Abraleite e Embrapa realizam workshop online sobre estratégias de produção de vitelos e novilhos leiteiros - Balde Branco

Espe­ci­a­lis­tas dos Esta­dos Uni­dos, Cana­dá e Bra­sil fala­rão sobre pro­du­ção de vite­los e novi­lhos pre­co­ces na pecuá­ria de leite

Abraleite e Embrapa realizam workshop online sobre estratégias de produção de vitelos e novilhos leiteiros 

A Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra dos Pro­du­to­res de Lei­te (Abra­lei­te) e a Embra­pa Gado de Lei­te rea­li­zam nos dias 25 e 26 de maio o workshop “Estra­té­gi­as de pro­du­ção de vite­los e novi­lhos pre­co­ces a par­tir de machos de reba­nhos de lei­te”. Na quar­ta-fei­ra (25), o even­to tem iní­cio às 14h, con­tan­do com as pre­sen­ças da che­fe-geral da Embra­pa Gado de Lei­te, Eli­za­beth Fer­nan­des e do Pre­si­den­te da Abra­lei­te, Geral­do Bor­ges. No dia seguin­te, as ati­vi­da­des come­çam às 8h. O even­to será trans­mi­ti­do pelo canal do You­tu­be da Embra­pa e pelo RepLei­te (https://repileite.com.br).

O pes­qui­sa­dor da Embra­pa, Duar­te Vile­la, infor­ma que espe­ci­a­lis­tas dos EUA, Cana­dá e Bra­sil apre­sen­ta­rão expe­ri­ên­ci­as de apro­vei­ta­men­to para cor­te dos machos em reba­nhos de lei­te. “A par­tir do workshop, pre­ten­de­mos deli­ne­ar ações futu­ras de pes­qui­sa e exten­são que com­pro­vem a via­bi­li­da­de téc­ni­ca e econô­mi­ca da pro­du­ção de vite­los e novi­lhos pre­co­ces”, diz o pes­qui­sa­dor. A expec­ta­ti­va e que cer­ca de 600 par­ti­ci­pan­tes acom­pa­nha o workshop de for­ma onli­ne. As ins­cri­ções são gra­tui­tas e podem ser fei­tas no link abai­xo, onde tam­bém está dis­po­ní­vel a pro­gra­ma­ção do even­to: https://www.sympla.com.br/evento-online/estrategias-de-producao-de-vitelos-e-novilhos-precoces-a-partir-de-machos-de-rebanhos-de-leite/1569946

O even­to tem a coor­de­na­ção de Duar­te Vile­la e do tam­bém pes­qui­sa­dor da Embra­pa, Rui da Sil­va Ver­ne­que. No arti­go abai­xo, publi­ca­do pelo Milk­Point, os pes­qui­sa­do­res ante­ci­pam algu­mas ques­tões que serão deba­ti­das no workshop:

Vale a pena apro­vei­tar para cor­te os machos em reba­nhos de leite?

Escri­to por: Duar­te Vilela

Rui da Sil­va Verneque

Os bezer­ros machos de ori­gem de reba­nho de lei­te são con­si­de­ra­dos como um pro­ble­ma na gran­de mai­o­ria das pro­pri­e­da­des bra­si­lei­ras. Nor­mal­men­te são des­car­ta­dos ou sacri­fi­ca­dos após o nas­ci­men­to. Essa situ­a­ção se con­tras­ta com a rea­li­da­de mun­di­al que bus­ca nes­ses ani­mais uma saí­da para ampli­ar a ofer­ta de car­ne, agre­gar ren­da à ati­vi­da­de lei­tei­ra e aten­der exi­gên­ci­as legais sobre bem-estar animal.

O núme­ro de vacas da raça Holan­de­sa e seus cru­za­men­tos é expres­si­vo no Bra­sil. Segun­do o IBGE (2020) foram orde­nha­das 16,1 milhões de vacas em 2020. Con­si­de­ran­do-se que 50% de suas cri­as são machos, com taxa de sobre­vi­vên­cia de 90%, esti­ma-se que apro­xi­ma­da­men­te 7,2 milhões de bezer­ros de ori­gem lei­tei­ra esta­ri­am dis­po­ní­veis para a pro­du­ção de car­ne duran­te o ano. Assu­min­do que esses seri­am aba­ti­dos com 450 kg (15 arro­bas), esti­ma-se uma pro­du­ção anu­al de 108 milhões de arro­bas que seri­am agre­ga­das à pro­du­ção, a par­tir de um pro­gra­ma de apro­vei­ta­men­to de machos de ori­gem lei­tei­ra. Con­si­de­ran­do o pre­ço da arro­ba de R$ 320,00 a R$345,00 (CEPEA – abril, 2022), depen­den­do da região, hipo­te­ti­ca­men­te, o volu­me anu­al de capi­tal gera­do seria de R$ 34,5 a R$ 37,2 bilhões.

