CEPEA: com oferta limitada, preço sobe 1,4% na “média Brasil” - Balde Branco

COLUNA DO CEPEA

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Natália Grigol

Pesquisadora do CEPEA

Com oferta limitada, preço sobe 1,4% na “média Brasil”

Depois de regis­trar con­se­cu­ti­vas que­das des­de setem­bro de 2021, o pre­ço do lei­te cap­ta­do em janeiro/22 e pago aos pro­du­to­res em fevereiro/22 regis­trou alta de 1,4% em rela­ção ao mês ante­ri­or, che­gan­do a R$ 2,1397/litro na “Média Bra­sil” líqui­da do Cepea (Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da), da Esalq/USP.

         O enfra­que­ci­men­to do con­su­mo por lác­te­os era o fator pre­pon­de­ran­te que vinha ditan­do os movi­men­tos de pre­ços para toda cadeia pro­du­ti­va des­de o últi­mo tri­mes­tre do ano pas­sa­do. Con­tu­do, a des­va­lo­ri­za­ção do lei­te no cam­po soma­da ao cli­ma adver­so e aos ele­va­dos cus­tos de pro­du­ção limi­ta­ram a pro­du­ção de lei­te em janei­ro, espe­ci­al­men­te no Sul do País. Esse cená­rio, por sua vez, resul­tou em altas nas cota­ções – e essa inver­são na ten­dên­cia dos pre­ços pode ser con­si­de­ra­da um adi­an­ta­men­to do perío­do de entressafra.

         Os efei­tos do fenô­me­no La Niña, com for­tes chu­vas no Sudes­te e esti­a­gem no Sul, têm impac­ta­do dire­ta­men­te sobre a pro­du­ção de lei­te, vis­to que a bai­xa qua­li­da­de das pas­ta­gens e da sila­gem pre­ju­di­cam a ali­men­ta­ção do reba­nho. Além dis­so, é pre­ci­so con­si­de­rar que a ofer­ta de grãos tem sido afe­ta­da nega­ti­va­men­te pelo cli­ma – o que tam­bém ele­va o pre­ço des­te insu­mo. Se, em dezem­bro, eram pre­ci­sos, em média, 41,5 litros de lei­te para adqui­rir uma saca de 60 kg de milho, em janei­ro, com a que­da no pre­ço do lei­te e a valo­ri­za­ção do milho, o pecu­a­ris­ta pre­ci­sou de, em média, 45,5 litros para a mes­ma com­pra. Isso sig­ni­fi­cou uma redu­ção de 9,7% no poder de com­pra do pecu­a­ris­ta de um mês para o outro. Para pio­rar, os pre­ços de outros insu­mos, como suple­men­tos mine­rais, anti­bió­ti­cos, adu­bos e cor­re­ti­vos, con­ti­nu­a­ram subin­do, cor­ro­en­do a mar­gem do pro­du­tor de leite.

“O enfra­que­ci­men­to do con­su­mo por lác­te­os era o fator pre­pon­de­ran­te que vinha ditan­do os movi­men­tos de pre­ços para toda cadeia pro­du­ti­va des­de o últi­mo tri­mes­tre do ano passado”

Nes­se con­tex­to, os inves­ti­men­tos na pecuá­ria lei­tei­ra têm sido com­pro­me­ti­dos. O Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (ICAP‑L) do Cepea caiu 3,54% de dezembro/21 para janeiro/22 na “Média Bra­sil”, puxa­do sobre­tu­do pela que­da média de 4,34% na cap­ta­ção do Sul.

         Mes­mo com a fra­gi­li­da­de da deman­da por lác­te­os, a ofer­ta limi­ta­da no cam­po levou os lati­cí­ni­os a acir­rar a dis­pu­ta pela com­pra de maté­ria-pri­ma duran­te janei­ro e feve­rei­ro. O acom­pa­nha­men­to do Cepea do mer­ca­do spot (lei­te nego­ci­a­do entre indús­tri­as) mos­tra que, em Minas Gerais, o pre­ço médio do lei­te spot sal­tou de R$ 2,05/litro na pri­mei­ra quin­ze­na de janei­ro para R$ 2,43/litro na segun­da meta­de de feve­rei­ro, valo­ri­za­ção de 18% no perío­do. Com maté­ria-pri­ma mais cara, as indús­tri­as vêm for­çan­do o repas­se da alta no cam­po para o pre­ço dos deri­va­dos des­de a segun­da quin­ze­na de janei­ro. A dimi­nui­ção das impor­ta­ções nos últi­mos meses e o aumen­to das expor­ta­ções de lei­te em pó em janei­ro cola­bo­ra­ram para o con­tro­le dos esto­ques, o que ele­vou o poder de nego­ci­a­ção das indús­tri­as fren­te aos canais de distribuição.

 
 PRE­ÇOS RECE­BI­DOS EM FEVE­REI­RO PELO VOLU­ME CAP­TA­DO EM JANEIRO
  Pre­ços líqui­dos — não con­tém fre­te e impos­tos. Valo­res nominais.
         
 BAGOMGSPPRSCRSBRA­SIL
dez/211,94242,12552,15932,16752,05832,00681,95082,1210
jan/221,83202,10262,15822,16672,06802,02501,91512,1093
fev/221,83692,12072,17842,17652,11672,06311,99922,1397
vari­a­ção mensal0,27%0,86%0,93%0,45%2,36%1,88%4,39%1,44%