá­rio (no sis­te­ma con­ven­ci­o­nal, deve ser incor­po­ra­do com gra­de ou ara­do e no sis­te­ma de plan­tio dire­to deve ape­nas ser apli­ca­do sobre a vege­ta­ção mor­ta sem a neces­si­da­de de incor­po­rar). O quar­to pas­so apli­car o fertilizante.

Para recu­pe­ra­ção de pas­ta­gens, se a área está for­ma­da e ape­nas pre­ci­sa de manu­ten­ção, o pro­du­tor deve repe­tir o pri­mei­ro, ter­cei­ro e quar­to pas­sos, em todos os sis­te­mas (con­ven­ci­o­nal ou plan­tio dire­to) da mes­ma for­ma que empre­ga­do o plan­tio direto.

Iní­cio antecipado

Mui­tos pro­du­to­res têm von­ta­de de, come­çan­do as chu­vas, já ini­ci­ar o plan­tio da for­ra­gei­ra. Sabe-se, entre­tan­to, que não é só a umi­da­de que deter­mi­na a ger­mi­na­ção das semen­tes. Diver­sos fato­res influ­em no pro­ces­so, aos quais o pro­du­tor deve estar aten­to. Por exem­plo, não é reco­men­dá­vel fazer o plan­tio logo no iní­cio da esta­ção chu­vo­sa, já que “o perío­do seco pode ter sido mui­to pro­lon­ga­do e as pri­mei­ras chu­vas não serem sufi­ci­en­tes para que o solo tenha uma boa reser­va caso acon­te­ça um vera­ni­co — perío­do sem chu­va den­tro da esta­ção chu­vo­sa do ano que pode ser de 15 a 20 dias — e as semen­tes, ten­do ini­ci­a­do o pro­ces­so de ger­mi­na­ção, se fal­tar umi­da­de, as mes­mas podem mor­rer, per­den­do des­se modo todo plantio”.Outro pro­ble­ma, mui­to comum de acon­te­cer quan­do se faz o plan­tio no iní­cio das chu­vas, é a inci­dên­cia com mai­or freqüên­cia de chu­vas tor­ren­ci­ais (volu­me alto) que podem apro­fun­dar as semen­tes no solo, impe­din­do sua ger­mi­na­ção satis­fa­tó­ria. É sem­pre bom lem­brar que, para uma semen­te ger­mi­nar satis­fa­to­ri­a­men­te é neces­sá­rio que três con­di­ções cli­má­ti­cas este­jam acon­te­cen­do ao mes­mo tem­po: tem­pe­ra­tu­ra, lumi­no­si­da­de e umidade.

A esco­lha das semen­tes e a manei­ra cor­re­ta de uti­li­zá-las é um cui­da­do que todo pro­du­tor deve levar em con­si­de­ra­ção. O mer­ca­do ofe­re­ce atu­al­men­te uma gran­de quan­ti­da­de de espécies/cultivares e vari­e­da­des. Esse gran­de volu­me de ofer­ta é jus­ta­men­te devi­do ao País apre­sen­tar con­di­ções eda­fo­cli­má­ti­cas mui­to dife­ren­tes, neces­si­tan­do de espécies/cultivares que se adap­tem a elas. E, se não bas­tas­se isso, o Bra­sil tem tam­bém níveis de mane­jo bem dife­ren­ci­a­dos quan­to à fer­ti­li­za­ção do solo, uti­li­za­ção, qual espé­cie ani­mal ou cate­go­ria irá con­su­mir essa pas­ta­gem, etc. Então, no momen­to de esco­lha da espé­cie ou cul­ti­var a ser implan­ta­do, reco­men­da-se ao pro­du­tor levar sem­pre em con­si­de­ra­ção os fato­res que limi­tam a sua pro­du­ção e qual a fina­li­da­de des­sa pas­ta­gem, pois a espé­cie ou cul­ti­var que se adap­tar melhor a esses fato­res é a que deve ser esco­lhi­da. Como os fato­res limi­tan­tes, estão a fer­ti­li­da­de do solo, tipo de solo (argi­lo­so, are­no­so, etc), topo­gra­fia do ter­re­no, grau de dre­na­gem, ata­que de inse­tos e doen­ças, espé­cie e cate­go­ria ani­mal, tipo de mane­jo e utilização.

