Artigo: o produtor rural é um forte - Balde Branco

Na pro­du­ção de cere­ais, na pecuá­ria inten­si­va, no reflo­res­ta­men­to, na sil­vi­cul­tu­ra ou na fru­ti­cul­tu­ra, o pro­du­tor rural colo­ca em prá­ti­ca uma lei da eco­no­mia, segun­do a qual, a rique­za ori­gi­nal se tira da terra

O produtor rural é um forte!

*Por José Zefe­ri­no Pedro­zo, pre­si­den­te da Fede­ra­ção de Agri­cul­tu­ra e Pecuá­ria do Esta­do de SC (FAESC) e do Ser­vi­ço de Apren­di­za­gem Rural (SENAR/SC)

O setor pri­má­rio, com des­ta­que para a agri­cul­tu­ra e as ati­vi­da­des extra­ti­vas, tem sido nos últi­mos anos a loco­mo­ti­va da eco­no­mia bra­si­lei­ra. Há um pro­ta­go­nis­ta nes­se uni­ver­so que mere­ce todos os regis­tros: o pro­du­tor rural, para quem é con­sa­gra­do, em sua home­na­gem, o dia 28 de julho.

Dedi­ca­do espe­ci­al­men­te às ati­vi­da­des agrí­co­las e pecuá­ri­as, o pro­du­tor rural tor­nou-se o prin­ci­pal agen­te econô­mi­co do setor rural por­que está na base de todas as cadei­as pro­du­ti­vas ful­cra­das no agro. Na pro­du­ção de cere­ais, na pecuá­ria inten­si­va, no reflo­res­ta­men­to, na sil­vi­cul­tu­ra ou na fru­ti­cul­tu­ra, o pro­du­tor rural colo­ca em prá­ti­ca uma lei da eco­no­mia, segun­do a qual, a rique­za ori­gi­nal se tira da terra.

O pro­du­tor rural tor­nou-se o des­ti­na­tá­rio de inten­sos e per­ma­nen­tes inves­ti­men­tos das agroin­dús­tri­as, das coo­pe­ra­ti­vas e, nota­da­men­te, do Ser­vi­ço Naci­o­nal de Apren­di­za­gem Rural (Senar). Em face dis­so, ampli­ou conhe­ci­men­to, incor­po­rou tec­no­lo­gia, aper­fei­ço­ou pro­ces­sos, ele­vou a pro­du­ti­vi­da­de e aumen­tou a pro­du­ção. O trei­na­men­to, a qua­li­fi­ca­ção e a requa­li­fi­ca­ção foram além da for­ma­ção pro­fis­si­o­nal rural. O pro­du­tor rural tor­nou-se empre­sá­rio e, a pro­pri­e­da­de rural, uma empre­sa pre­pa­ra­da para os desa­fi­os do mercado.

Dois aspec­tos mere­cem des­ta­que. Na dimen­são ambi­en­tal, o pro­du­tor moder­no con­so­li­dou o papel de pro­te­tor ambi­en­tal. Essa cons­ta­ta­ção resul­ta do sim­ples fato de que pro­te­ger os recur­sos natu­rais e uti­li­zá-los de for­ma raci­o­nal e sus­ten­tá­vel é con­di­ção sine qua nom para a per­pe­tu­a­ção da ati­vi­da­de. A agri­cul­tu­ra de rapi­na é coi­sa do pas­sa­do. O pro­du­tor rural con­tem­po­râ­neo é antes de tudo um ges­tor de fato­res da pro­du­ção, ori­en­ta­do para resul­ta­dos, mas com responsabilidade.

Na dimen­são econô­mi­ca, o pro­du­tor rural ofe­re­ce uma extra­or­di­ná­ria con­tri­bui­ção ao desen­vol­vi­men­to dos muni­cí­pi­os e das comu­ni­da­des onde atua. As notas fis­cais rurais emi­ti­das na ven­da da pro­du­ção ori­gi­na­da do cam­po, das lavou­ras e dos cri­a­tó­ri­os entram em sua tota­li­da­de no levan­ta­men­to anu­al do movi­men­to econô­mi­co de cada muni­cí­pio e, assim, influ­em dire­ta­men­te na defi­ni­ção do índi­ce de retor­no do ICMS. Na mai­o­ria dos muni­cí­pi­os cata­ri­nen­ses o setor rural pres­ta a mai­or par­ce­la de con­tri­bui­ção para a for­ma­ção das recei­tas do erá­rio públi­co. O movi­men­to de um aviá­rio, por exem­plo, gera mais retor­no de ICMS do que uma peque­na empre­sa urbana.

Na agri­cul­tu­ra está­vel e evo­luí­da como a que se pra­ti­ca em San­ta Cata­ri­na o des­ma­ta­men­to, a polui­ção de rios e a degra­da­ção dos solos são prá­ti­cas supe­ra­das. Déca­das de assis­tên­cia do ser­vi­ço de exten­são rural (do gover­no e das agroin­dús­tri­as) e de esfor­ços con­ti­nu­a­dos de capa­ci­ta­ção (sobre­tu­do do sis­te­ma S: Senar, Ses­co­op e Sebrae) per­mi­ti­ram o sur­gi­men­to de uma gera­ção de pro­du­to­res-empre­en­de­do­res sin­to­ni­za­dos com os novos tempos.

Impor­tan­te reco­nhe­cer que pro­du­tor e agroin­dús­tria cami­nha­ram lado a lado nes­sa jor­na­da de moder­ni­za­ção e aper­fei­ço­a­men­to, em gran­de par­te para aten­der exi­gên­ci­as do mer­ca­do inter­na­ci­o­nal. A cres­cen­te pre­sen­ça de pro­du­tos pri­má­ri­os do Bra­sil em cobi­ça­dos mer­ca­dos mun­di­ais foi con­quis­ta­da, além de cri­té­ri­os de pre­ço e qua­li­da­de, pelo cum­pri­men­to de exi­gên­ci­as como defe­sa ambi­en­tal, bem-estar ani­mal, com­ba­te ao tra­ba­lho infan­til e ao tra­ba­lho em con­di­ções degra­dan­tes e cum­pri­men­to de nor­mas e dire­tri­zes de tra­ta­dos dos quais o Bra­sil é signatário.

Conhe­ci­da como indús­tria a céu aber­to, a agri­cul­tu­ra enfren­ta coti­di­a­na­men­te desa­fi­os assus­ta­do­res como intem­pé­ri­es, ame­a­ças sani­tá­ri­as, cri­ses mer­ca­do­ló­gi­cas, con­fli­tos inter­na­ci­o­nais, escas­sez de insu­mos, cho­ques cam­bi­ais, ins­ta­bi­li­da­des polí­ti­cas. Enfim, atu­ar nes­sa área não é para os fra­cos. Por­tan­to, há mui­to que come­mo­rar no dia dedi­ca­do ao pro­du­tor rural, 28 de julho.