Técnicos que passaram por curso da Embrapa levam para o campo os conceitos sobre qualidade do leite (Sérgio Rustichelli Teixeira e Guilherme Nunes de Souza)

 

Visan­do ava­li­ar os efei­tos do trei­na­men­to de téc­ni­cos no for­ma­to Resi­dên­cia Zoo­téc­ni­ca, a Embra­pa Gado de Lei­te rea­li­zou uma pes­qui­sa nas macror­re­giões Sudes­te e Sul. Um dos temas mais dis­cu­ti­dos nos trei­na­men­tos e na vida pro­fis­si­o­nal foi orde­nha e qua­li­da­de do lei­te. Para ava­li­ar os trei­na­men­tos par­ti­ci­pa­ram da pes­qui­sa, além dos téc­ni­cos, seus supe­ri­o­res hie­rár­qui­cos e pro­du­to­res. No total, mais de 150 pes­so­as foram entre­vis­ta­das por tele­fo­ne, pes­so­al­men­te ou em Reu­niões de Gru­po Focal.

Mais de 90% dos téc­ni­cos entre­vis­ta­dos esta­vam empre­ga­dos em indús­tri­as e coo­pe­ra­ti­vas de lei­te, cuja mai­o­ria efe­tu­a­va paga­men­tos por qua­li­da­de. De acor­do com os entre­vis­ta­dos, a polí­ti­ca de paga­men­to por qua­li­da­de mos­trou ser um ins­tru­men­to esti­mu­lan­te para as ini­ci­a­ti­vas com foco na melho­ria da qua­li­da­de do lei­te que che­ga às pro­ces­sa­do­ras. Nes­te ínte­rim, as prin­ci­pais deman­das dos pro­du­to­res se con­cen­tra­vam em ori­en­ta­ções para lim­pe­za das orde­nha­dei­ras, uso cor­re­to de deter­gen­te, saú­de ani­mal, aqui­si­ção de equi­pa­men­tos e higi­e­ne de orde­nha.

No entan­to, os téc­ni­cos rela­ta­ram algu­mas difi­cul­da­des:

  • O pro­du­tor não tem enten­di­men­to sufi­ci­en­te sobre assun­tos rela­ci­o­na­dos ao mer­ca­do de lei­te, por exem­plo, as alte­ra­ções no pre­ço do lei­te, sazo­na­li­da­de, influên­cia do mer­ca­do exte­ri­or, influên­cia de ata­ca­dis­tas e super­mer­ca­dos. Para os téc­ni­cos, as dife­ren­ças entre ven­der lei­te para a pro­ces­sa­do­ra e ven­der lác­te­os para o mer­ca­do pre­ci­sa­vam ser mais bem expli­ca­das;
  • O pro­du­tor se quei­xa de carên­cia de pós-ven­da de fabri­can­tes de orde­nha­dei­ras e tan­ques de res­fri­a­men­to;
  • Fal­ta de revi­sões perió­di­cas com a regu­la­ri­da­de neces­sá­ria resul­tan­do em alte­ra­ções na pres­são de vácuo e em danos aos tetos. Como con­sequên­cia a Con­ta­gem de Célu­las Somá­ti­cas (CCS) fica­va ele­va­da;
  • Uma quei­xa recor­ren­te de pro­du­to­res está rela­ci­o­na­da à mão de obra. Há resis­tên­cia por par­te da mão de obra con­tra­ta­da nas ques­tões de higi­e­ne de orde­nha com con­sequên­cia na Con­ta­gem Total de Bac­té­ri­as (CTB). Os téc­ni­cos atri­bu­em a resis­tên­cia a ques­tões cul­tu­rais envol­vi­das. Como agra­van­te, obser­vou-se que, mui­tas vezes, o pro­du­tor man­da o fun­ci­o­ná­rio fazer o ser­vi­ço, mas sem o trei­na­men­to neces­sá­rio;
  • Téc­ni­cos ale­ga­ram ain­da que alguns pro­du­to­res enxer­gam qua­li­da­de como cus­to, e por isso insis­tem em seguir o que já fazi­am;
  • Devi­do ao cus­to de aqui­si­ção, alguns fazem o máxi­mo para aumen­tar a vida útil de man­guei­ras, tetei­ras, entre outros com­po­nen­tes.

 


Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 659 (novembro/2019)

Rolar para cima