Bezerras: Cuidados com aleitamento influenciam futura produção - Balde Branco

Um mode­lo de pre­di­ção nutri­ci­o­nal de bezer­ras em alei­ta­men­to apon­ta pro­vi­dên­ci­as que o pro­du­tor deve ado­tar para garan­tir desen­vol­vi­men­to e sanidade


“Nas últi­mas déca­das, dife­ren­tes mode­los de die­ta bovi­na foram desen­vol­vi­dos, e hoje são usa­dos para esti­mar as exi­gên­ci­as e o desem­pe­nho de nos­sos reba­nhos lei­tei­ros. No entan­to, a cate­go­ria das bezer­ras, duran­te o perío­do de alei­ta­men­to, não mere­ceu tan­ta aten­ção”, des­ta­ca a zoo­tec­nis­ta Veri­di­a­na Sou­za, que aca­ba de fina­li­zar a ava­li­a­ção dos prin­ci­pais mode­los de pre­di­ção nutri­ci­o­nal, a par­tir de um ban­co de dados nacional.

Sua pro­pos­ta é pro­je­tar o desen­vol­vi­men­to de bezer­ras em dife­ren­tes pro­gra­mas de ali­men­ta­ção ado­ta­dos no País. Os dados levan­ta­dos apre­sen­tam um pano­ra­ma da situ­a­ção da cri­a­ção e indi­cam como melho­rar o bai­xo desem­pe­nho, sobre­tu­do, apri­mo­ran­do a die­ta, para bezer­ras Holan­de­sas e mes­ti­ças. Para ela, há mui­tas falhas, prin­ci­pal­men­te na ali­men­ta­ção, que com­pro­me­tem a saú­de e o cres­ci­men­to das bezer­ras até o des­ma­me, fase em que o ani­mal é frá­gil e mui­to sus­cep­tí­vel a fato­res adversos.

“Cui­da­dos rigo­ro­sos no mane­jo das bezer­ras devem ser ado­ta­dos no momen­to em que nas­cem, com a colos­tra­gem e a die­ta líqui­da na sequên­cia”, aler­ta ela. Faz ques­tão de enfa­ti­zar o quan­to isso é impor­tan­te: “Se o ani­mal em alei­ta­men­to não tiver aten­di­das as suas neces­si­da­des nutri­ci­o­nais de man­ten­ça e de cres­ci­men­to, apre­sen­ta­rá um desem­pe­nho aquém do dese­ja­do na fase adul­ta, quan­do esta­rá pron­to para pro­du­zir leite”.

Nes­se aspec­to, vale assi­na­lar a obser­va­ção da pro­fes­so­ra Car­la Bit­tar, do depar­ta­men­to de Zoo­tec­nia da Esalq-Esco­la Supe­ri­or de Agri­cul­tu­ra Luiz de Quei­roz-USP: “Estu­dos recen­tes mos­tram que quan­to mais die­ta líqui­da for dada à bezer­ra, o que resul­ta em mai­or ganho de peso, mais lei­te ela irá pro­du­zir quan­do se tor­nar uma vaca”. Des­ta­ca ain­da que há indí­ci­os con­fir­ma­dos de que quan­to mais nutri­en­tes na die­ta de alei­ta­men­to, melhor será o desen­vol­vi­men­to da glân­du­la mamá­ria da fêmea.

Veri­di­a­na, em sua tese de doutora¬do, sob ori­en­ta­ção do pro­fes­sor Dan­te Paz­za­ne­se Lan­na, do depar­ta­men­to de Zoo­tec­nia da Esalq-USP, ela­bo­rou um pano­ra­ma da cri­a­ção de bezer­ras, com base em pes­qui­sas de diver­sas ins­ti­tui­ções do País. “Foca­mos no desem­pe­nho das bezer­ras na fase de alei­ta­men­to, quan­to ganham de peso por dia, quan­to rece­bem de lei­te por dia… Isso por­que recen­te­men­te as die­tas das bezer­ras come­ça­ram a ser ava­li­a­das com base nos mode­los norte¬-americanos para pre­di­zer o ganho de peso no perío­do de aleitamento”

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 622, de setem­bro 2016

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