Retor­no do investimento

O inves­ti­men­to fei­to pelos pro­du­to­res na for­ma­ção do pas­to, quan­do ele faz a opção pela qua­li­da­de, é sem­pre um inves­ti­men­to mais alto. Mas, se o pro­du­tor adqui­re uma semen­te de qua­li­da­de, com tec­no­lo­gia dife­ren­ci­a­da, está optan­do em não cor­rer ris­co, pela segu­ran­ça, por ter um stand de plan­tas den­tro do ade­qua­do para uma boa for­ma­ção e bom fecha­men­to do solo, que essas plan­tas apre­sen­tam alto vigor que, por con­seqüên­cia, irão pos­si­bi­li­tar uma entra­da ante­ci­pa­da dos ani­mais na área, mai­or pro­du­ção de mas­sa (MS – maté­ria seca) por hec­ta­re, ris­co qua­se zero de levar jun­to a essa semen­te pra­gas e doen­ças que podem futu­ra­men­te invi­a­bi­li­zar outros cul­ti­vos e, prin­ci­pal­men­te, que venham a aumen­tar os cus­tos de pro­du­ção. Se o pro­du­tor tiver uma plan­ta que irá pro­du­zir mais por hec­ta­re, con­se­quen­te­men­te, terá mai­or pro­du­ção por hec­ta­re seja ela de car­ne, lei­te ou bezer­ros, depen­den­do da ati­vi­da­de. Se pen­sar­mos em todos os bene­fí­ci­os que essa tec­no­lo­gia traz, com cer­te­za essa semen­te apre­sen­ta inves­ti­men­to menor que as semen­tes pira­tas ou de bai­xa qua­li­da­de. Mas é impor­tan­te adver­tir que é pre­ci­so pres­tar mui­ta aten­ção aos mate­ri­ais com os quais as semen­tes serão reves­ti­das, pois o mate­ri­al de reves­ti­men­to, se não for de boa pro­ce­dên­cia, pode afe­tar nega­ti­va­men­te a ger­mi­na­ção das sementes.

Pla­ne­ja­men­to forrageiro

 Em fun­ção da sazo­na­li­da­de de nos­so cli­ma, o pla­ne­ja­men­to for­ra­gei­ro tem sido a prin­ci­pal fer­ra­men­ta para evi­tar o pre­juí­zo. Sabe-se, tam­bém, que é na esta­ção das águas que se pla­ne­ja o perío­do seco. Quan­do entra­mos na esta­ção chu­vo­sa, mui­tas vezes nos esque­ce­mos dos apu­ros pas­sa­dos no perío­do que a ante­ce­deu. Para se pre­ve­nir que o perío­do seco cau­se pre­juí­zos e o pro­du­tor pas­se aper­to, reco­men­da-se como ide­al o pla­ne­ja­men­to da refor­ma de pas­ta­gens degra­da­das, da recu­pe­ra­ção daque­las onde se tem um bom stand de plan­tas, efe­tu­an­do o con­tro­le de ervas dani­nhas, a apli­ca­ção de cor­re­ti­vos (cal­cá­rio), a adu­ba­ção fos­fa­ta­da e a adu­ba­ção com nitro­gê­nio e potás­sio, para que as plan­tas tenham con­di­ções de se desen­vol­ver bem e pro­du­zir mui­ta forragem.

Reco­men­da-se, tam­bém, ter os pas­tos bem divi­di­dos em sis­te­ma rota­ci­o­na­do, res­pei­tan­do sem­pre a altu­ra de entra­da e saí­da dos ani­mais, para que a plan­ta pos­sa se rees­ta­be­le­cer rapi­da­men­te. Tam­bém é impor­tan­te ter na pro­pri­e­da­de mais de uma espécie/cultivar for­ra­gei­ra que pos­sam ser bem explo­ra­dos no perío­do chu­vo­so e espé­ci­es que tan­to podem ser explo­ra­das no perío­do chu­vo­so, mais prin­ci­pal­men­te podem ser dife­ri­das para ser­vi­rem de reser­va no perío­do seco do ano (feno em pé). Outra alter­na­ti­va é ter uma área reser­va­da para cama, que pode­rá ser uti­li­za­da na for­ma de sila­gem ou ser­vi­da pica­da in natu­ra. E ter tam­bém, se for o caso, uma área com espé­ci­es pró­pri­as para se efe­tu­ar a prá­ti­ca da pro­du­ção de feno.

