Úlcera da lactação e a qualidade do leite

  • 4 de agosto de 2019
Úlcera da lactação e a qualidade do leite

Causa irritação e prejuízo ao bem-estar nos animais acometidos, sendo que a lesão pode se infectar secundariamente por bactérias e se tornar foco para instalação de mastites e prejudicar a qualidade do leite

Marcos Malacco

 

A estefanofilariose é uma parasitose que pode afetar diversas espécies animais, inclusive tem caráter zoonótico, ou seja, pode também afetar o homem. É provocada por espécies de Stephanofilariaspp, um verme redondo, cujos vetores são moscas, especialmente moscas picadoras, sendo a mosca dos chifres (Haematobiairritans) o vetor biológico da estefanofilariose.  Nos bovinos é mais frequente nas vacas leiteiras, e um trabalho realizado no Brasil demonstrou ser mais prevalente no rebanho de vacas em lactação (Miyakawa et al., 2009 – figura abaixo). Por este motivo, no campo é chamada “úlcera da lactação”. Também costuma ser mais frequente nas épocas quentes e úmidas, sendo “úlcera de verão”, outra denominação no campo.

Distribuição dos casos de estefanofilariose em rebanhos leiteiros nos estiados do Paraná e São Paulo, de acordo com a fase de produção

A doença é caracterizada pelo surgimento de ferimentos na pele com maior frequência na região abdominal, particularmente próximas ao úbere. As lesões iniciam-se com o surgimento de pequenas pápulas, nódulos, perda de pelos, exsudação, que evoluem para formação de úlceras com secreção e formação de crostas. Geralmente têm aspecto circular ou elíptico, que no início podem apresentar 1 cm de diâmetro, podendo alcançar 25 cm com a evolução do quadro.

Essas lesões são bastante atrativas às moscas, incluindo a Cochliomyiahominivorax (mosca varejeira), o que causa irritação e prejuízo ao bem-estar nos animais acometidos. Além disso, os ferimentos podem se infectar secundariamente por bactérias que podem ser foco para instalação de mastites e prejudicar a qualidade do leite. Há citações de permanência das lesões por períodos tão longos quanto 2 a 3 anos, caso não sejam convenientemente tratadas.


Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 656 (agosto/2019)