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COLUNA DO CEPEA

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Natália Grigol

Pesquisadora do CEPEA

Preço do leite ao produtor volta a subir em dezembro

D epois de cair em novem­bro, o pre­ço do lei­te no cam­po vol­tou a subir em dezem­bro. Pes­qui­sas do Cepea (Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da), da Esalq/USP, apon­tam que a “Média Bra­sil” líqui­da do lei­te cap­ta­do em novem­bro e pago em dezem­bro se ele­vou 4,05% (ou 8 centavos/litro) fren­te ao mês ante­ri­or, che­gan­do a R$ 2,1262/litro.

Com isso, o pre­ço ao pro­du­tor acu­mu­lou alta de 52,3% de janei­ro a dezem­bro de 2020, ain­da ten­do-se como base a “Média Bra­sil” líqui­da cal­cu­la­da pelo Cepea. Em 2020, o valor médio foi de R$ 1,7604/litro, 19,2% aci­ma do regis­tra­do em 2019, em ter­mos reais (os valo­res men­sais foram defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de novembro/20).

Con­si­de­ran­do-se o movi­men­to sazo­nal de pro­du­ção e das cota­ções no cam­po, a alta de pre­ços do lei­te cap­ta­do em novem­bro é atí­pi­ca, mas, naque­le mês, a ofer­ta não se ele­vou de for­ma subs­tan­ci­al, e a com­pe­ti­ção entre indús­tri­as seguiu acir­ra­da para a com­pra de matéria-prima.

Em novem­bro, o Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (ICAP‑L) do Cepea avan­çou 1,54% em rela­ção ao mês ante­ri­or, puxa­do pelos res­pec­ti­vos aumen­tos de 7,5% e 4,3% em SP e em MG. Ain­da que a pro­du­ção demons­tre estar se recu­pe­ran­do, esse incre­men­to não tem ocor­ri­do na mes­ma inten­si­da­de da pro­cu­ra dos lati­cí­ni­os. A irre­gu­la­ri­da­de das chu­vas e o aumen­to con­si­de­rá­vel dos cus­tos de pro­du­ção têm pre­ju­di­ca­do a ofer­ta de lei­te. Outro agra­van­te para a situ­a­ção é a valo­ri­za­ção da arro­ba ao lon­go des­te ano, que aca­ba esti­mu­lan­do o aba­te de fêmeas.

A gran­de difi­cul­da­de para o setor nes­te final de ano está em equa­li­zar a ele­va­ção da maté­ria-pri­ma com a deman­da enfra­que­ci­da, sen­sí­vel aos ele­va­dos pata­ma­res de pre­ços dos lác­te­os, e a mai­or pres­são dos canais de distribuição.

Pes­qui­sas rea­li­za­das pelo Cepea, com o apoio finan­cei­ro da OCB (Orga­ni­za­ção das Coo­pe­ra­ti­vas Bra­si­lei­ras), mos­tram que as médi­as de pre­ços do lei­te lon­ga vida (UHT), do lei­te em pó (400g) e do quei­jo muça­re­la caí­ram 2,82%, 4,16% e 6,3%, res­pec­ti­va­men­te, de outu­bro para novembro.

Em 2020, o valor médio foi de R$ 1,7604/litro, 19,2% aci­ma do regis­tra­do em 2019, em ter­mos reais (os valo­res men­sais foram defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de novembro/20)

PERS­PEC­TI­VA PARA 2021 – A redu­ção da deman­da agre­ga­da e a dimi­nui­ção no poder de com­pra de mui­tos bra­si­lei­ros devem con­ti­nu­ar impac­tan­do nega­ti­va­men­te sobre o con­su­mo de lác­te­os. Isso deve dimi­nuir o pata­mar médio anu­al de pre­ços do lei­te no cam­po em 2021 em rela­ção a 2020.

Porém, a depen­der do mer­ca­do de grãos e das con­di­ções cli­má­ti­cas, é pos­sí­vel que a com­pe­ti­ção entre os lati­cí­ni­os se man­te­nha ele­va­da dian­te de uma pos­sí­vel limi­ta­ção de ofer­ta ain­da no pri­mei­ro tri­mes­tre de 2021. Nes­se cená­rio, o pata­mar de pre­ços nos três pri­mei­ros meses do novo ano pode ope­rar aci­ma do obser­va­do no mes­mo perío­do de 2020 (que foi de R$ 1,4460/litro, em ter­mos reais).

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