 Nove pas­sos para fazer uma boa recu­pe­ra­ção de pastagem

 

Esta­mos no perío­do ide­al para rea­li­zar a recu­pe­ra­ção ou refor­ma na pastagem

 

Atu­al­men­te esti­ma-se que cer­ca de 130 milhões de hec­ta­res de pas­ta­gens no Bra­sil este­jam em dife­ren­tes níveis de degra­da­ção, e a refor­ma ou a recu­pe­ra­ção des­sas áre­as é uma gran­de opor­tu­ni­da­de de o pro­du­tor ali­ar as boas prá­ti­cas de mane­jo com a sus­ten­ta­bi­li­da­de na pecuá­ria. Entre­tan­to, embo­ra fale-se mui­to no assun­to, e o tema até foi dis­cu­ti­do duran­te a Cop26, que aca­ba de acon­te­cer em  Glas­gow, Escó­cia, recu­pe­rar uma pas­ta­gem não é algo tão sim­ples de se fazer e exi­ge orga­ni­za­ção e pro­fis­si­o­na­lis­mo para que se alcan­ce o resul­ta­do alme­ja­do. Para auxi­li­ar a sanar algu­mas das prin­ci­pais dúvi­das sobre essa prá­ti­ca, os téc­ni­cos do Gru­po Mat­su­da divi­di­ram o tema em nove pas­sos, que, se exe­cu­ta­dos ao pé-da-letra, pelos pro­du­to­res pecu­a­ris­tas, irão garan­tir o suces­so da ini­ci­a­ti­va, em suas pro­pri­e­da­des. Confira:

Pri­mei­ro Pas­so: Para recu­pe­rar uma área de pas­ta­gem o pri­mei­ro pas­so é cole­tar amos­tra de solo, seguin­do os cri­té­ri­os agronô­mi­cos de amos­tra­gem. Antes de ini­ci­ar a cole­ta da amos­tra de solo deve-se fazer um pla­ne­ja­men­to que inclua: a) uma aná­li­se visu­al da área, b) um cro­qui do local de amos­tra­gem, sepa­ran­do a área em gle­bas. A cole­ta das amos­tras deve ser em zig-zag, reti­ran­do-se peque­nos punha­dos de ter­ra, de vári­os pon­tos da área que se dese­ja refor­mar, colo­can­do-se em um reci­pi­en­te lim­po e poden­do ser em vári­as pro­fun­di­da­des, sen­do as mais comum de 0 – 20 e de 20 – 40 cm. Essas amos­tras após ser cole­ta­das devem ser cole­ta­das em reci­pi­en­tes, caso cole­ta em pro­fun­di­da­de dife­ren­tes as mes­mas devem ser sepa­ra­das, após o ter­mi­no de amos­tra­gem, deve­rá homo­ge­nei­zar o solo e reti­rar uma quan­ti­da­de míni­ma de 500 gr para ser envi­a­da ao labo­ra­tó­rio. Para envio do labo­ra­tó­rio algu­mas infor­ma­ções devem con­ter na amos­tra tais como: nome da pro­pri­e­da­de, nome do pro­pri­e­tá­rio, pro­fun­di­da­de cole­ta­da, cul­tu­ra exis­ten­te e cul­tu­ra a se implan­ta­da. Deve-se evi­tar cole­tar amos­tras de solo pró­xi­mo a fezes de ani­mais, cupim e tri­ei­ro de animais. 

