Aposta estratégica no queijo artesanal de búfalas - Balde Branco

Para ganhar mer­ca­do, pro­du­to­res do Vale do Ribei­ra, em São Pau­lo, inves­tem em melho­ria do reba­nho, qua­li­da­de do lei­te, cri­a­ções ino­va­do­ras e estra­té­gi­as mercadológicas

Por Romu­al­do Venâncio

“A gen­te já sabia pro­du­zir lei­te e quei­jo, nos­so mai­or desa­fio foi enten­der o mer­ca­do, as deman­das do con­su­mi­dor.” A fra­se de Pedro Pau­lo Del­ga­do, enge­nheiro agrô­no­mo e pro­pri­e­tá­rio da Fazen­da San­ta Hele­na (Sete Bar­ras- SP), suge­re como é pos­sí­vel trans­for­mar um obs­tá­cu­lo em estí­mu­lo para agre­gar valor à pro­du­ção e expan­dir o negó­cio. Ele fala de for­ma cole­ti­va por­que se refe­re ao empre­en­di­men­to ini­ci­a­do em novem­bro de 2016 com a espo­sa, Car­men Cas­te­lo Bru­no Del­ga­do, e outro casal, Rafa­el Gon­za­ga Morei­ra e Glau­ce Pra­do. O quar­te­to é res­pon­sá­vel pelo Lati­cí­nio San­ta Hele­na, empre­sa fami­li­ar que vem se des­ta­can­do no cir­cui­to gas­tronô­mi­co da capi­tal pau­lis­ta e de outros cen­tros urba­nos com quei­jos pro­du­zi­dos de for­ma arte­sa­nal exclu­si­va­men­te com lei­te de búfa­las. Um des­ses pon­tos é a casa “A Quei­ja­ria”, o pri­mei­ro esta­be­le­ci­men­to a pro­mo­ver o quei­jo do San­ta Hele­na na cida­de de São Paulo.

O lati­cí­nio está ins­ta­la­do no Vale do Ribei­ra, região do Esta­do de São Pau­lo carac­te­ri­za­da, prin­ci­pal­men­te, pela pro­dução de bana­na e pal­mi­to pupu­nha, mas que tam­bém é repre­sen­ta­ti­va na buba­li­no­cul­tu­ra. A pro­du­ção de quei­jos fica den­tro do Sítio Mina do Vale, em Jacu­pi­ran­ga-SP, pro­pri­e­da­de adqui­ri­da pela famí­lia de Glau­ce. Por mês, são pro­cessados cer­ca de 12 mil litros de lei­te, volu­me des­ti­na­do à pro­du­ção de quei­jos fres­cos, como a mus­sa­re­la e a bur­ra­ta, e matu­ra­dos, cri­a­ções de Del­ga­do que têm cha­ma­do a aten­ção de espe­ci­a­lis­tas do setor. No ano pas­sa­do, seis deles – “Pai do Mato”, “Vale do Ribei­ra”, “Cre­ma”, “Bola”, “Cataia” e “Sas­sa­frás – foram con­tem­pla­dos no Prê­mio Quei­jo Bra­sil, con­cur­so rea­li­za­do pela Asso­ci­a­ção dos Comer­ci­an­tes de Quei­jos Arte­sa­nais do Bra­sil, a ComerQueijo.

O San­ta Hele­na tam­bém inte­gra o Cami­nho do Quei­jo Arte­sa­nal Pau­lis­ta, ini­ci­a­ti­va que reú­ne dez quei­ja­ri­as de São Pau­lo para mos­trar aos con­su­mi­do­res locais – e de quais­quer outros luga­res – a diver­si­da­de e a qua­li­da­de de sua pro­dução. Apa­dri­nha­do pela Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra e Abas­te­ci­men­to do Esta­do de São Pau­lo, o pro­je­to foi rea­li­za­do pela Coen­tro Comu­ni­ca, agên­cia de comuni­cação espe­ci­a­li­za­da em gas­tro­no­mia. No site do pro­je­to há diver­sas infor­ma­ções das quei­ja­ri­as, o mapa des­te sabo­ro­so cami­nho e indi­ca­ções de onde encon­trar os produtos.

Se por um lado toda essa expo­si­ção tem sido alta­men­te posi­ti­va para pro­jetar o nome do lati­cí­nio e aque­cer os negó­ci­os, por outro aumen­ta o grau de exi­gên­cia sobre a qua­li­da­de e a efi­ci­ên­cia da con­fec­ção dos quei­jos. Do mane­jo na cri­a­ção dos reba­nhos até a roti­na de fabri­cação den­tro da quei­ja­ria e a expe­di­ção dos pro­du­tos, há uma série de protoco­los a serem segui­dos para garan­tir total segu­ran­ça para os ani­mais, as equi­pes e os consumidores.

—————————–

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 641, de abril 2018

Rolar para cima