Com o apro­vei­ta­men­to dos bezer­ros de ori­gem lei­tei­ra, a aber­tu­ra de novas áre­as para pro­du­ção de car­ne bovi­na pode­ria ser dimi­nuí­da. Como a pro­du­ti­vi­da­de média da pecuá­ria de cor­te no Bra­sil de 2013 a 2017 foi de 5,57 arro­bas por hectare/ano (CNA, 2018), se forem apro­vei­ta­dos todos os machos de ori­gem lei­tei­ra tería­mos a pro­du­ção de car­ne equi­va­len­te ao que se pro­duz, apro­xi­ma­da­men­te, em 30 milhões de hectares.

Além do mais, com o apro­vei­ta­men­to dos machos de ori­gem lei­tei­ra, have­ria ain­da efei­to miti­ga­dor na emis­são de meta­no, decor­ren­te da menor deman­da de vacas de cor­te para pro­du­ção de bezer­ros. Esti­ma-se que para a gera­ção de 7,2 milhões de bezer­ros, seri­am neces­sá­ri­as em tor­no de 10,8 milhões de vacas de cor­te. Assu­min­do-se que uma vaca pro­du­za anu­al­men­te de 70 a 100 kg de meta­no, depen­den­do da ida­de, quan­ti­da­de e qua­li­da­de do ali­men­to, raça, mane­jo, cli­ma, etc., esti­ma-se redu­ção na emis­são do gás de efei­to estu­fa (GEE) de 864 mil tone­la­das por ano.

Os sis­te­mas inten­si­vos de pro­du­ção de car­ne, onde se uti­li­zam die­tas com alta por­cen­ta­gem de grãos ou mes­mo die­tas exclu­si­vas de grãos, a emis­são de meta­no enté­ri­co é redu­zi­da, tan­to pelo efei­to da ali­men­ta­ção, quan­to pela redu­ção na ida­de de aba­te dos ani­mais. Esses, quan­do aba­ti­dos pre­co­ce­men­te, pas­sa­ri­am menos tem­po emi­tin­do meta­no para o meio ambi­en­te. Por exem­plo, se tra­ba­lhar com a pro­du­ção do vite­lo na ida­de de 10 meses e aba­te com 10 arro­bas ou mais de car­ca­ça, depen­den­do do pla­no nutri­ci­o­nal ado­ta­do, enquan­to que em cri­a­ção exten­si­va a pas­to, nor­mal­men­te, leva­ria pelo menos 20 meses para atin­gir esse peso. São con­si­de­ra­dos mode­los de pro­du­ção mais sus­ten­tá­veis tan­to do pon­to de vis­ta ambi­en­tal, quan­to na efi­ci­ên­cia ali­men­tar ener­gé­ti­ca e proteica.

Nos Esta­dos Uni­dos e Cana­dá, assim como na mai­o­ria dos paí­ses euro­peus, pra­ti­ca­men­te 100% dos machos pro­ve­ni­en­tes de reba­nhos lei­tei­ros são cri­a­dos ado­tan­do a tec­no­lo­gia de pro­du­ção de vite­los para car­ne. Par­te das fême­as da raça Holan­de­sa são aca­sa­la­das com repro­du­to­res da raça Angus ou outros (“Beef on dairy”) e são ali­men­ta­dos com die­tas pra­ti­ca­men­te a base de grãos (90%). Nor­mal­men­te uti­li­zam suce­dâ­ne­os de lei­te até aos 60 dias, depois um mode­lo de ali­men­ta­ção deno­mi­na­do V/C:10/90, volu­mo­so (10%), uti­li­zan­do palha­das ou fenos, depen­den­do da fase de cres­ci­men­to e grãos (90%), para ganhos pró­xi­mos ou supe­ri­o­res a 1,5 kg/dia, até atin­gi­rem 20 a 22 arrobas. 

Como a pecuá­ria lei­tei­ra deman­da ofer­ta de bezer­ros ao lon­go do ano, esse pro­ble­ma seria resol­vi­do, com sig­ni­fi­ca­ti­va redu­ção da esta­ci­o­na­li­da­de de pro­du­ção. Ter ofer­ta fre­quen­te de ani­mais pre­co­ces com car­ne de qua­li­da­de é o gran­de gar­ga­lo naci­o­nal para con­so­li­dar mer­ca­dos exter­nos exigentes.