 

Segun­do Pas­so: ava­li­ar o nível de com­pac­ta­ção do solo, poden­do fazer de for­ma dire­ta, com o uso de um pene­trô­me­tro ou, indi­re­ta, com um cani­ve­te.  Com o uso de cani­ve­te deve-se fazer uma trin­chei­ra no solo na pro­fun­di­da­de de 60 cm e, com uma tre­na, mar­car cama­das do solo de 10 em 10 cm e,  entre essas cama­das,  per­fu­rar o solo com o cani­ve­te fazen­do uma peque­na pres­são; em algum momen­to, se per­ce­ber cer­ta resis­tên­cia do equi­pa­men­to no solo, mar­car essa pro­fun­di­da­de que está apre­sen­tan­do essa resis­tên­cia e, depen­den­do da pro­fun­di­da­de com­pac­ta­da, pode­rá ado­tar-se mane­jos de solo para des­com­pac­ta­ção, o uso de esca­ri­fi­ca­dor ou sub­so­la­dor de solo.

Ter­cei­ro pas­so: fazer a cala­gem e ges­sa­gem. Con­for­me o resul­ta­do da aná­li­se de solo o téc­ni­co irá veri­fi­car a neces­si­da­de. A cala­gem tem diver­sas fun­ções, entre as quais for­ne­cer cál­cio e mag­né­sio como nutri­en­tes, aumen­tar a dis­po­ni­bi­li­da­de de fós­fo­ro e molib­dê­nio, neu­tra­li­zar ou redu­zir os efei­tos tóxi­cos do Al³ (Alu­mí­nio).  Nes­se momen­to veri­fi­car altu­ra da pas­ta­gem, para evi­tar efei­to “guar­da chuva”.O ges­so agrí­co­la pode ser uti­li­za­do nas pas­ta­gens, visan­do a melho­rar o ambi­en­te da sub­su­per­fí­cie do solo, ou seja, um con­di­ci­o­na­dor de solo (mais reco­men­da­do para espé­ci­es exi­gen­tes e mui­to exi­gen­tes) ou como fon­te de enxo­fre (reco­men­da­do para todas as espé­ci­es), for­ne­cen­do ain­da o cál­cio tem um papel mui­to impor­tan­te para as plan­tas, pois é encon­tra­do em ami­noá­ci­dos, com­po­nen­tes de algu­mas proteínas.

Quar­to pas­so: fazer con­tro­le de ervas dani­nhas, poden­do ser quí­mi­co ou manual.

Quin­to pas­so: manu­ten­ção de cur­vas de nível e con­tro­le de erosão

Sex­to pas­so: fazer apli­ca­ção de adu­bos (N – P – K), Nitro­gê­nio, Fós­fo­ro e Potás­sio. Deve ter cer­ta aten­ção no uso des­ses insu­mos, eles devem ser apli­ca­dos com o solo úmi­do, e a pas­ta­gem deve­rá ter cer­ta quan­ti­da­de de resí­duo para o melhor apro­vei­ta­men­to dos adu­bos. O fós­fo­ro é o ele­men­to mais impor­tan­te para o esta­be­le­ci­men­to e manu­ten­ção da pas­ta­gem. Esse nutri­en­te tem gran­de influên­cia no cres­ci­men­to das raí­zes, no per­fi­lha­men­to e na per­sis­tên­cia da pas­ta­gem. O nitro­gê­nio é o prin­ci­pal cons­ti­tuin­te de pro­teí­na, as quais par­ti­ci­pam ati­va­men­te na sín­te­se de com­pos­tos orgâ­ni­cos que for­mam a estru­tu­ra vege­tal. É o ele­men­to que atua no tama­nho das folhas, col­mo, no desen­vol­vi­men­to de per­fi­lho e na qua­li­da­de de for­ra­gem pro­du­zi­da. Quan­do defi­ci­en­te nas plan­tas leva a pas­ta­gem à degra­da­ção. O potás­sio tam­bém é mui­to impor­tan­te para a plan­ta, onde atua na ati­va­ção de enzi­mas, melho­ra a trans­lo­ca­ção de car­boi­dra­tos pro­du­zi­do nas folhas e melho­ra a efi­ci­ên­cia do uso da água pelas plantas.

Séti­mo pas­so: vedar a pas­ta­gem até o capim atin­gir o pon­to ide­al de pas­te­jo, sen­do que nes­te perío­do deve­rá  fazer a manu­ten­ção em cer­cas, cocho, bebe­dou­ro e divi­são de pastagem.

