Cepea: preço do leite ao produtor sobe 6%, mas custos de produção avançam 14% - Balde Branco

COLUNA DO CEPEA

revista-balde-branco-coluna-cepea-natalia-grigol-edicao-660

Natália Grigol

Pesquisadora do CEPEA

PREÇO DO LEITE AO PRODUTOR SOBE 6% NESTE ANO, MAS CUSTOS DE PRODUÇÃO AVANÇAM 14%

A com­pe­ti­ção das indús­tri­as pela com­pra de maté­ria-pri­ma con­ti­nu­ou acir­ra­da duran­te agos­to, con­tex­to que resul­tou em um novo aumen­to nos pre­ços do lei­te ao pro­du­tor. Segun­do pes­qui­sa do Cepea (Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da), da Esalq/USP, o valor do lei­te cap­ta­do em agos­to e pago ao pro­du­tor em setem­bro regis­tou alta de 1% em rela­ção ao mês ante­ri­or, atin­gin­do R$ 2,3827/litro na Média Bra­sil líqui­da, 2,5% aci­ma da regis­tra­da em setem­bro de 2020, em ter­mos reais (os dados foram defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de agosto/21). Tra­ta-se, tam­bém, de um novo recor­de real da série his­tó­ri­ca do Cepea. Des­de o iní­cio des­te ano, o pre­ço do lei­te no cam­po acu­mu­la alta real de 6%.

         O aumen­to das cota­ções do lei­te, no entan­to, não tem refle­ti­do em aumen­to de ren­ta­bi­li­da­de para o pro­du­tor, uma vez que a valo­ri­za­ção no cam­po está atre­la­da jus­ta­men­te às inten­sas altas nos cus­tos de pro­du­ção. Dados do Cepea mos­tram que o cus­to ope­ra­ci­o­nal efe­ti­vo da ati­vi­da­de regis­trou expres­si­vo avan­ço de 14% des­de o iní­cio des­te ano. Num con­tex­to de adver­si­da­de cli­má­ti­ca, em que a esti­a­gem pre­ju­di­ca a ali­men­ta­ção volu­mo­sa do reba­nho, a ele­va­ção dos cus­tos de pro­du­ção, sobre­tu­do dos insu­mos liga­dos ao mane­jo nutri­ci­o­nal do reba­nho (como con­cen­tra­do e suple­men­ta­ção mine­ral), tem deses­ti­mu­la­do inves­ti­men­tos na ati­vi­da­de e, con­se­quen­te­men­te, impe­di­do um ajus­ta­men­to rápi­do da ofer­ta à demanda.

         O Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (ICAP‑L) do Cepea avan­çou ligei­ro 0,89% de julho para agos­to, puxa­do pelos aumen­tos no Rio Gran­de do Sul, de 4,2%, e no Para­ná, de 1,6%. Vale lem­brar, no entan­to, que, no mes­mo perío­do do ano pas­sa­do, a cap­ta­ção das indús­tri­as con­sul­ta­das pelo Cepea havia cres­ci­do 3,88% (2,9 pon­tos per­cen­tu­ais a mais que atualmente).

“O aumen­to das cota­ções do lei­te, no entan­to, não tem refle­ti­do em aumen­to de ren­ta­bi­li­da­de para o pro­du­tor, uma vez que a valo­ri­za­ção no cam­po está atre­la­da jus­ta­men­te às inten­sas altas nos cus­tos de produção”

Pers­pec­ti­va – Agen­tes de mer­ca­do con­sul­ta­dos pelo Cepea afir­ma­ram que a deman­da por lác­te­os não se recu­pe­rou como pre­vis­to e as nego­ci­a­ções estão enfra­que­ci­das des­de a segun­da quin­ze­na de agos­to. Com maté­ria-pri­ma mais cara e com difi­cul­da­des em rea­li­zar o repas­se da alta no cam­po ao con­su­mi­dor, as indús­tri­as de lati­cí­ni­os têm inten­si­fi­ca­do a con­cor­rên­cia na ven­da de deri­va­dos. A pres­são dos canais de dis­tri­bui­ção tem resul­ta­do em des­va­lo­ri­za­ção dos lác­te­os, pre­ju­di­ca­do a capa­ci­da­de de paga­men­to dos lati­cí­ni­os. Além da deman­da enfra­que­ci­da, o aumen­to das impor­ta­ções pode fre­ar o movi­men­to de valo­ri­za­ção do lei­te ao pro­du­tor no pró­xi­mo mês. No entan­to, tudo irá depen­der das con­di­ções cli­má­ti­cas e do volu­me de chu­vas no período.

 
 
 
 PRE­ÇOS RECE­BI­DOS EM SETEM­BRO PELO VOLU­ME CAP­TA­DO EM AGOSTO
  Pre­ços líqui­dos — não con­tém fre­te e impos­tos. Valo­res nominais.
         
 BAGOMGSPPRSCRSBRA­SIL
jul/211,99702,32202,33632,30462,30992,25162,22962,3108
ago/212,06782,36722,39442,36582,31682,25642,25032,3595
set/212,15342,41302,41192,38482,33352,28382,25542,3827
vari­a­ção mensal4,14%1,93%0,73%0,80%0,72%1,21%0,23%0,98%
  
   
Rolar para cima