No entan­to, o mai­or cus­to de pro­du­ção de car­ne via apro­vei­ta­men­to de machos de ori­gem lei­tei­ra com base em die­tas à base de grãos, apre­sen­ta-se como fator limi­tan­te para sua expan­são e con­so­li­da­ção como tec­no­lo­gia de apli­ca­ção prá­ti­ca e ime­di­a­ta no Bra­sil. Des­ta for­ma, há que se ava­li­ar, além do aspec­to ambi­en­tal, o aspec­to econô­mi­co para a pro­du­ção de car­ne a par­tir de machos de reba­nhos de leite.

Outro pon­to rele­van­te e deci­si­vo para reter os machos lei­tei­ros na pro­pri­e­da­de, além da via­bi­li­da­de econô­mi­ca, é a acei­ta­ção do mer­ca­do con­su­mi­dor naci­o­nal. Por isso é impe­ra­ti­vo que essas ques­tões sejam escla­re­ci­das para que a téc­ni­ca pos­sa ser melhor difun­di­da entre os nos­sos pro­du­to­res rurais e cons­ci­en­ti­zar os fri­go­rí­fi­cos que o ren­di­men­to de car­ca­ça é tão efi­ci­en­te quan­to os machos espe­ci­a­li­za­dos de cor­te, com garan­tia de qua­li­da­de da carcaça.

Como opções no apro­vei­ta­men­to dos machos de ori­gem lei­tei­ra, com impor­tân­cia na gera­ção de ren­da, agre­ga­ção de valor à pro­du­ção de car­ne de qua­li­da­de e estí­mu­lo à miti­ga­ção de gases de efei­to estu­fa na pecuá­ria naci­o­nal, pode-se con­si­de­rar os seguin­tes sistemas:

  1. Con­fi­na­men­to, após um perío­do de ali­men­ta­ção líqui­da suple­men­tar e aba­te aos 10 meses com 10 arro­bas, como vite­lo, car­ne bran­ca, para aten­der nichos de mer­ca­do pró­xi­mos aos gran­des cen­tros consumidores;
  2. Con­fi­na­men­to, uti­li­zan­do tec­no­lo­gia de pro­du­ção de vite­los para car­ne por meio de repro­du­to­res de raças euro­pei­as (Angus e outros) em vacas da raça Holan­de­sa em par­te do reba­nho (“Beef on dairy”), obti­dos após um perío­do pró­xi­mo a um ano de ali­men­ta­ção a base de grãos (V/C:10/90);
  3. Con­fi­na­men­to, ali­men­tan­do todos os machos de ori­gem lei­tei­ra a base de grãos (V/V:0/100) após os 60 dias de ida­de, aba­ten­do-os com 10 a 11 meses de ida­de com 15 arro­bas (“Baby Beef”) ou com 20 a 22 arro­bas (“Dairy – Beef”) – sis­te­ma americano;
  4. Sis­te­ma de cru­za­men­to de machos de cor­te em par­te do reba­nho, que não sejam fême­as de repo­si­ção, aba­ten­do os machos e as fême­as, os quais podem ser ter­mi­na­dos em pas­to ou em con­fi­na­men­to para abate;

Nes­se con­tex­to, é impor­tan­te que se apro­fun­de estu­dos em con­di­ções bra­si­lei­ras sobre estra­té­gi­as de pro­du­ção e o apro­vei­ta­men­to de machos para cor­te pro­ve­ni­en­tes de reba­nhos lei­tei­ros. É com esse obje­ti­vo que a Embra­pa Gado de Lei­te e a ABRA­LEI­TE, pro­põem rea­li­zar dias 25 e 26 de maio de 2022 um cír­cu­lo de pales­tras gra­tui­tas via web, com espe­ci­a­lis­tas, apre­sen­tan­do as expe­ri­ên­ci­as dos Esta­dos Uni­dos, Cana­dá e Bra­sil, que com­pro­vem a via­bi­li­da­de téc­ni­ca e econô­mi­ca de pro­du­zir e apro­vei­tar machos para cor­te em reba­nhos de leite.

Além de pales­tran­tes de reno­me naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal, o even­to con­ta­rá com a par­ti­ci­pa­ção espe­ci­al do ex-minis­tro Allis­son Pau­li­nel­li — pecu­a­ris­ta e agri­cul­tor, pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra dos Pro­du­to­res de Milho e Dire­tor da Ver­de Agri­Teck, assim como, serão con­vi­da­dos para tra­zer suas expe­ri­ên­ci­as e falar sobre o tema, o pro­du­tor Mar­co Auré­lio Perei­ra, Fazen­da Eli­as, MG; a visão da indús­tria, na pala­vra de Pau­lo Mus­te­fa­ga – Pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Fri­go­rí­fi­cos – ABRA­FRI­GO e Antô­nio Jor­ge Camar­del­li – Pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra das Indús­tri­as Expor­ta­do­ras de Car­nes — ABIEC.