Oita­vo pas­so: fazer uma esti­ma­ti­va de pro­du­ção de for­ra­gem, cole­tan­do em vári­os pon­tos amos­tra de capim em uma área de um metro qua­dra­do, para ajus­te de taxa de lota­ção.  Amos­tra de for­ra­gem deve ser cole­ta­da na altu­ra de mane­jo poden­do ser leva­da ao labo­ra­tó­rio para deter­mi­nar a maté­ria seca ou ser esti­ma­da na pro­pri­e­da­de com uso de microondas.

E por fim o nono pas­so e últi­mo pas­so é ini­ci­ar o pas­te­jo, res­pei­tan­do a entra­da e saí­da dos ani­mais no pique­te con­for­me a espé­cie e cul­ti­var for­ra­gei­ra estabelecida.

O segun­do pas­so é pre­pa­rar o solo, tan­to no sis­te­ma con­ven­ci­o­nal como no de plan­tio dire­to”. Se no sis­te­ma con­ven­ci­o­nal é neces­sá­rio “eli­mi­nar a vege­ta­ção exis­ten­te atra­vés de gra­da­gens (pesa­da), ara­ção (dis­co ou aive­ca) e gra­da­gem (leve)” e, se no sis­te­ma de plan­tio dire­to, “eli­mi­nar a vege­ta­ção exis­ten­te atra­vés da apli­ca­ção de her­bi­ci­das — um ou vári­os pro­du­tos her­bi­ci­das com­bi­na­dos, depen­den­do de quais plan­tas exis­tem na área”.

O ter­cei­ro pas­so é apli­car o cal­cá­rio se neces­sá­rio (no sis­te­ma con­ven­ci­o­nal, deve ser incor­po­ra­do com gra­de ou ara­do e no sis­te­ma de plan­tio dire­to deve ape­nas ser apli­ca­do sobre a vege­ta­ção mor­ta sem a neces­si­da­de de incor­po­rar). O quar­to pas­so apli­car o fertilizante.

Para recu­pe­ra­ção de pas­ta­gens, se a área está for­ma­da e ape­nas pre­ci­sa de manu­ten­ção, o pro­du­tor deve repe­tir o pri­mei­ro, ter­cei­ro e quar­to pas­sos, em todos os sis­te­mas (con­ven­ci­o­nal ou plan­tio dire­to) da mes­ma for­ma que empre­ga­do o plan­tio direto.

Iní­cio antecipado

Mui­tos pro­du­to­res têm von­ta­de de, come­çan­do as chu­vas, já ini­ci­ar o plan­tio da for­ra­gei­ra. Sabe-se, entre­tan­to, que não é só a umi­da­de que deter­mi­na a ger­mi­na­ção das semen­tes. Diver­sos fato­res influ­em no pro­ces­so, aos quais o pro­du­tor deve estar aten­to. Por exem­plo, não é reco­men­dá­vel fazer o plan­tio logo no iní­cio da esta­ção chu­vo­sa, já que “o perío­do seco pode ter sido mui­to pro­lon­ga­do e as pri­mei­ras chu­vas não serem sufi­ci­en­tes para que o solo tenha uma boa reser­va caso acon­te­ça um vera­ni­co — perío­do sem chu­va den­tro da esta­ção chu­vo­sa do ano que pode ser de 15 a 20 dias — e as semen­tes, ten­do ini­ci­a­do o pro­ces­so de ger­mi­na­ção, se fal­tar umi­da­de, as mes­mas podem mor­rer, per­den­do des­se modo todo plantio”.Outro pro­ble­ma, mui­to comum de acon­te­cer quan­do se faz o plan­tio no iní­cio das chu­vas, é a inci­dên­cia com mai­or freqüên­cia de chu­vas tor­ren­ci­ais (volu­me alto) que podem apro­fun­dar as semen­tes no solo, impe­din­do sua ger­mi­na­ção satis­fa­tó­ria. É sem­pre bom lem­brar que, para uma semen­te ger­mi­nar satis­fa­to­ri­a­men­te é neces­sá­rio que três con­di­ções cli­má­ti­cas este­jam acon­te­cen­do ao mes­mo tem­po: tem­pe­ra­tu­ra, lumi­no­si­da­de e umidade.

