Pressão de baixa no mercado do milho

  • 2 de abril de 2019

As expectativas positivas com relação à segunda safra no País (2018/2019) e a maior intenção do vendedor em negociar o cereal tiraram a sustentação dos preços no mercado interno em março. A maior oferta advinda de outros estados colabora com este cenário.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a saca de 60 quilos ficou cotada, em média, em R$ 42,11, sem o frete, na primeira quinzena, com negócios em até R$ 40,00 por saca no final do mês. Em curto e médio prazo a expectativa é de mercado mais frouxo, e quedas de preços não estão descartadas.


Expectativas positivas com relação à segunda safra

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou no dia 12 de março o sexto levantamento da safra brasileira de grãos.
Destacamos as revisões para cima na área e produtividade média do milho de segunda safra, em reta final de semeadura no País. A expectativa é de que a cultura ocupe 12,05 milhões de hectares neste ciclo (2018/2019), frente aos 11,80 milhões de hectares estimados no relatório anterior. Na comparação com a safra passada, a área deverá ser 4,4% maior.
Com relação à produtividade média das lavouras, a previsão é de um incremento de 18,3% em 2018/2019, em relação a 2017/2018. Com isso, a produção na segunda safra foi estimada em 66,6 milhões de toneladas, 2,1% a mais frente as 65,2 milhões de toneladas estimadas em fevereiro último.
O Brasil deverá colher 23,6% mais milho este ano, em comparação com a segunda safra passada, o equivalente a 12,69 milhões de toneladas a mais.
Seguimos monitorando o clima e o câmbio, principais fatores de precificação para o cereal nos próximos meses.

Farelo de soja: cotações acompanhando o grão

A maior disponibilidade interna (colheita), o dólar oscilando menos e as incertezas com relação à demanda fizeram os preços da soja-grão andarem de lado em março, com um viés de baixa. Por ora, a expectativa de uma menor produção não tem sido suficiente para dar fôlego às cotações diante das expectativas de queda na demanda externa. Até o final de março, por volta de 70% da área de soja havia sido colhida no País. Com relação ao farelo de soja, as cotações têm acompanhado o cenário observado para o grão.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, a tonelada do farelo de soja ficou cotada, em média, em R$ 1.281,90, sem o frete, em março. Os preços caíram 2,5% desde o começo do ano.
Em curto prazo, a expectativa é de que o viés de baixa continue sobre os preços do grão e do farelo de soja no mercado interno. No entanto, as quedas deverão ser mais limitadas, comparativamente com os últimos meses.
Já em médio prazo, existe a possibilidade de as cotações retomarem a firmeza, com a previsão, por ora, de queda na área com a cultura nos Estados Unidos, que estão se preparando para semear a safra 2019/20, e em função do mercado, do clima e dos estoques reduzidos no Brasil.

Mais milho e menos soja nos estados unidos em 2019/2020?

Aconteceu no final de fevereiro o Agricultural Outlook Forum, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês). O fórum trouxe as primeiras estimativas acerca da safra norte-americana na temporada 2019/2020, em fase de preparo para a semeadura. Por ora, é esperado um incremento da área com milho nos Estados Unidos, frente à safra passada, e uma redução da área semeada com soja.
O USDA estima 37,23 milhões de hectares a serem semeados com milho em 2019/2020, um crescimento de 3,2% na comparação com a área semeada em 2018/2019. No caso da soja, as previsões iniciais apontam para uma redução de 4,7% na área no ciclo atual, frente ao passado. A cultura deverá ocupar 34,39 milhões de hectares em 2019/2020.
A previsão de redução na área plantada com soja é reflexo das incertezas comerciais entre os norte-americanos e chineses, o que poderia levar a uma menor demanda pela soja norte-americana este ano, caso um acordo não ocorresse.
No entanto, algumas questões relacionadas ao clima (excesso de chuvas nas regiões produtoras) poderá levar a alguma alteração nas expectativas iniciais.

Adubos: momento é favorável para a compra

Os preços dos adubos caíram em março, na comparação mensal. A pressão de baixa é decorrente da menor movimentação no mercado neste período do ano e da menor pressão advinda do câmbio, com o dólar oscilando menos e em um patamar mais baixo que o verificado no primeiro semestre do ano passado.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, os preços dos fertilizantes nitrogenados caíram, em média, 0,6% em março, em relação a fevereiro deste ano.
Para os adubos potássicos e fosfatados, as quedas foram de 0,4% e 1,0%, respectivamente, no mesmo período. O momento é favorável para a compra do insumo, já que a partir de abril/maio aumenta a demanda interna por fertilizantes, com as compras para a safra 2019/2020. Esta maior movimentação tende a dar sustentação às cotações no País.

Lácteos: vendas não evoluíram em março, com o carnaval

O mercado atacadista de produtos lácteos fechou a primeira quinzena de março com ligeira queda. Na média de todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria o recuo foi de 0,6%, frente à quinzena anterior.
O preço do leite longa vida (UHT) ficou praticamente estável no período, com queda de 0,1%. O produto ficou cotado, em média, em R$ 2,55/litro. Desde a segunda quinzena de janeiro as cotações do produto vêm andando de lado, sem muitas alterações. O consumo de leites fluídos mais fraco na primeira quinzena de março, devido ao feriado de Carnaval, contribuiu para que esse cenário de estabilidade nos preços continuasse.
No varejo, em São Paulo, a situação foi de preços mais firmes. Na média de todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria o aumento foi de 0,3% nos primeiros quinze dias de março.
O preço do leite longa vida também ficou praticamente estável, com alta de 0,1% na comparação quinzenal. O produto foi comercializado, em média, em R$ 3,36/litro. Em relação ao mesmo período do ano passado a cotação do produto subiu 20,0% nas gôndolas paulistas este ano.
Em curto e médio prazo, a expectativa é de mercado firme, e altas nas cotações no atacado e varejo não estão descartadas, devido à queda de produção da matéria-prima (leite cru) nas principais regiões produtoras.
Do lado da demanda também se espera uma melhora em abril. É importante destacar que a intensidade destas altas dependerá de como evoluirá a demanda interna por leite e derivados.

Sobre o autor

Rafael Ribeiro é zootecnista, msc. Scot Consultoria

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