Novos substratos no biodigestor geram mais biogás

  • 4 de junho de 2019
Novos substratos no biodigestor geram mais biogás

Pesquisas mostram que a codigestão de substâncias alternativas pode beneficiar a propriedade leiteira com o aumento da produção de bioenergia, biofertilizante, e também com a redução de custos

Luiza Mahia

A produção pecuária leiteira tem exigido cada vez mais energia elétrica para garantir, entre outras coisas, o perfeito funcionamento das salas de ordenha e o adequado resfriamento do leite que será encaminhado para o laticínio. Atualmente, a eletricidade representa um custo elevado para o produtor de leite e, em muitos casos, um problema devido às perdas de transmissão. A utilização da biomassa na atividade agrícola em biodigestores para a produção de biogás diversifica a matriz energética e aponta a possibilidade de adoção de fontes renováveis de energia de forma descentralizada, fortalecendo o desenvolvimento sustentável da pecuária leiteira. Com este objetivo em vista, muitos estudos têm sido realizados e os  resultados são  promissores.

Stela Montoro, administradora e mestre em Agronomia, desenvolveu pesquisa sobre o uso da batata-doce como parte do substrato do biodigestor para gerar biogás e biofertilizante. “Utilizar a batata- doce como matéria- prima para a produção de biogás é uma alternativa que pode incentivar a inserção de tecnologias voltadas ao desenvolvimento de potencialidades regionais, fortalecendo a produção agropecuária no Brasil”, diz ela, que mostrou a viabilidade técnica e econômica do efeito da codigestão desses tubérculos com dejetos de bovinos leiteiros confinados.

Em sua pesquisa para a dissertação de mestrado em Agronomia, no programa Energia na Agricultura, pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (FCAV-Unesp), em Botucatu, ela explica que a batata-doce tem sido objeto de estudos por pesquisadores da Embrapa Clima Temperado na última década em função de seu potencial para a produção de biocombustível, e que variedades da Batata-Doce Industrial (BDI) já estão disponíveis no mercado. São cultivares desenvolvidas com maior potencial de produtividade por hectare e teor de amido. Essas variedades, diferentes da batata-doce de mesa, são disformes e grandes, com produtividade que pode chegar a 65 toneladas por hectare e a mais de 30% de concentração de amido. O tubérculo pode ser mantido no solo por até um ano, e quanto mais tempo ficar sob a terra, maior será o teor do amido, que é a matéria-prima para a produção de fontes de bioenergia.


Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 654 (junho/2019)