A esco­lha das semen­tes e a manei­ra cor­re­ta de uti­li­zá-las é um cui­da­do que todo pro­du­tor deve levar em con­si­de­ra­ção. O mer­ca­do ofe­re­ce atu­al­men­te uma gran­de quan­ti­da­de de espécies/cultivares e vari­e­da­des. Esse gran­de volu­me de ofer­ta é jus­ta­men­te devi­do ao País apre­sen­tar con­di­ções eda­fo­cli­má­ti­cas mui­to dife­ren­tes, neces­si­tan­do de espécies/cultivares que se adap­tem a elas. E, se não bas­tas­se isso, o Bra­sil tem tam­bém níveis de mane­jo bem dife­ren­ci­a­dos quan­to à fer­ti­li­za­ção do solo, uti­li­za­ção, qual espé­cie ani­mal ou cate­go­ria irá con­su­mir essa pas­ta­gem, etc. Então, no momen­to de esco­lha da espé­cie ou cul­ti­var a ser implan­ta­do, reco­men­da-se ao pro­du­tor levar sem­pre em con­si­de­ra­ção os fato­res que limi­tam a sua pro­du­ção e qual a fina­li­da­de des­sa pas­ta­gem, pois a espé­cie ou cul­ti­var que se adap­tar melhor a esses fato­res é a que deve ser esco­lhi­da. Como os fato­res limi­tan­tes, estão a fer­ti­li­da­de do solo, tipo de solo (argi­lo­so, are­no­so, etc), topo­gra­fia do ter­re­no, grau de dre­na­gem, ata­que de inse­tos e doen­ças, espé­cie e cate­go­ria ani­mal, tipo de mane­jo e utilização.

Retor­no do investimento

O inves­ti­men­to fei­to pelos pro­du­to­res na for­ma­ção do pas­to, quan­do ele faz a opção pela qua­li­da­de, é sem­pre um inves­ti­men­to mais alto. Mas, se o pro­du­tor adqui­re uma semen­te de qua­li­da­de, com tec­no­lo­gia dife­ren­ci­a­da, está optan­do em não cor­rer ris­co, pela segu­ran­ça, por ter um stand de plan­tas den­tro do ade­qua­do para uma boa for­ma­ção e bom fecha­men­to do solo, que essas plan­tas apre­sen­tam alto vigor que, por con­seqüên­cia, irão pos­si­bi­li­tar uma entra­da ante­ci­pa­da dos ani­mais na área, mai­or pro­du­ção de mas­sa (MS – maté­ria seca) por hec­ta­re, ris­co qua­se zero de levar jun­to a essa semen­te pra­gas e doen­ças que podem futu­ra­men­te invi­a­bi­li­zar outros cul­ti­vos e, prin­ci­pal­men­te, que venham a aumen­tar os cus­tos de produção.

Se o pro­du­tor tiver uma plan­ta que irá pro­du­zir mais por hec­ta­re, con­se­quen­te­men­te, terá mai­or pro­du­ção por hec­ta­re seja ela de car­ne, lei­te ou bezer­ros, depen­den­do da ati­vi­da­de. Se pen­sar­mos em todos os bene­fí­ci­os que essa tec­no­lo­gia traz, com cer­te­za essa semen­te apre­sen­ta inves­ti­men­to menor que as semen­tes pira­tas ou de bai­xa qua­li­da­de. Mas é impor­tan­te adver­tir que é pre­ci­so pres­tar mui­ta aten­ção aos mate­ri­ais com os quais as semen­tes serão reves­ti­das, pois o mate­ri­al de reves­ti­men­to, se não for de boa pro­ce­dên­cia, pode afe­tar nega­ti­va­men­te a ger­mi­na­ção das sementes.

