Brasil tem mais seis estados reconhecidos como áreas livres de febre aftosa sem vacinação - Balde Branco

Mais de 40 milhões de cabe­ças dei­xa­rão de ser vaci­na­das e 60 milhões de doses anu­ais da vaci­na não serão uti­li­za­das, geran­do uma eco­no­mia de apro­xi­ma­da­men­te R$ 90 milhões ao pro­du­tor rural

 

Brasil tem mais seis estados reconhecidos como áreas livres de febre aftosa sem vacinação

Os esta­dos do Para­ná, Rio Gran­de do Sul, Acre, Rondô­nia e par­tes do Ama­zo­nas e do Mato Gros­so ago­ra são reco­nhe­ci­dos inter­na­ci­o­nal­men­te como zonas livres de febre afto­sa sem vaci­na­ção. Ao todo, são mais de 40 milhões de cabe­ças que dei­xam de ser vaci­na­das, o que cor­res­pon­de a cer­ca de 20% do reba­nho bovi­no bra­si­lei­ro, e 60 milhões de doses anu­ais da vaci­na que dei­xam de ser uti­li­za­das, geran­do uma eco­no­mia de apro­xi­ma­da­men­te R$ 90 milhões ao pro­du­tor rural. 

O reco­nhe­ci­men­to foi con­ce­di­do pela Orga­ni­za­ção Mun­di­al de Saú­de Ani­mal (OIE) duran­te a manhã des­ta quin­ta-fei­ra (27) na 88ª Ses­são Geral da Assem­bleia Mun­di­al dos Dele­ga­dos da OIE. O Para­ná tam­bém rece­beu o reco­nhe­ci­men­to como zona livre de pes­te suí­na clás­si­ca independente.

Após a assem­bleia da OIE, a minis­tra da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to, Tere­za Cris­ti­na (foto), anun­ci­ou em live a con­quis­ta do setor, ao lado de gover­na­do­res dos esta­dos beneficiados. 

Ela res­sal­tou o empe­nho dos pecu­a­ris­tas bra­si­lei­ros e de toda a cadeia pro­du­ti­va das car­nes bovi­na e suí­na, em cum­prir as nor­mas sani­tá­ri­as, e dos esta­dos, no for­ta­le­ci­men­to dos ser­vi­ços vete­ri­ná­ri­os. “O reco­nhe­ci­men­to da OIE sig­ni­fi­ca con­fir­mar o ele­va­do padrão sani­tá­rio da nos­sa pecuá­ria e abre diver­sas pos­si­bi­li­da­des para que o Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra tra­ba­lhe pelo alcan­ce de novos mer­ca­dos para a car­ne bovi­na e car­ne suí­na do Bra­sil, assim como pela ampli­a­ção dos tipos de pro­du­tos a serem expor­ta­dos aos mer­ca­dos que já temos aces­so”, dis­se a minis­tra, tam­bém agra­de­cen­do o empe­nho dos ser­vi­do­res do Mapa. 

» Veja aqui a live sobre reco­nhe­ci­men­to da OIE

Para rea­li­zar a tran­si­ção de sta­tus sani­tá­rio, os esta­dos e regiões aten­de­ram requi­si­tos bási­cos, como apri­mo­ra­men­to dos ser­vi­ços vete­ri­ná­ri­os ofi­ci­ais e implan­ta­ção de pro­gra­ma estru­tu­ra­do para man­ter a con­di­ção de livre da doen­ça, entre outros, ali­nha­dos com as dire­tri­zes do Códi­go Ter­res­tre da OIE.

O pro­ces­so de tran­si­ção de zonas livres de febre afto­sa com vaci­na­ção para livre sem vaci­na­ção está pre­vis­to no Pla­no Estra­té­gi­co do Pro­gra­ma Naci­o­nal de Vigi­lân­cia para a Febre Afto­sa (PE PNE­FA), con­for­me esta­be­le­ci­do pelo Sis­te­ma Uni­fi­ca­do de Aten­ção à Sani­da­de Agro­pe­cuá­ria (Sua­sa). A meta para que o Bra­sil se tor­ne total­men­te livre de febre afto­sa sem vaci­na­ção é até 2026.
 
