Pasto por mais tempo com sobressemeadura

  • 6 de março de 2019
Pasto por mais tempo com sobressemeadura

Técnica comum na região Sul, que permite o melhor uso do solo e nutrientes no Outono/Inverno, avança no Sudeste e tem potencial para áreas do Centro-Oeste

Por Luiz H. Pitombo

Aspectos relacionados às reduções de temperatura, umidade e comprimento do dia fazem com que as forrageiras tropicais perenes permaneçam dormentes ou pouco produtivas durante o Outono/Inverno (de abril a setembro). Isto permite, através da sobressemeadura de espécies anuais de clima temperado, dotadas de maior valor nutritivo, prolongar a estação de pastejo com boa lotação e melhor desempenho animal num período crítico do ano.

No geral, possibilitam produções de leite ao redor de 12 a 15 litros/vaca/dia, com uma taxa de lotação entre 3 e 4 UAs (unidades animais de 450 kg de peso vivo) sem qualquer suplementação. A
produtividade por hectare pode ficar ao redor dos 5 mil litros de leite, ou pouco mais, considerando sua utilização por cerca de 5 meses.

A suplementação do rebanho baseada em volumosos conservados, como silagem, feno ou concentrados, se mostra mais cara e trabalhosa do que a sobressemeadura. Ela também possibilita
o maior aproveitamento e racionalização de investimentos em insumos e equipamentos de alto valor, como fertilizantes, irrigação, cercas e máquinas em função do prolongamento em seu
uso durante o ano. Produtores mais tecnificados têm sido atraídos para o uso da técnica.

“O interesse e a adoção da sobressemeadura, principalmente fora de áreas de Outono/Inverno mais frio e chuvoso aumenta, provavelmente, por se ajustar muito bem aos sistemas mais intensivos
e sustentáveis, em que se fazem grandes investimentos em fertilidade do solo e, em particular, em irrigação”, afirma o zootecnista Felipe Tonato, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos-SP. A própria unidade adota a técnica em seus pastos e a tem recomendado dentro do programa de difusão de tecnologia lá desenvolvido, o Balde Cheio, como uma das alternativas para melhor aproveitar áreas de produção intensiva de gramíneas com irrigação.

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Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 651, de março 2019