Pla­ne­ja­men­to forrageiro

 Em fun­ção da sazo­na­li­da­de de nos­so cli­ma, o pla­ne­ja­men­to for­ra­gei­ro tem sido a prin­ci­pal fer­ra­men­ta para evi­tar o pre­juí­zo. Sabe-se, tam­bém, que é na esta­ção das águas que se pla­ne­ja o perío­do seco. Quan­do entra­mos na esta­ção chu­vo­sa, mui­tas vezes nos esque­ce­mos dos apu­ros pas­sa­dos no perío­do que a ante­ce­deu. Para se pre­ve­nir que o perío­do seco cau­se pre­juí­zos e o pro­du­tor pas­se aper­to, reco­men­da-se como ide­al o pla­ne­ja­men­to da refor­ma de pas­ta­gens degra­da­das, da recu­pe­ra­ção daque­las onde se tem um bom stand de plan­tas, efe­tu­an­do o con­tro­le de ervas dani­nhas, a apli­ca­ção de cor­re­ti­vos (cal­cá­rio), a adu­ba­ção fos­fa­ta­da e a adu­ba­ção com nitro­gê­nio e potás­sio, para que as plan­tas tenham con­di­ções de se desen­vol­ver bem e pro­du­zir mui­ta forragem.

Reco­men­da-se, tam­bém, ter os pas­tos bem divi­di­dos em sis­te­ma rota­ci­o­na­do, res­pei­tan­do sem­pre a altu­ra de entra­da e saí­da dos ani­mais, para que a plan­ta pos­sa se rees­ta­be­le­cer rapi­da­men­te. Tam­bém é impor­tan­te ter na pro­pri­e­da­de mais de uma espécie/cultivar for­ra­gei­ra que pos­sam ser bem explo­ra­dos no perío­do chu­vo­so e espé­ci­es que tan­to podem ser explo­ra­das no perío­do chu­vo­so, mais prin­ci­pal­men­te podem ser dife­ri­das para ser­vi­rem de reser­va no perío­do seco do ano (feno em pé). Outra alter­na­ti­va é ter uma área reser­va­da para cama, que pode­rá ser uti­li­za­da na for­ma de sila­gem ou ser­vi­da pica­da in natu­ra. E ter tam­bém, se for o caso, uma área com espé­ci­es pró­pri­as para se efe­tu­ar a prá­ti­ca da pro­du­ção de feno.

Refor­ma de pastagem:

16 pas­sos para alcan­çar o sucesso

 

Dife­ren­te da recu­pe­ra­ção de pas­ta­gem, a refor­ma é a tro­ca com­ple­ta da espé­cie for­ra­gei­ra cul­ti­va­da. O perío­do de refor­mar a pas­ta­gem é nas chu­vas, até mea­dos do mês de janei­ro, e o pro­du­tor que está pen­san­do em for­mar pas­to tem que, pri­mei­ro, esco­lher a espé­cie for­ra­gei­ra e seguir os seguin­tes passos.

Pri­mei­ro pas­so: antes de ini­ci­ar­mos a refor­ma de pas­ta­gem deve­mos cole­tar amos­tra de solo, seguin­do o mes­mo cri­té­rio men­ci­o­na­do na recu­pe­ra­ção de pastagem.

Segun­do pas­so:  con­for­me o tipo de vege­ta­ção e ervas dani­nhas, pode­rá fazer uso de her­bi­ci­das des­se­can­do em área total, para ini­ci­ar o pre­pa­ro de solo, ou seguir dire­to com pre­pa­ro de solo con­ven­ci­o­nal depen­den­do das con­di­ções de ter­re­no, vege­ta­ção e tipo de solo.

Ter­cei­ro pas­so: con­for­me a decli­vi­da­de da área, fazer a con­ser­va­ção do solo, sen­do ela por ter­ra­ço ou cur­vas embutidas.

Quar­to pas­so: fazer apli­ca­ção do cal­cá­rio e ges­so, con­for­me resul­ta­do da aná­li­se de solo e esco­lher a espé­cie da cul­ti­var a ser estabelecida.

Quin­to pas­so: incor­po­rar o cal­cá­rio e ges­so no solo jun­to com a cul­tu­ra exis­ten­te. Ide­al veri­fi­car o nível de com­pac­ta­ção, para a toma­da de deci­são, qual equi­pa­men­to ide­al a ser ado­ta­do no pro­ces­so de incor­po­ra­ção, poden­do ser Ara­do Aive­ca ou Gra­de Pesada.

Sex­to pas­so: dei­xar a área repou­sar por 7 a 10 dias, para que res­to de cul­tu­ra pos­sa se decom­por no solo, lem­bran­do que para se ter um bom ren­di­men­to e um bom pre­pa­ro de solo essas ope­ra­ções devem ser fei­tas duran­te o perío­do chuvoso.