“Esse reco­nhe­ci­men­to inter­na­ci­o­nal é mui­to impor­tan­te para o país e impac­ta posi­ti­va­men­te toda cadeia pro­du­ti­va do agro­ne­gó­cio. A par­ce­ria entre o ser­vi­ço vete­ri­ná­rio ofi­ci­al e o setor pro­du­ti­vo tem sido a base fun­da­men­tal para os avan­ços con­quis­ta­dos. Ago­ra, o Minis­té­rio segue, jun­to ao setor pri­va­do, com o desa­fio de man­ter a con­di­ção do país de livre da febre afto­sa e de cami­nhar rumo ao obje­ti­vo de ampli­ar as áre­as com reco­nhe­ci­men­to de livre sem vaci­na­ção”, des­ta­ca o secre­tá­rio de Defe­sa Agro­pe­cuá­ria Mapa, José Gui­lher­me Leal.
 

Atu­al­men­te, exis­tem em tor­no de 70 paí­ses reco­nhe­ci­dos livres de febre afto­sa sem vaci­na­ção, que são poten­ci­ais mer­ca­dos para a pro­du­ção de car­ne bovi­na e suí­na, com melhor pre­ço e sem res­tri­ções sani­tá­ri­as como, no caso da car­ne bovi­na, desos­sa e matu­ra­ção. Entre esses paí­ses estão Japão, EUA, Méxi­co e paí­ses da UE. Em 2021, nos qua­tro pri­mei­ros meses do ano, o volu­me expor­ta­do de car­ne bovi­na e suí­na aumen­tou 27% na Região Sul do país, repre­sen­tan­do valo­res de R$ 4,3 bilhões, con­tra R$ 3,4 bilhões no mes­mo perío­do em 2020. 

Reper­cus­sões

Os gover­na­do­res que par­ti­ci­pa­ram do even­to come­mo­ra­ram a con­quis­ta e des­ta­ca­ram os ganhos que os mer­ca­dos terão a par­tir de agora.

O gover­na­dor do Para­ná, Rati­nho Juni­or, dis­se que este é o mai­or anún­cio do agro­ne­gó­cio para o Para­ná nos últi­mos 50 anos. “Essa chan­ce­la colo­ca o nos­so esta­do em outro pata­mar e nos abre um mer­ca­do fan­tás­ti­co, geran­do empre­go e ren­da para a nos­sa gen­te”, tam­bém come­mo­ran­do o reco­nhe­ci­men­to do esta­do como área livre inde­pen­den­te da pes­te suí­na clássica.

Para o gover­na­dor do Ama­zo­nas, Wil­son Lima, o reco­nhe­ci­men­to mos­tra ao mer­ca­do e a inves­ti­do­res a cre­di­bi­li­da­de dos gover­nos fede­ral, esta­du­ais e dos pro­du­to­res rurais bra­si­lei­ros. “Isso agre­ga valor ao que é pro­du­zi­do na nos­sa região. Nos abre uma pers­pec­ti­va mui­to gran­de de avançar”.

Segun­do o gover­na­dor do Rio Gran­de do Sul, Edu­ar­do Lei­te, além da come­mo­ra­ção, o momen­to é de enten­di­men­to da res­pon­sa­bi­li­da­de que os esta­dos pas­sam a ter. “Esse pas­so só foi pos­sí­vel de ser dado por­que hou­ve mui­to esfor­ço de toda uma equi­pe téc­ni­ca for­te­men­te dedi­ca­da para fazer os inves­ti­men­tos neces­sá­ri­os. O dia de hoje refor­ça minha cren­ça na coo­pe­ra­ção e na colaboração”.

O vice-gover­na­dor de Rondô­nia, José Atí­lio, des­ta­cou que o reco­nhe­ci­men­to for­ta­le­ce a Região Nor­te e valo­ri­za a car­ne pro­du­zi­da no esta­do. “Pre­ci­sa­mos, a par­tir de ago­ra, con­ti­nu­ar­mos vigi­lan­tes”, disse.

