Queijo artesanal conta com o apoio da pesquisa e da extensão

  • 29 de agosto de 2017
Queijo artesanal conta com o apoio da pesquisa e da extensão

Aprovado pelo gosto popular, o queijo artesanal de Alagoa-MG, nas terras altas da Mantiqueira, busca o reconhecimento da lei, trabalho agora apoiado por técnicos e pesquisadores


Por Rubens Neiva, jornalista da área de comunicação da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora-MG

O Brasil produz um milhão de toneladas de queijo por ano. Um quinto desse total é feito artesanalmente, com leite cru, ou seja, que não passou pelo processo de pasteurização. Boa parte desse tipo de queijo é vendido de modo informal, pois falta ao produto o registro nos serviços de inspeção sanitária, seja municipal, estadual ou federal. Mas essa irregularidade não interfere no paladar. Longe disso.

O queijo artesanal produzido em Alagoa, município mineiro das terras altas da Serra da Mantiqueira, por exemplo, se tornou uma iguaria cujo sabor é comprovado pelo consumidor. Quase a totalidade da produção do município é destinada a empórios de Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. O queijo de Alagoa é a principal fonte de renda da cidade, satisfaz os consumidores, incrementa o orçamento dos produtores, mas não tem o reconhecimento da lei.

Este problema levou a Embrapa Gado de Leite, em parceria com a Emater-MG e a Epamig-Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerias, a criar um projeto de pesquisa para levantar dados que fundamentem a regulamentação do queijo de Alagoa. Segundo a pesquisadora Maria de Fátima Ávila Pires, coordenadora do projeto, que envolveu 25 profissionais, o primeiro passo foi caracterizar o sistema de produção.

“O primeiro passo foi selecionar 30 produtores, identificando-os do ponto de vista econômico e social. Em seguida, traçamos o perfil do produtor alagoense e resgatamos os aspectos históricos e culturais da produção do queijo no município”, conta ela. Os pesquisadores também fizeram diversos estudos, que envolveram o solo e a água da região (aspectos físicos, químicos e microbiológicos), a alimentação das vacas e as análises do leite e do queijo.

Esses estudos incluíram o levantamento de informações sobre o processo de produção do leite e a fabricação do queijo, caracterizando o “saber fazer” da comunidade, ou seja, como os alagoenses construíram as tradições que resultaram no modo próprio de fazer seu queijo artesanal. “Reunir essas informações em um documento é uma das exigências do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) para a regulamentação do queijo artesanal”, diz a laticinista da Emater-MG, Marciana de Souza Lima.

O atual trabalho já está sendo útil para que a prefeitura de Alagoa conceda aos produtores o Selo de Inspeção Municipal (SIM), mas essa certificação permite a venda do produto apenas no município. O escritório da Emater-MG na cidade trabalha para que as queijarias de Alagoa sejam regularizadas perante ao IMA para que possam obter, posteriormente, o registro de Indicação Geográfica, como já ocorre com os queijos do Serro, Canastra, Salitre e Campos das Vertentes.

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Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 634, de agosto 2017