Séti­mo pas­so mui­tas vezes vamos encon­trar tor­rões e mate­ri­ais palho­sos ain­da em decom­po­si­ção. Quan­do isso acon­te­cer, o  ide­al é pas­sar mais uma mão de gra­de pesada.

Oita­vo pas­so, dei­xar o solo des­can­sar por 7 a 15 dias e pas­sar a gra­de nive­la­do­ra, des­tor­ro­an­do e nive­lan­do o ter­re­no preparando‑o para o plantio.

Nono pas­so: antes de pas­sar a segun­da mão de gra­de nive­la­do­ra para o plan­tio, fazer apli­ca­ção do fós­fo­ro sobre o solo e depois nive­lar, para incor­po­rar o insu­mo e dei­xar o solo pre­pa­ra­do para o plan­tio. Tal­vez em solos argi­lo­sos, pos­sa ser neces­sá­rio pas­sar a ter­cei­ra mão de gra­de nive­la­do­ra, pois esses solos são mais difí­ceis de destorroar.

Déci­mo pas­so: fazer o plan­tio, poden­do ser a lan­ço, linha ou aéreo.

Déci­mo pri­mei­ro pas­so:  caso o plan­tio seja a lan­ço ou aéreo deve­rá fazer a incor­po­ra­ção das semen­tes no solo, geral­men­te com uso de rolo com­pac­ta­dor. A pro­fun­di­da­de ide­al de incor­po­ra­ção das semen­tes for­ra­gei­ras é de 1 a 2 cm de pro­fun­di­da­de. A melhor épo­ca de plan­tio vai depen­der de cada região, reco­men­dan­do-se  que o plan­tio seja fei­to quan­do as chu­vas de cada região nor­ma­li­za­rem.  Para que as semen­tes for­ra­gei­ras pos­sam ger­mi­nar qua­tro são os fato­res essen­ci­ais, como tem­pe­ra­tu­ra, umi­da­de, lumi­no­si­da­de e oxi­gê­nio no solo.

Déci­mo segun­do pas­so: nes­se perío­do de ger­mi­na­ção das for­ra­gei­ras e o desen­vol­vi­men­to das plan­tas, o pro­du­tor deve ter uma aten­ção mai­or, deven­do visi­tar a área de plan­tio dia­ri­a­men­te, para veri­fi­car se está sofren­do ata­ques de inse­tos ou infes­ta­ção de plan­tas inva­so­ras. Deve­rá con­sul­tar um téc­ni­co para que pos­sa melhor ori­en­tá-lo no mane­jo des­se está­gio tão deli­ca­do do esta­be­le­ci­men­to da pas­ta­gem. É i8mportante que o pro­du­tor,  nes­se perío­do, apro­vei­te para  fazer manu­ten­ção das cer­cas, divi­são de pas­ta­gem, manu­ten­ção em bebe­dou­ros e do cocho de sal.

Déci­mo ter­cei­ro pas­so:  simu­la­ção de pas­te­jo: para o iní­cio do pas­te­jo des­ta for­ra­gem recém esta­be­le­ci­da, reco­men­da­mos tes­tar a pas­ta­gem com cer­ca de 60 dias após a ger­mi­na­ção. O tes­te con­sis­te em ten­tar reti­rar as folhas com as mãos, tal qual um bovi­no. Se as folhas rom­pe­rem ao serem puxa­das o pas­te­jo pode ser fei­to. Caso a plan­ta seja reti­ra­da com as raí­zes, reco­men­da­mos se aguar­dar um pou­co mais o seu desenvolvimento.

Déci­mo quar­to pas­so: fazer cole­ta de amos­tra de capim para esti­mar a pro­du­ção de for­ra­gem e ajus­tar a taxa de lota­ção dos animais.

Déci­mo quin­to pas­so – fazer o pri­mei­ro pas­te­jo, res­pei­tan­do a entra­da e saí­da dos ani­mais con­for­me a espé­cie e cul­ti­var forrageira.

Déci­mo sex­to pas­so: – fazer adu­ba­ção de cober­tu­ra (N e K), Nitro­gê­nio e Potás­sio, lem­bran­do que o solo deve estar úmido.