O dire­tor do Cen­tro Pana­me­ri­ca­no de Febre Afto­sa (Panaf­to­sa), Otto­ri­no Cosi­vi, des­ta­cou a hon­ra de par­ti­ci­par des­te momen­to his­tó­ri­co. “Nos sen­ti­mos orgu­lho­sos pelo sig­ni­fi­ca­ti­vo avan­ço alcan­ça­do nes­ta data como esfor­ço das auto­ri­da­des naci­o­nais, dos pro­du­to­res, do ser­vi­ço vete­ri­ná­rio, indús­tria ani­mal e orga­nis­mos de coo­pe­ra­ção. Essa con­quis­ta sig­ni­fi­ca um pon­to de infle­xão extre­ma­men­te posi­ti­vo para todo o con­ti­nen­te americano”.

Par­ti­ci­pa­ram tam­bém do even­to o gover­na­dor do Mato Gros­so, Mau­ro Men­des; o secre­tá­rio de Pro­du­ção e Agro­ne­gó­cio do Acre, José Aris­ti­des Jun­quei­ra; o dire­tor de Saú­de Ani­mal do Mapa, Geral­do Mora­es; pre­si­den­te da Fren­te Par­la­men­tar Agro­pe­cuá­ria (FPA), depu­ta­do fede­ral Sér­gio Sou­za; o pre­si­den­te da Fede­ra­ção da Agri­cul­tu­ra do Esta­do do Rio Gran­de do Sul (Far­sul), Gedeão Perei­ra, repre­sen­tan­do a CNA; além de par­la­men­ta­res e repre­sen­tan­tes de secre­ta­ri­as dos estados. 

Febre Afto­sa no Brasil
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A febre afto­sa é uma doen­ça que afe­ta bovi­nos, buba­li­nos, capri­nos, ovi­nos e suí­nos. Os pre­juí­zos dire­tos e indi­re­tos oca­si­o­na­dos pela doen­ça, bem como as limi­ta­ções à comer­ci­a­li­za­ção de pro­du­tos pecuá­ri­os, exi­gem dos pro­du­to­res rurais e das auto­ri­da­des sani­tá­ri­as um cons­tan­te esfor­ço para pre­ve­nir a doen­ça e pro­por­ci­o­nar con­di­ções para sua erradicação.
 
No Bra­sil, o últi­mo foco da doen­ça ocor­reu em 2006 e todo o ter­ri­tó­rio do país é reco­nhe­ci­do inter­na­ci­o­nal­men­te como livre da febre afto­sa (zonas com e sem vaci­na­ção) des­de 2018. Até este momen­to, ape­nas San­ta Cata­ri­na pos­suía a cer­ti­fi­ca­ção inter­na­ci­o­nal como zona livre de febre afto­sa sem vacinação. 
 
Resul­ta­dos das eta­pas de vacinação
 
Na sema­na pas­sa­da, a Secre­tá­ria de Defe­sa Agro­pe­cuá­ria do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Mapa) lan­çou um pai­nel dinâ­mi­co para con­sul­ta dos dados de vaci­na­ção das 26 uni­da­des da fede­ra­ção des­de 2001 até hoje. San­ta Cata­ri­na não entra no his­tó­ri­co, pois parou de vaci­nar des­de 2000.
 
No pai­nel é pos­sí­vel fazer aná­li­ses dinâ­mi­cas e obser­var os dados de cober­tu­ra vaci­nal de ani­mais e de pro­pri­e­da­des em todas as eta­pas de vaci­na­ção rea­li­za­das no país nos últi­mos 20 anos.
 
“Espe­ra-se que esse pai­nel seja fon­te de con­sul­ta por par­te de pro­du­to­res rurais, ins­ti­tui­ções liga­das ao agro­ne­gó­cio e uni­ver­si­da­des, ser­vin­do para a rea­li­za­ção de aná­li­ses his­tó­ri­cas e estu­dos rela­ci­o­na­dos à febre afto­sa”, des­ta­ca o dire­tor do Depar­ta­men­to de Saú­de Ani­mal, Geral­do Moraes.
Fon­te: Mapa
 
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