Silo fechado. E agora?

  • 21 de março de 2018
Silo fechado. E agora?

Para a garantia de uma boa silagem de milho, os trabalhos não terminam com o fechamento do silo; para essa boa qualidade chegar ao cocho são precisos ainda certos cuidados

Por João Antônio dos Santos

Se o produtor pensa que, depois de todo o investimento e da trabalheira para colher o milho, transportar a massa verde, en­cher, compactar e vedar o silo, o processo se conclui com um belo churrasco com pessoal que deu duro, está muito enganado. Não é só esperar o momento de abri-lo. Produzir silagem é um processo longo, que só termina com a última porção que é retirada do silo, conforme diz Rafael Amaral, engenheiro agrônomo espe­cializado em produção de silagem. “A importância da gestão do silo, seu monitoramento de todo o processo, é que na próxima produção de silagem o produtor terá dados para evitar que se repitam os mesmos erros, danos, comprometimento da qualidade do alimento e, obviamente, prejuízos ocorridos na produção anterior. A ges­tão correta permite o aperfeiçoamento contínuo da produção de silagem”.

“Depois de fechar o silo, tanto do ponto de vista econômico como da qualidade da silagem, os cuidados com ele não param por aí”, reforça Amaral, que é gerente de Nutrição para a América Latina da DeLaval e idealizador do canal no Youtube Doc­tor Silage. Ele, que discorreu sobre “Indicadores de desempenho para a produção de silagem de alta qualidade”, no evento “Medir para ge­renciar”, do EsalqLab, ressalta que o produtor precisa ter consciência de que a produção de silagem é um processo bastante longo, quando se quer fazer uma ges­tão eficiente para ter sucesso na produção deste alimento.

O trabalho de produ­ção de silagem se inicia com o preparo do solo na época certa do plan­tio do milho, de acordo com a região onde se localiza. Depois de 120 dias, período em que se fazem os tratos da lavoura – aplicações de adubo, herbicida, entre outros –, colhe-se então a planta e faz-se a ensilagem. É um trabalho estressante na proprie­dade, pois tem de concentrar toda a atividade e mão de obra para concluir num prazo curto. Afinal, como tempo é dinheiro, ele não pode se esquecer de que o investimento em cada 50 ha de cultivo de milho gira em torno de R$ 200 mil.

Vedado o silo, come­ça nova etapa no inte­rior do silo: o processo de fermentação que irá transformar todo aquele material em alimento de qualidade para o gado. Esse processo demora um determinado tempo (por volta de 30 dias) para estabilizar a sila­gem, quando então o alimento já pode ser fornecido ou conserva­do por longo período. Em algumas propriedades, o silo é aberto depois de 180 dias, enquanto em outras, isso pode acontecer bem antes, de acordo com a necessidade de prover o alimento aos animais.

Neste ponto, Amaral destaca que uma das primeiras falhas é o produtor não se dar conta de que o processo ainda não acabou. “Para mim, este processo só termina quando acaba a silagem no silo. A silagem pronta ainda é alimento passível de ser deteriora­do. Por isso, é preciso estar atento a todos os detalhes para assegurar a qualidade deste alimento até chegar à boca do animal”.

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Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 640, de março 2018